Peter Bogdanovich, ícone da Nova Hollywood, morre aos 82 anos

Cineasta americano esteve por trás de 'A Última Sessão de Cinema' e 'Lua de Papel'

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São Paulo

O cineasta americano Peter Bogdanovich, de "A Última Sessão de Cinema" e "Lua de Papel", morreu de causas naturais em sua casa, em Los Angeles, aos 82 anos, confirmou a revista especializada Variety nesta quinta-feira (6).

Ícone da Nova Hollywood dos anos 1970, Bogdanovich também trabalhou como roteirista e ator, e cultivou uma carreira prolífica de seis décadas em Hollywood. Ele ainda estava na ativa e atualmente tinha uma comédia, "One Lucky Moon", em pré-produção.

Sua carreira como cineasta começou em 1968, com "Na Mira da Morte", após anos dedicados à academia e à crítica cinematográfica. A trama pôs o ícone do terror Boris Karloff no papel de um astro decadente que enfrenta um veterano da Guerra do Vietnã que, após um surto, se torna um atirador.

O diretor de cinema Peter Bogdanovich - Reprodução

Mas o sucesso veio mesmo três anos depois, com "A Última Sessão de Cinema", sobre dois rapazes numa cidadezinha do Texas que precisam lidar com a decadência cultural e econômica à sua volta, enquanto exploram sua juventude. O longa foi indicado a oito estatuetas do Oscar e venceu duas —ator e atriz coadjuvantes, para Ben Johnson e Cloris Leachman.

Foi com o filme de 1971 que Bogdanovich conseguiu suas duas únicas indicações ao Oscar, em melhor direção e melhor roteiro adaptado. Ele não venceu, mas criou um sucesso de crítica e público que alavancou sua carreira e gerou comparações a Orson Welles, seu grande ídolo.

Ao longo da década, ele recebeu carta branca para escolher os projetos que dirigiria, ajudando a renovar o cinema americano no movimento que mais tarde ficou conhecido como Nova Hollywood. Bogdanovich integrou, assim, uma geração de cineastas mais autorais, que transformou profundamente a indústria, da qual também fizeram parte Martin Scorsese, Steven Spielberg, Brian De Palma e Francis Ford Coppola.

Depois do sucesso de "A Última Sessão de Cinema", Bogdanovich dirigiu "Essa Pequena é uma Parada", protagonizado por uma Barbra Streisand que estava no auge de sua carreira. Em seguida, em 1973, ele levou às telas "Lua de Papel", ambientado na Grande Depressão, sobre a relação de um golpista que cuida de uma garota que pode ou não ser sua filha. O longa foi indicado a quatro estatuetas do Oscar.

Na sequência vieram "Daisy Miller", "Amor, Eterno Amor" e "No Mundo do Cinema", exibido no Festival de Berlim de 1977. Em Veneza, apresentou "O Tatuado" e "Muito Riso e Muita Alegria", que teve Audrey Hepburn no elenco. Mais recentemente, em 2018, ele voltou ao festival com uma homenagem a Buster Keaton, o documentário "The Great Buster", premiado na ocasião.

Já em Cannes ele exibiu "Marcas do Destino", de 1985, que garantiu um prêmio de melhor atriz à cantora Cher, protagonista da história sobre a relação de uma mãe com seu filho, que tem uma deformidade no crânio.

Bogdanovich continuou dirigindo para a telona até o início dos anos 1990, quando caiu em ostracismo e passou a se dedicar a filmes feitos para a TV e episódios de séries. Nos anos 2000, dirigiu ainda os longas "O Miado do Gato", de 2001, e "Um Amor a Cada Esquina", de 2014, além do documentário "Tom Petty and the Heartbreakers: Runnin' Down a Dream", pelo qual ganhou um Grammy.

Foi como ator que Bogdanovich esteve mais presente nas telas nos últimos anos. Seu trabalho mais marcante diante das câmeras provavelmente foi o do terapeuta Elliot Kupferberg, na série "Família Soprano". Ele também esteve no elenco de "O Outro Lado do Vento", filme-testamento de seu ídolo Orson Welles, e do terror "It - Capítulo 2".

Em sua última entrevista à Folha, em 2010, Bogdanovich falou de sua relação com outro cineasta icônico que o inspirou, John Ford, que ele dizia ter sido "o grande diretor americano". Ele chegou a homenageá-lo ainda no início da carreira, no documentário "Directed by John Ford".

"Surgiram bons cineastas nos anos 1960, como John Cassavetes, mas, no geral, o cinema não tem mais o vigor do passado. Não há mais poetas como John Ford. Não sei nos outros países, mas nos Estados Unidos o cinema está em declínio", disse ele em entrevista.

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