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Cinema

'Me Tira da Mira', filme com família de Fábio Jr., não traz surpresas

Produção, no entanto, é corajosa ao manter gênero meio policial, meio comédia, sem descambar para o escracho

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Me Tira da Mira

  • Onde Nos cinemas
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Cleo Pires, Fabio Jr., Fiuk, Vera Fischer
  • Produção Brasil, 2022
  • Direção Hsu Chien
  • Duração 87 minutos

À primeira vista, "Me Tira da Mira" poderia se passar por um reles veículo de promoção para os artistas da família Fábio Jr. Está lá o patriarca como Jorge, chefe e mentor policial do grupo. Está lá sua filha Cleo Pires, interpretando a policial Roberta, filha de Jorge. Está lá Fiuk, outro filho de Fábio Jr., meio-irmão de Cleo, e que faz o papel de Lucas, colega investigativo de Roberta.

Além de ter atuado como produtora-executiva, Cleo é a protagonista do filme. É a investigação que ela fez sobre o aparente suicídio de uma famosa atriz, interpretada por Vera Fischer, que dá o start para a trama de ação e comédia que se seguirá.

Cena do filme 'Me Tira da Mira' - Larissa Marques/Divulgação

Talvez a maior diversão do filme sejam os diálogos entre filha e pai —também na vida real—, quando o experiente Jorge tenta passar dicas de investigação para Roberta. "O que é que há? O que é que está se passando com essa cabeça?", pergunta Jorge. Depois ele explica que no mundo do crime, há sempre "caça e caçador".

Em outro momento, fala de "almas gêmeas" e conclui que o investigador Lucas —Fiuk—, bem poderia ser seu filho. São trechos de algumas das canções mais famosas da carreira de Fábio Jr. e que levam a plateia às gargalhadas.

Essa busca por citações e brincadeiras continua no filme. A personagem interpretada por Júlia Rabello, por exemplo, é uma artista cancelada que vai a uma clínica de realinhamento energético buscar equilíbrio. Ela tem problemas —quando joga o cabelo para a esquerda, "eu sou a Ruth, a gêmea doce, boa". Com os cabelos para a direita, ela é a temível Raquel.

Para quem não lembra, Ruth e Raquel eram as gêmeas interpretadas por Glória Pires na novela "Mulheres de Areia" em 1993, na Globo. E Glória, é claro, é ex-mulher de Fábio Jr. e mãe de Cleo Pires.

Na trama, tudo indica que a clínica de reabilitação seja a causa da morte da atriz. A turma, então, vai se disfarçar e se hospedar no lugar, passando por pacientes. Talvez o ponto baixo do filme seja sua conclusão, pois os vilões são claros, tudo se torna maniqueísta demais e não há grandes surpresas à espreita.

O filme não tem a pretensão –e nem o dinheiro— para seguir histórias de espionagem como as de Hollywood, com grandes efeitos especiais. Mas ele se mantém corajosamente em um gênero meio policial, meio comédia, sem descambar para o escracho, raro de se ver nas produções daqui.

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