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De Brasileirinhas a HardBrazil, conheça as produtoras de pornô no país

Setor sofre paralisação após alta em casos de HIV; maior parte dos trabalhos é feito por casas menores

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Ricardo Feltrin Henrique Artuni
São Paulo

Segundo um levantamento do site PornHub, um dos maiores portais de vídeos pornográficos do mundo, em 2021, o Brasil é o décimo país que mais assiste a conteúdos do gênero. Mas o serviço —que assim como o site XVideos, reúne trabalhos profissionais e caseiros de todo o mundo—, nem sempre são aliadas da indústria pornô nacional que, aliás, está passando por uma paralisação após casos de HIV entre os atores.

As duas maiores produtoras de filmes eróticos do país são a Brasileirinhas e a Sexy Hot —a última, administrada pelo Grupo Globo e a Playboy Brasil.

A primeira somava 25 mil assinaturas em seu site há três anos, segundo uma reportagem da Folha publicada na época. Desde 2007, ela tem um modelo de negócios parecido com o da Netflix, em que o consumidor paga para ter acesso a filmes disponibilizados numa plataforma.

Com o domínio do digital, a Brasileirinhas interrompeu sua produção de DVDs —eles não saem desde 2013. Também pararam de vender conteúdo para canais a cabo. A maior parte dos acessos ao site da Brasileirinhas, entre 70% e 75%, é feito por meio de dispositivos móveis. A empresa afirmou ter visto as buscas diárias pela sua marca aumentarem em até 70% durante o período da quarentena.

Já a Sexy Hot —que existe como canal adulto da TV paga desde 1996 e estreou seu site em 2003— completou 2021 com cerca de 300 mil assinantes. A média de filmes brasileiros exclusivos, cerca de 25 por ano, ainda é menor que a da concorrente, com cerca de 50. Além disso, mais da metade de seus espectadores —55% em 2019— tinham idades entre 25 e 39 anos.

Mais recentemente, a Sexy Hot passou a dedicar mais atenção a produções originais voltadas para o público feminino, além de incluir diferentes etnias, gêneros e trazer materiais que atendam ao público LGBTQIA+.

A produtora é comandada por Cinthia Fajardo, primeira mulher a comandar canais adultos no país. Aliás, o Brasil é o sétimo país na proporção de visitantes mulheres, que representam 37% do público, segundo a estatística mais recente do PornHub.

Em abril de 2020, o CEO e sócio da Brasileirinhas, Clayton Nunes, criticou o PornHub por liberar a assinatura premium para usuários do mundo todo. Em reportagem de 2019, ele contou a este jornal ter funcionários que diariamente estão encontrando e removendo esses materiais de sites gratuitos.

Enquanto isso, casas menores do ramo nacional buscam vias de monetizar o conteúdo nesses portais. O mercado erótico nacional é composto por cerca de outras 15 produtoras que fazem mais de cem filmes por mês. A HardBrazil e a BM se destacam entre as de porte médio.

A HardBrazil, responsável por filmes como "Fábio Gump, o Comedor da História" e "As Revelações de Sandy", começou licenciando conteúdo para a TV, mas desde dezembro de 2019 monetiza obras no XVideos.

Em texto publicado em 2019 neste jornal, o fundador, Fabio Silva, afirmou que um filme para um canal fechado costuma sair em torno de R$ 5.000, com cessão de direitos por cinco anos. Uma cena simples, de menos de dez minutos, num site de streaming, pode render R$ 5.000 em um mês, se tiver visualizações.

O restante da produção nacional cabe a companhias minúsculas, além de atores e atrizes que produzem e estrelam seus próprios títulos, mesmo em qualidade mais caseira, postados no XVideos ou no Onlyfans —que abriga apenas para conteúdo adulto, mas permite a criadores ganharem dinheiro com assinaturas dos usuários.

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