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Coleção Folha traz aulas do curso de filosofia de Michel Foucault em livro

Autor de 'Vigiar e Punir' e 'As Palavras e as Coisas' discutiu temas como a prisão e o trabalho nas salas do Collège de France

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São Paulo

O próximo volume da Coleção Folha Os Pensadores leva você diretamente à sala de aula de um intelectual inescapável da segunda metade do século 20. Com tradução de Ivone C. Benedetti, "A Sociedade Punitiva", do francês Michel Foucault, que viveu entre 1926 e 1984, é o nono volume da coleção.

Após a morte precoce do filósofo, em 1984, seus herdeiros tiraram do limbo um conjunto de textos que esclarecem, aprofundam e expandem teses expostas pelo intelectual francês nas obras que ele publicou em vida –como "As Palavras e as Coisas", "Arqueologia do Saber", "Vigiar e Punir", "Microfísica do Poder" e "História da Sexualidade", dentre outras.

O filósofo Michel Foucault em foto reproduzida na revista francesa 'Le Magazine Litterature' - Martine Franck/Magnum

"A prisão se tornou a forma geral de punição e substituiu o suplício: o corpo já não precisava ser marcado, mas sim educado e reeducado; seu tempo precisava ser medido e plenamente utilizado; suas forças precisavam ser continuamente aplicadas ao trabalho. A forma-prisão da penalidade corresponde à forma-salário do trabalho", afirma Foucalt em "A Sociedade Punitiva".

O livro é fruto do curso do pensador no Collège de France –estabelecimento de ensino e pesquisa parisiense existente desde 1530– em 1973. A partir de uma versão datilografada das aulas, de Jacqueline Germé, e do manuscrito preparatório do curso, o texto foi estabelecido por Bernard E. Harcourt, sob a direção de François Ewald e Alessandro Fontana.

Em nota introdutória à presente edição, Ewald e Fontana contam que "Michel Foucault ensinou no Collège de France de dezembro de 1970 a junho de 1984, ano de sua morte –com exceção de 1977, quando gozou de um ano sabático". O título de sua cadeira era "História dos Sistemas de Pensamento".

Eles explicam que "o ensino no Collège de France obedece a regras específicas. Os professores têm a obrigação de dar 26 horas de aulas por ano (metade das quais, no máximo, pode ser dada na forma de seminários). Eles devem expor cada ano uma pesquisa original, o que os obriga a sempre renovar o conteúdo do seu ensino". E mais: "A frequência às aulas e aos seminários é inteiramente livre, não requer inscrição nem diploma. E o professor também não fornece certificado algum. No vocabulário do Collège de France, se diz que os professores não têm alunos, mas ouvintes".

Ewald e Fontana relatam que "o curso de Michel Foucault era dado todas as quartas-feiras, do começo de janeiro ao fim de março. A assistência, numerosíssima, composta de estudantes, professores, pesquisadores e curiosos, muitos deles estrangeiros, mobilizava dois anfiteatros do Collège de France".

Mas o pensador não estava plenamente satisfeito: "Michel Foucault se queixou repetidas vezes da distância que podia haver entre ele e seu 'público' e do pouco intercâmbio que a forma do curso possibilitava. Sonhava com um seminário que desse ensejo a um verdadeiro trabalho coletivo, fez diferentes tentativas. Durante os últimos anos, no fim da aula, dedicava um bom tempo a responder às perguntas dos ouvintes".

Fontana e Ewald situam os cursos dentro da obra do intelectual: "Michel Foucault abordava suas aulas como pesquisador: explorações para um futuro livro, desbravamento também de campos de problematização, que se formulariam mais como convite lançado a eventuais pesquisadores".

Isso faz com que eles não sejam redundantes com relação ao resto de sua produção intelectual: "Por isso, os cursos do Collège de France não reiteram os livros publicados. Não são esboço destes, ainda que os temas possam ser comuns a livros e cursos. Eles têm seu próprio estatuto. Pertencem a um regime discursivo específico no conjunto dos 'atos filosóficos' realizados por Michel Foucault".

E, nisso, há uma inflexão na trajetória do pensador: "Neles desenvolve especificamente o programa de uma genealogia das relações saber/poder, em função do qual, a partir do início dos anos 1970, refletirá sobre seu trabalho –em oposição ao de uma arqueologia das formações discursivas que ele até então dominara".


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