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Oscar 2022: como cada indicado a melhor filme pode faturar o prêmio

Cardápio deste ano é eclético e inclui de faroestes a óperas espaciais

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Kyle Buchanan
The New York Times

Pela primeira vez em mais de uma década, o Oscar nos oferece dez indicados ao prêmio de melhor filme, e é uma coleção eclética de títulos que vão de óperas espaciais a faroestes psicológicos. Mas quais desses filmes estão em vantagem para levar a estatueta?

Em meu papel de projecionista residente, avaliei as 10 indicações. Algumas têm chance real de conquistar o prêmio de melhor filme, e outras podem se destacar em outras categorias caso os votantes estejam inclinados a dividir a riqueza. Enquanto isso, você tem semanas para assistir a todos esses filmes antes da cerimônia de entrega do Oscar, em 27 de março. Olhos na tela!

"Belfast"
Oscar mais provável: melhor filme.

Se a disputa por melhor filme ficar entre "Belfast" e "Ataque dos Cães", como muita gente antecipa, as indicações podem ter revelado alguns dos pontos fracos da comédia dramática em branco e preto dirigida por Kenneth Branagh. A saber: "Belfast" não recebeu indicações em outras categorias nas quais os ganhadores do prêmio de melhor filme costumam ser indicados, como edição e fotografia, enquanto "Ataque dos Cães" foi nomeado em ambas.

E, ainda que "Belfast" tenha conquistado duas indicações para seus atores, elas não contemplaram os protagonistas pelos quais o filme fez campanha, Caitriona Balfe e Jamie Dornan, e sim seus colegas mais velhos, Ciaran Hinds e Judi Dench, como coadjuvantes.

Ainda assim, nada disso pode importar, no final, se os eleitores de deixarem atrair pelos bons sentimentos de "Belfast", de preferência a histórias mais desafiadoras. Teremos nosso primeiro sinal de se "Belfast" tem chances de conquistar o Oscar de melhor filme na cerimônia do Sindicato dos Atores, em 27 de fevereiro —uma das raras premiações deste ano em que "Ataque dos Cães" não está na disputa; se "Belfast" vencer lá, e seguir essa vitória com nova premiação pelo Sindicato dos Produtores, em meados de março, o momento em que a votação final para o Oscar começa, o filme terá chance.

"No Ritmo do Coração"
Oscar mais provável: melhor ator coadjuvante.

A Apple conquistou sua primeira indicação ao Oscar de melhor filme com esse dramalhão sobre uma família de deficientes auditivos no qual uma das filhas escuta, e sonha se tornar cantora. Nada mal, depois que uma venda de direitos de distribuição por valor surpreendente no Festival Sundance um ano atrás foi seguida por um lançamento discreto no serviço de streaming, alguns meses atrás.

Indicações como essa (assim como a de Denzel Washington por "A Tragédia de Macbeth", outro filme produzido pela Apple), podem levar mais gente a abrir o app da Apple em suas noitadas de cinema, e se o filme ganhar ímpeto pode ser que Troy Kotsur –muito comovente como o pai rabugento de "No Ritmo do Coração"— salte na frente na disputa da categoria de melhor ator.

"Não Olhe Para Cima"
Oscar mais provável: melhor roteiro.

Há alguma coisa lá no alto, além de um cometa apavorante? Nos dias anteriores ao anúncio dos indicados ao Oscar, tanto Alison Willmore, crítica de cinema do site Vulture, quanto Sean Fennessey, que apresenta um podcast no site The Ringer, previram que "Não Olhe Para Cima" ficaria com o prêmio de melhor filme. Os palpites deles valem alguma coisa?

Inclino-me a não concordar tanto assim, porque a sátira ambiental do diretor e roteirista Adam McKay não conquistou outras indicações cruciais, como a de direção ou as de atuação, o que aponta que o filme pode ser um dos candidatos mais fracos na disputa. Mas continua a ser uma das produções originais mais vistas da Netflix em todos os tempos e, diferentemente de alguns dos dramas de época da lista, não terá de se esforçar muito para convencer os votantes de sua relevância para a nossa era.

"Drive My Car"
Oscar mais provável: melhor filme internacional.

Será que "Drive My Car" seguirá o caminho de "Parasita" e se tornará o próximo filme não falado em inglês a conquistar tanto o Oscar de melhor filme quanto o de melhor direção? É incrível que o drama de Ryusuke Hamaguchi sobre pesar e arte tenha chegado até onde chegou, porque, ao contrário de "Parasita", premiado com a Palma de Ouro em Cannes, o filme não abocanhou nenhum dos três prêmios principais em Cannes no ano passado, e teve de se contentar com um prêmio por melhor roteiro.

Mas o apoio significativo que o filme conquistou no final do ano da parte de críticos importantes ajudou "Drive My Car" a pegar carona na corrida do Oscar, com indicações a melhor filme, diretor, roteiro adaptado e melhor filme internacional. Hollywood não conhece Hamaguchi tão bem quanto veio a conhecer o realizador de "Parasita", Bong Joon Ho, naquela temporada de premiações pré-pandemia, e por isso o filme pode ter dificuldades para conquistar prêmios em múltiplas categorias, mas existe pelo menos uma categoria em que "Drive My Car" deve conquistar uma vitória fácil: filme internacional.

Cena do filme "Drive My Car", do cineasta japonês Ryusuke Hamaguchi
Cena do filme "Drive My Car", do cineasta japonês Ryusuke Hamaguchi - Divulgação

"Duna"
Oscar mais provável: efeitos visuais.

Olha, não é pouca coisa para um filme de ficção científica de orçamento gigantesco conquistar espaço na disputa pelo Oscar de melhor filme, e "Duna" recebeu um total de dez indicações, um dos apenas dois filmes que chegaram aos dois dígitos (ao lado de "Ataque dos Cães"). Também ajuda que, embora "Duna" tenha estreado simultaneamente na HBO Max e nas salas de cinema, ainda assim registrou o melhor desempenho de bilheteria entre os indicados a melhor filme, com quase US$ 400 milhões arrecadados em todo o mundo.

Mas a ausência de Denis Villeneuve na disputa pelo Oscar de melhor diretor foi um choque, tendo em vista que ele foi indicado ao prêmio do Sindicato dos Diretores e a recente tendência desse ramo da academia a indicar filmes tecnicamente audaciosos. Qualquer probabilidade de que "Duna" transforme essa esnobada em um Oscar de melhor filme, ao estilo de "Argo", será reduzida pelo anúncio de que o filme terá uma continuação. Pode ser que a academia esteja mais inclinada a ver de que maneira Villeneuve encerra a história.

"King Richard: Criando Campeãs"
Oscar mais provável: melhor ator.

Você sabia que o dia seria bom para "King Richard: Criando Campeãs" em termos de indicações quando a primeira categoria anunciada, a de melhor atriz coadjuvante, incluiu a fantástica Aunjanue Ellis, um dos destaques do filme. E não deu outra: esse drama inspirador sobre tênis conquistou um sólido total de seis indicações, entre as quais roteiro, edição e melhor canção, para "Be Alive", de Beyoncé.

Mas sejamos honestos: o filme gira em torno de Will Smith. Ele jamais conquistou um Oscar, mas seu desempenho carismático como pai das estrelas do tênis Venus e Serena Williams oferece ao ator de 53 anos a melhor oportunidade de chegar ao prêmio. A probabilidade de que caminhe tranquilamente para uma vitória no Oscar é alta.

"Licorice Pizza"
Oscar mais provável: Melhor roteiro original.

Qualquer indicado ao Oscar de melhor filme que também conquista indicações aos prêmios de melhor direção e roteiro deve estar fazendo alguma coisa de certo, mas fico surpreso por isso ser tudo que "Licorice Pizza" tenha conquistado. Filmes anteriores de Paul Thomas Anderson, como "Trama Fantasma", "Sangue Negro", "O Mestre" e "Boogie Nights – Prazer Sem Limites", valeram muitas indicações ao elenco, mas Alana Haim, a estrela de "Licorice Pizza", e seu estelar astro coadjuvante Bradley Cooper, não chegaram lá. E nas categorias técnicas o filme também não obteve reconhecimento.

Com oito indicações anteriores e zero vitórias, o roteirista e diretor Anderson é uma das figuras de Hollywood que mais merecem levar um Oscar para casa, mas ele precisará de um trabalho com apoio mais amplo se deseja levar o prêmio de melhor filme.

Alana Haim e Cooper Hoffman em imagem do filme "Licorice Pizza", de Paul Thomas Anderson
Alana Haim e Cooper Hoffman em imagem do filme "Licorice Pizza", de Paul Thomas Anderson - Divulgação

"O Beco do Pesadelo"
Oscar mais provável: Direção de arte

O filme anterior de Guillermo del Toro, "A Forma da Água", foi um dos mais indicados ao Oscar na história: com 13 nomeações, levou a estatueta de melhor filme. Seu novo trabalho, "O Beco do Pesadelo", refilmagem de um thriller noir, não obteve sucesso comparável, com apenas quatro indicações.

E embora "O Beco do Pesadelo" deva receber prêmios por sua deslumbrante direção de arte e fotografia, as chances de vitória na categoria melhor filme não pareciam boas depois do fracasso de bilheteria que o filme registrou em sua estreia no circuito comercial, com arrecadação de apenas US$ 10,8 milhões no mercado dos Estados Unidos. Que um drama depressivo como esse tenha entrado na disputa já deveria ser considerado como uma vitória.

"Ataque dos Cães"
Oscar mais provável: melhor direção

Quem poderia ter previsto que o filme com mais indicações não seria uma vistosa maravilha técnica como "Duna" ou "Amor Sublime Amor", mas sim o belo e contido "Ataque dos Cães"? O faroeste de Jane Campion se saiu ainda melhor do que o esperado na manhã do anúncio das indicações, conquistando todas as nomeações esperadas e mais algumas que estavam em dúvida, como a de melhor ator coadjuvante para Jesse Plemons, assim como nomeações por edição e direção de arte.

Com um total de 12 indicações e Campion fazendo história como primeira mulher a receber duas indicações como melhor diretora (a primeira foi por "O Piano", de 1993), "Ataque dos Cães" é o filme com mais ímpeto na reta final para o Oscar. A única questão é determinar se esse drama, que algumas pessoas consideram gélido, conseguirá uma dupla vitória como melhor direção e melhor filme, ou se Campion será premiada enquanto o prêmio de melhor filme vai para um trabalho mais convencional e que agrade mais o público.

"Amor Sublime Amor"
Oscar mais provável: melhor atriz coadjuvante.

Depois de assistir a "Amor Sublime Amor", de Steven Spielberg, no começo de dezembro, eu imaginei que o trabalho poderia seguir o caminho de seu predecessor em 1961 e conquistar o Oscar de melhor filme. Nem tanto. Ainda que tenha conseguido indicações cruciais naquela categoria e para Spielberg como diretor, apenas a atriz coadjuvante Ariana DeBose foi indicada, no elenco do filme —nada para a atriz principal, Rachel Zegler, para a revelação Mike Feist ou para a veterana estrela Rita Moreno. E a ausência de Tony Kushner entre os indicados ao Oscar de melhor roteiro adaptado sugere que "Amor Sublime Amor" não conseguiu sair da sombra imensa deixada pelo original.

Spielberg e Kushner terão mais uma oportunidade de Oscar com "The Fabelmans", um drama original que está para sair, mas, enquanto isso, embora eu acredite que "Amor Sublime Amor" deva perder em todas as categorias técnicas para "Duna", DeBose está bem posicionada para seguir os passos de Moreno e conquistar um Oscar como a feroz e angustiada Anita.

The New York Times, tradução de Paulo Migliacci

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