Descrição de chapéu Cinema

Oscar tem Hitchcock, Fellini e Glenn Close entre maiores perdedores; veja a lista

Diretor de som Greg P. Russell e compositora Diane Warren são os que amargaram mais indicações sem vitória

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Enquanto alguns estão invictos no Oscar, como Mahershala Ali e Christoph Waltz –com duas indicações e dois prêmios na mão cada um–, para outros a conquista da primeira estatueta é um processo longo.

Leonardo DiCaprio teve de comer fígado cru de bisão para ganhar o prêmio na quinta tentativa, e Al Pacino precisou emplacar duas indicações num único ano para finalmente ter o seu, 20 anos depois de concorrer pela primeira vez.

Na cerimônia deste ano, que acontece no próximo domingo, o diretor, roteirista e produtor Paul Thomas Anderson e a compositora Diane Warren têm a chance de finalmente levar seu primeiro prêmio após 11 e 12 indicações cada um.

Nenhum dos dois é favorito, mas estão em boa companhia na lista de artistas com múltiplas indicações e nenhuma vitória. Veja alguns dos principais nomes abaixo.

Greg P. Russell - 16 derrotas

No Olimpo daqueles que perderam o Oscar, Greg P. Russell reina supremo. Quando o sonoplasta e diretor de som americano disputou seu primeiro Oscar, Glenn Close já contabilizava cinco estatuetas perdidas.

Na edição que premiava os filmes de 1990, ele concorreu na categoria de melhor som com "Chuva Negra", de Ridley Scott, que perdeu para "Tempo de Glória".

No Oscar de 1999, Russell chegou a disputar a categoria com dois filmes –"Armageddon" e "A Máscara do Zorro"–, mas "O Resgate do Soldado Ryan" levou a melhor. Nos anos seguintes, concorreu com filmes de super-heróis ("Homem-Aranha"), de James Bond ("007 - Operação Skyfall") e dramas de época ("Memórias de uma Gueixa").

Hoje, Russell contabiliza 16 troféus perdidos. E quase foram 17 –ele teve de retirar seu nome da competição por "13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi" por ter ligado para colegas para fazer lobby, prática proibida pela Academia.

Diane Warren - 12 derrotas

Diane Warren é hoje a mulher que mais disputou o Oscar sem levar uma estatueta, mas tem a chance de deixar a lista ainda neste ano. Neste domingo, ela concorre pela 13ᵃ vez na categoria melhor canção original, com "Somehow You Do", do filme "Four Good Days" –com Glenn Close, a atriz que mais disputou o Oscar sem ganhar, no elenco.

Warren já concorreu em coautoria com Lady Gaga ("Til It Happens to You"), Laura Pausini ("Io Sì") e Common ("Stand Up for Something") e sozinha com hits como "I Don't Want to Miss a Thing", de "Armageddon".

Entre ela e a estatueta, porém, há grandes obstáculos –entre os concorrentes há nomes como Beyoncé, com "Be Alive", de "King Richard", e Billie Eilish, com "No Time to Die", de "007 - Sem Tempo para Morrer".

Federico Fellini - 12 derrotas

Os filmes de Federico Fellini foram um sucesso no Oscar. "A Estrada da Vida", "Noites de Cabíria", "Oito e Meio" e "Amarcord" ganharam o prêmio de melhor filme internacional, contribuindo para pôr a Itália no topo do ranking de países que mais levaram a estatueta. Quando se fala de prêmios individuais, contudo, a história é outra.

Fellini perdeu, ao todo, 12 troféus do Oscar. Como diretor, foram quatro –"Amarcord", "Oito e Meio", "A Doce Vida" e "Fellini – Satyricon". A isso se somam sete ocasiões em que não ganhou o Oscar de roteiro, seja original, seja adaptado.

Mas, como em outros casos de artistas que cansaram de ser madrinhas, mas nunca foram noivas, ele foi recompensado com um Oscar honorário no prêmio de 1993.

Paul Thomas Anderson - Oito derrotas

Como Diane Warren, Paul Thomas Anderson tem a oportunidade de deixar esta lista ainda neste ano. São três suas oportunidades –ele disputa as categorias de roteiro original, direção e filme com "Licorice Pizza".

Até hoje, o americano disputou oito troféus, nessas mesmas três categorias, com cinco filmes diferentes –"Boogie Nights: Prazer sem Limites", de 1997, "Magnólia", de 1999, "Sangue Negro", de 2007, "Vício Inerente", de 2014, e "Trama Fantasma" de 2017.

Glenn Close - Oito derrotas

Na 91ᵃ edição do Oscar, realizada em 2019, tudo indicava que finalmente havia chegado a vez de Glenn Close. Hollywood adora uma história de superação e, depois de perder seis vezes –três na categoria de atriz coadjuvante e três na categoria de melhor atriz–, era a hora dela.

Durante a temporada de premiações, Close ganhou o status de favorita pelo filme "A Esposa", levando para casa o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato de Atores e o Spirit Awards, o Oscar independente. Na grande noite, porém, a surpresa –Olivia Colman ficou com o troféu de melhor atriz por –pasme– "A Favorita".

Close não levou o prêmio, mas se isolou na liderança de atrizes que mais deixaram de ganhar o Oscar. Hoje com oito derrotas (somou outra no ano passado), está à frente de Amy Adams, Deborah Kerr e Thelma Ritter, com seis.

Peter O'Toole - Oito derrotas

Quando se considera atores e atrizes, Glenn Close divide o recorde com Peter O'Toole, morto em 2013, que também saiu de mãos abanando do Oscar oito vezes.

Sua história com o prêmio começou no 35° Oscar, realizado em 1963, quando disputou a categoria de melhor ator por "Lawrence da Arábia" e perdeu para Gregory Peck.

Nos anos seguintes, O'Toole enfileirou indicações, com mais três apenas naquela década. A estatueta, no entanto, não veio. Em 2002, quando já contabilizava sete perdas, sempre na categoria de melhor ator, ganhou um Oscar honorário por suas contribuições ao cinema. Ainda deu tempo para mais uma indicação —sem vitória— por "Vênus", de 2006.

Richard Burton - Sete derrotas

Richard Burton, morto em 1984, foi um dos atores mais conhecidos de sua geração. Foi casado duas vezes com Elizabeth Taylor, ganhou o Bafta, o Tony e o Globo de Ouro. Porém, apesar de ter sido indicado sete vezes, nunca ganhou um Oscar.

Concorreu pela primeira vez como coadjuvante, por "Eu Te Matarei, Querida!", de 1952, prêmio que ficou com Anthony Quinn, por "Viva Zapata!".

Disputou mais seis vezes, sempre como melhor ator, por filmes como "O Espião que Saiu do Frio", de 1965, e "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", de 1966, que rendeu um Oscar a Taylor, sua mulher no longa.

Amy Adams - Seis derrotas

Há duas trajetórias clássicas que levam um ator ao seu primeiro Oscar. A primeira delas é chegar com o status de estrela em ascensão, que arrebata Hollywood com o seu carisma. A segunda é ser esnobado tantas vezes que o prêmio chega para um trabalho até mais fraco, mas que vale para o conjunto da obra. Amy Adams já trilhou os dois caminhos.

Atrás apenas de Glenn Close como atriz com mais indicações e nenhuma vitória, Adams foi indicada pela primeira vez pelo filme "Retratos de Família", de 2005, produzido com menos de US$ 1 milhão. Em uma década, acumulou mais quatro indicações, seguidas por uma última em 2019, por "Vice".

Em 2020, Adams estrelou o que a revista Vanity Fair chamou de "isca sem vergonha pro Oscar", no qual ticava todas as caixas que costumam atrair a Academia –história real, papel de drogada, maquiagem pesada. Ela não chegou a concorrer ao prêmio, mas o filme rendeu mais uma indicação para Glenn Close.

Alfred Hitchcock - Cinco derrotas

Caso Paul Thomas Anderson saia triste no Oscar deste ano com uma possível terceira derrota na categoria de melhor diretor, pode se consolar pensando que Alfred Hitchcock perdeu cinco vezes.

A primeira vez foi com "Rebecca - A Mulher Inesquecível", de 1940, que levou o prêmio de melhor filme. A estatueta escapou em outras quatro oportunidades, com "Um Barco e Nove Destinos", de 1944, "Quando Fala o Coração", de 1945, "Janela Indiscreta", de 1954, e "Psicose", de 1960 –os dois últimos, inclusive, deixaram a premiação sem nada, numa prova de que nem sempre o filme mais memorável é o vencedor.

No Oscar de 1968, porém, Hitchcock ganhou o prêmio Irving G. Thalberg, distinção dada a produtores.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Leia tudo sobre o tema e siga:

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.