'Persépolis' relata em quadrinhos história real sobre o Irã

Livro é tema do próximo encontro do Clube de Leitura Folha, nesta terça (27)

Paulo Ramos

O próximo encontro do Clube de Leitura Folha acontece nesta terça (27), às 19h, na Livraria Blooks, do shopping Frei Caneca.

O clube se reúne sempre na última terça do mês, em diferentes livrarias de São Paulo. Os encontros são livres e gratuitos. O livro do mês de fevereiro é "Persépolis", de Marjane Satrapi, e a convidada é Alexandra Moraes, editora-adjunta de Especiais da Folha e autora da tirinha "O Pintinho".

Abaixo, uma análise de Paulo Ramos sobre a obra de Satrapi.


Quem não costuma ler quadrinhos talvez estranhe “Persépolis” (Companhia das Letras, 2007). Isso porque se trata de uma história real, direcionada ao leitor adulto. A obra é baseada na trajetória da própria autora, Marjane Satrapi, que a escreveu e desenhou. 

Percorreram esse caminho confessional obras como “Fun Home – Uma Tragicomédia em Família”, de Alison Bechdel (Conrad, 2007), e “Cicatrizes”, de David Small (Leya Cult, 2010). A primeira mostra a relação da autora com o pai, aliada à descoberta da preferência sexual dela por mulheres. A segunda relata o drama vivido pelo desenhista, vítima de um câncer no pescoço durante a infância.

Embora tenham ajudado a consolidar os relatos autobiográficos como um gênero dos quadrinhos, todos os livros (“Persépolis” inclusive) têm muito a creditar a “Maus – A História de um Sobrevivente” (Companhia das Letras, 2009) quanto à possibilidade de uso desse recurso de narrar. 

O autor, o quadrinista Art Spiegelman, usou a primeira pessoa para contar a história de vida de seu pai, um dos sobreviventes dos campos de concentração nazistas da Segunda Guerra Mundial. Publicada em capítulos entre a década de 1980 e o começo da seguinte, ganhou destaque ao ser reunida em livro, em duas partes, e vencer uma das categorias do Pulitzer, importante premiação do jornalismo nos Estados Unidos.

“Persépolis”, como se vê, não foi o primeiro trabalho de cunho autobiográfico a ser feito com quadrinhos. Mas ainda é um dos mais populares. A boa repercussão levou Marjane Satrapi a criar outros dois livros baseados em experiências pessoais. 

“Frango com Ameixas” (Quadrinhos na Cia, 2008) tem como foco um tio-avô. “Bordados” (Quadrinhos na Cia, 2010) aborda o relacionamento dela com outras mulheres da família. Nenhum dos dois trabalhos conquistou a mesma popularidade de “Persépolis”. 


Paulo Ramos é jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo. 

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