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Filme retrata o 11 de Setembro intercalando registros amadores

Documentário '11/09 - A Vida Sob Ataque', que transmite a perplexidade das pessoas comuns, está no Globoplay

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Renato Terra

Roteirista do Conversa com Bial e diretor dos documentários 'Narciso em Férias', 'Eu Sou Carlos Imperial' e 'Uma Noite em 67'. Trabalhou na revista piauí até 2016 e foi o ghost-writer do 'Diário da Dilma'

11/09 - A Vida Sob Ataque

  • Onde Globoplay
  • Classificação 14 anos
  • Produção EUA, Reino Unido, França, Países Baixos
  • Direção Brook Lapping, Karen Edwards

Não há narrador, não há especialistas neste documentário sobre o atentado que derrubou as torres do World Trade Center. O filme “11/09 - A Vida Sob Ataque” reúne filmagens amadoras de pessoas comuns e mostra as primeiras reações no calor dos acontecimentos. Pais, mães, estudantes, bombeiros, documentaristas que sacaram as suas câmeras para registrar mais um dia em Nova York.

Anthony Paris filmava sua esposa acariciando seu bebê na cama. Jay Alan Zimmerman registrava um café da manhã em família. Chris Ryan caminhava com uma câmera pelo metrô para denunciar problemas. Jonas Mekas, o cineasta lituano, tomava um café expresso. A família Rosseau fazia turismo num ônibus panorâmico.

No horizonte da cidade de Nova York, dois arranha-céus expelem nuvens de fumaça
Cena do Documentário '11/09 - A Vida Sob Ataque', de Brook Lapping e Karen Edwards - Divulgação

Enquanto a cidade amanhece, ouvimos os áudios dos operadores de voo perdidos tentando localizar os aviões que saíram da rota.

Hoje, todo mundo sabe o que vai acontecer. A novidade de “11/09 - A Vida Sob Ataque” é trazer as perspectivas das pessoas comuns. Seus olhares variam entre a tragédia colossal das torres em chamas e a tragédia doméstica. O que fazer com o bebê quando os prédios desabam e as ruas estão cobertas de poeira? Como buscar o filho na escola? As pequenas decisões que salvam a vida da documentarista que saiu para registrar o calor das ruas. Essa costura de reações espontâneas é a força do filme.

O filme traz ainda o ponto de vista dos bombeiros. Eles verificavam um possível vazamento de gás nas redondezas do World Trade Center quando um ruído alto fez com que olhassem para cima. Era o primeiro avião, que voava baixo para atingir a torre. Incrédulos, os bombeiros saem em disparada e convocam todas as unidades. Diante daquela hecatombe imprevisível, como organizar um plano de resgate? Como controlar as chamas? Quem vai subir as escadas?

Do terraço de um prédio vizinho, o estudante Josh Good filma os rostos das pessoas que olham para o prédio em chamas pela primeira vez. Há papel picado voando por toda parte. Não sabem ainda se foi uma bomba ou um avião que provocou a explosão. Alguns ainda acreditam num acidente aéreo e, por isso, descartam um ataque terrorista.

Um dos momentos mais fortes são os áudios dos telefonemas das pessoas que estão presas na torre. Elas imploram pelo socorro imediato. A fumaça as impede de respirar. Uma mulher, desesperada, diz que está deitada no chão quase morrendo e pede para o interlocutor permanecer com ela na linha.

Apesar do péssimo título, “11/09 - A Vida Sob Ataque” é um filme feito por pessoas perplexas e que mantém essa perplexidade no espectador durante seus 85 minutos.

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