Coletivo destrói obra de Picasso para vender em leilão como NFT; veja vídeo

Moldura com os restos da obra queimada do pintor espanhol será entregue ao comprador do token

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Um coletivo de artistas anônimos nos Estados Unidos queimou uma obra do pintor espanhol Pablo Picasso na última quinta-feira (15), com o objetivo de eternizar a peça no mundo da arte digital.

O projeto "The Burned Picasso", ou o Picasso queimado, idealizado pelo grupo Fractal Studios, havia sido anunciado em junho e a concretização da ousadia foi registrada num vídeo que um dos artistas usa uma espécie de lança-chamas acoplado a um botijão para incendiar a gravura.

A ideia foi transformar o "Fumeur V", gravura feita em 1964, em um token não-fungível, ou NFT, em blockchain — uma criptografia que autentica a originalidade de um arquivo único no mundo digital.

"O Picasso Queimado vive para sempre no blockchain", afirma o grupo na página do projeto.

A ideia original era fazer apenas um token do desenho antes de ser queimado, mas, como o vídeo divulgado nas redes sociais ressalta, a gravura permaneceu nos restos do papel — inclusive a assinatura do autor.

O coletivo fez, então, dois NFTs distintos, e o comprador receberá também uma moldura com os restos da obra. O leilão na plataforma UniqueOne ficará aberto até o final do mês e tem lance inicial de cerca de US$ 500.

A pintura foi comprada em abril deste ano em um leilão da Christie's, por cerca de R$ 105 mil. A obra em questão fazia parte de uma série numerada, com 50 cópias. Como em um rito de passagem, o quadro ficou exposto em uma galeria em Denver por cerca de dois meses para que visitantes pudessem apreciar a peça antes de virar cinzas.

Para explicar o porquê de queimar a obra, o coletivo justifica que o ato visou experimentar o fogo como parte uma destruição criativa, um novo fenômeno possível no contexto do blockchain — desassociando o ato de um gesto relacionado a censura e ditaduras.

Nesse manifesto publicado no Medium da UniqueOne.Network, uma rede de marketplaces de NFT, os artistas fazem uma valorização do mundo digital como parte integrante da nossa realidade. Ao queimar a obra, o Fractal Studios estaria dando um passo para incluir a própria dinâmica do blockchain nas nossas esferas pessoais de valor.

"Ao queimar o Picasso e cunhar seu NFT correspondente, o NFT se torna a reserva de valor e a procedência da obra de arte original passa para a web 3.0", diz a nota.

Há uma defesa também do registro na rede como uma forma de nova sobrevivência aos grandes nomes. "Os artistas que idolatramos hoje só são grandes em nossa realidade porque conhecemos eles, sabemos da sua procedência. Mas uma criança não fica sabendo do Kandinsky por osmose. O conhecimento tem que ser registrado em algum lugar e transmitido", afirma.

"Esquecimento pode levar a uma espécie de morte artística. Em uma revolução tecnológica, essas antiquidades e grandes obras que sobrevivem através da transformação digital podem escapar do esquecimento."

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.