Elza Soares entrevistou Linn da Quebrada, agora no 'BBB', para a Folha; lembre o papo

Na conversa realizada há cinco anos, a dona da 'voz do milênio' questionou cantora trans sobre influências e inseguranças

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São Paulo

Em 2017, a convite da da extinta revista Serafina, deste jornal, a cantora Elza Soares —morta nesta quinta-feira aos 91 anos—, recebeu Linn da Quebrada, cantora e atriz trans, em seu apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, para uma entrevista.

Na época, Linn se projetava da zona leste de São Paulo para todo o país e se preparava para lançar o primeiro álbum. Elza a questionou sobre influências, inseguranças e conselhos.

Hoje, Linn voltou ao debate ao entrar para a edição de 2022 do "Big Brother Brasil". Elza, inclusive, demonstrou a torcida para a cantora em sua última publicação no Twitter. "Minha Linn entrou no @bbb. Arrebenta, menina. Te amoooo", escreveu ela na rede social, no dia 14.

Leia a seguir a entrevista completa.

Em que você está trabalhando neste exato momento?
Estamos fazendo shows, viajando com a "gig" da Quebrada, trocando e formando redes de apoio e troca. E levantando a grana para realizar o meu primeiro disco, por meio de uma campanha de financiamento coletivo.

As cantoras Elza Soares e Linn da Quebrada durante ensaio para a revista Serafina, em 2017
As cantoras Elza Soares e Linn da Quebrada durante ensaio para a revista Serafina, em 2017 - Daryan Dornelle/Divulgação

Teve alguma música que a levou a querer ser artista? Qual, quando e por quê?
Não me lembro de nenhuma música específica. Mas perceber a música enquanto ferramenta de comunicação e veículo de informação foi fundamental para que criasse em mim a vontade de troca e de diálogo com outras pessoas. Perceber a música como possibilidade de memória.

Qual foi o momento em que você olhou no espelho e pensou 'sou cantora'?
Acho que até hoje esse momento não aconteceu. Nunca pensei que fosse cantora, antes da música eu já estava experimentando meu corpo em outras plataformas artísticas, como teatro, performance, cinema. Mas, quando eu percebi quanto a música podia acessar outras pessoas e que eu poderia usar isso como resposta, que o poderia usar para ter voz, então eu o fiz. Sem esperar necessariamente ser cantora. Mas estando cantora.

Tem algum momento em que olhe no espelho e pense 'não sou cantora'? Quando?
Já houve esse medo de fazer música por não me considerar cantora, por não ter uma voz que fosse considerada "bela", diante do padrão, do esperado. Mas atualmente tenho entendido o espaço que eu ocupo na música. Tenho entendido as várias possibilidades e funções que a música pode ter. E é através disso que compreendo que, no que faço, eu não sou a parte essencial. Sou canal, mas o que realmente importa é o que digo através da minha música e o elo que crio através dela e com quem.

Qual é seu conselho para alguém que quer ser cantor?
O que posso dizer é 'música para quê?'. Para quem? Lembre que música também tem um papel fundamental não só na reprodução do que vivemos, mas na produção dos nossos corpos, afetos, desejos. E com isso é também alvo de responsabilidade social. Pergunte 'música para quê?'. Para quem? E, no mais, faça. Experimente. Arrisque. Erre.

Qual foi o melhor conselho que recebeu quanto ao ofício?
Faça por você. Relembre o porquê de estar fazendo tudo isso.

Que palavra define sua relação com a arte hoje?
Memória.

Qual definia quando começou?
Corpo.

Se não fosse artista, seria o quê?
Não consigo imaginar minha vida sem a arte. Até porque, para mim, ser artista não tem necessariamente a ver com profissão. Mas é uma ação. É atitude. É criar sobre si mesma.

Uma música que todos deveriam ouvir?
"Ponta de Lança", do Rincon Sapiência.

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