MAC quer voltar ao topo da vanguarda da arte ao abrir nova exposição com o MAM

Próximo dos 60 anos, museu busca retomar experimentações para modernizar a cena artística de São Paulo

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, o MAC, causou um burburinho no Instagram durante a pandemia quando entregou a conta para o artista Gustavo von Ha, que incluiu no feed do museu um meme de Britney Spears.

Ao mesmo tempo em que o número de seguidores da instituição explodiu, ela também perdeu alguns que "entenderam que o museu era um outro lugar", segundo Ana Magalhães, curadora e diretora do MAC.

O espanto se relaciona com um perfil mais geral dos museus, que não são tão bem-humorados nas redes sociais. Mas esse "outro lugar" que Magalhães descreve se associa também a trajetória mais conservadora e acadêmica que o MAC seguiu nos últimos anos.

Reprodução do perfil do MAC USP no Instagram; perfil foi "ocupado" pelo artista Gustavo Von Ha
Reprodução do perfil do MAC USP no Instagram; perfil foi 'ocupado' pelo artista Gustavo Von Ha - Reprodução Instagram @mac_usp

Quase 60 anos depois da fundação do museu, a gestão quer retomar a trajetória de quem já esteve no topo da vanguarda artística do país e com as outras instituições do entorno não só no Instagram, mas com duas exposições abertas neste ano —"Clareira", com uma programação multidisciplinar, e "Zona da Mata", feita em parceria com o Museu de Arte Moderna, o MAM.

"O museu tinha essa vontade de ser um laboratório de experimentação", afirma a diretora Ana Magalhães, que diz que essa vocação está relacionada com o vínculo universitário. A clareira que nomeia a exposição, no caso, é uma área de vegetação mais rasteira no interior de uma floresta, onde há uma renovação da fauna e da flora.

Quem abre a programação é Angelo Venosa, com uma mostra que apresenta esculturas do acervo do museu e outras de produção recente do artista. São obras que lembram exoesqueletos gigantes e ocupam o espaço central do piso térreo.

A exposição de Venosa será seguida por outra instalação de arte visual, e outros eventos noturnos acontecem até o final do ano. A São Paulo Companhia de Dança, o Teatro da Vertigem e escritores como Noemi Jaffe e Julián Fuks fazem parte da programação multidisciplinar —um formato que, segundo Magalhães, deve ser mantido no museu a partir de agora.

Mas o que parece ser o projeto mais ambicioso da instituição é a parceria com o MAM. A relação entre os dois é antiga —o MAC foi criado em 1963 justamente quando a Universidade de São Paulo recebeu o acervo do antigo MAM. A proximidade também se dá pelo espaço, com ambos unidos por uma passarela sobre a avenida Pedro Álvares Cabral.

Mesmo assim, não é usual que os prédios sejam vistos com um mesmo circuito para os visitantes —em todas essas décadas de proximidade, inclusive, só uma outra parceria foi feita entre as instituições.

"Zona da Mata", que está montada nos dois espaços e propõe que a passagem pela passarela faça parte do projeto curatorial, pretende criar essa aproximação. Afinal, a passagem pela avenida é um percurso por um terreno que já foi uma mata alagadiça.

São trabalhos de artistas como Claudia Andujar, Guto Lacaz, Paulo Nazareth que suscitam o recorrente tema da relação da natureza com o espaço urbano, com curadoria conjunta entre Magalhães e Marta Bogéa, do MAC, e Cauê Alves, do MAM.

Mesmo estando a poucos metros de distância num percurso a pé, os museus enfrentaram dificuldades para criar esse circuito que também envolve a Fundação Bienal de São Paulo. No dia em que a repórter esteve na mostra e fez o trajeto entre os prédios, a passarela estava lotada de visitantes sem máscara, caso recorrente próximo à entrada do parque e pelo caminho até chegar ao MAM.

Outro evento recente, no entanto, aproxima as duas instituições e pode costurar esse processo. O MAC agora tem como parte de seu acervo a coleção de Fulvia e Adolpho Leirner de art déco brasileiro, com obras doadas pelos colecionadores no final de 2020 e que agora configuram a terceira doação mais importante da instituição.

Alguns desses trabalhos, inclusive, estão em exposição no MAM. A mostra “Desafios da Modernidade - Família Gomide-Graz nas Décadas de 1920 e 1930” retoma a produção de Regina, Antonio Gomide e John Graz, com cerca de 80 trabalhos da família que acabou ditando tendências de estilo no país.

"Somos instituições irmanadas, e é o momento em que começamos a rever essa história. Com 'Zona da Mata' reconhecemos esse terreno do parque do Ibirapuera", diz Magalhães. "É importante fazer essa conexão física entre os espaços porque eles partilham não só o mesmo projeto arquitetônico, a mesma paisagem, mas uma mesma história institucional e um projeto de modernidade para São Paulo."

Zona da Mata

  • Quando Até maio de 2022. No MAC, de ter. a qui.: 11h às 19h. Sex. a dom.: 11h às 21h. No MAM, ter. a dom.: 12h às 18h
  • Onde No MAC - av. Pedro Álvares Cabral, 1301. No MAM - parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - portões 1 e 3)
  • Preço Agendamento pelo Sympla

Angelo Venosa, em 'Clareira'

  • Quando Até 1º/8
  • Onde No MAC
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.