Política não se faz em cima do palco, diz chefe do Rock in Rio Lisboa, Roberta Medina

Declaração da organizadora do evento não correspondeu ao que ocorreu no evento, que teve gritos de 'fora, Bolsonaro'

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Lisboa

Responsável pela edição portuguesa do Rock in Rio, a empresária Roberta Medina comentou o surgimento de manifestações políticas nos palcos de festivais de música.

"Eu acho que política se faz com conversa e não em cima do palco", disse Medina, em entrevista neste sábado. "No Rock in Rio, vemos os artistas explorando a oportunidade de dar cara para uma multidão, de reverberar para um país inteiro. É mais pela arte do que pela posição política, ninguém consegue fazer uma defesa política no palco."

Roberta usa camisa jeans e sorri para a foto
Empresária Roberta Medina, responsável pela edição portuguesa do Rock in Rio, sediada em Lisboa - Arquivo Pessoal

A exemplo do que ocorreu no Lolapalooza e na Virada Cultural de São Paulo, a edição deste ano do Rock in Rio Lisboa também foi marcada por declarações políticas por parte dos artistas brasileiros, que se manifestaram principalmente contra o presidente Jair Bolsonaro e as mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

No começo da tarde deste sábado, a banda paulista Francisco, El Hombre fez várias críticas ao presidente para a plateia, que exibia bandeiras estampadas com o rosto de Lula, candidato ao Planalto, e também contrárias ao atual governante.

Na apresentação da cantora Anitta, o tema apareceu quando seu balé repetiu o grito de "fora, Bolsonaro", o que também havia acontecido em seu show no festival Coachella, nos Estados Unidos. Em entrevista dada a jornalistas brasileiros e portugueses, a cantora ainda falou sobre a Amazônia.

"A Amazônia é o grande tesouro do nosso país, e as pessoas a tratam como nada. É inaceitável que esse lugar seja perigoso para as pessoas visitarem", disse, em referência ao assassinato de Dom Phillips e de Bruno Pereira, que teve grande repercussão internacional.

Outro artista a levantar essa bandeira foi Ney Matogrosso. Apesar de não ter evitado fazer manifestações verbais, o cantor exibiu vídeos de indígenas no telão do palco. O público puxou gritos contrários ao presidente em todas as apresentações de artistas do Brasil no último fim de semana de evento.

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