Da escravidão à ditadura, esquecimento é marca do Brasil, diz professora

Giselle Beiguelman discute no podcast a relação turbulenta do país com sua própria memória

Walter Porto

No episódio do podcast Ilustríssima Conversa desta semana, o repórter Walter Porto recebe Giselle Beiguelman para discutir a relação turbulenta do Brasil com a própria memória. 

Doutora em história social e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, ela fala sobre os "memoricídios" cometidos ao longo da nossa história, desde a colonização portuguesa e o apagamento de narrativas de índios e negros até a ditadura militar.

Beiguelman debate também as "injeções de botox urbano" que querem estancar o envelhecimento natural das nossas cidades e discute o modo como a inserção no ambiente digital afeta nossas lembranças coletivas.

Ela fala ainda sobre a disputa pelos monumentos históricos tidos como indecentes na cidade de São Paulo e o papel dos movimentos de estudantes em resgatá-los à vida pública.

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A professora e pesquisadora Giselle Beiguelman, que lança o livro "Memória da Amnésia" - Adriano Vizoni/Folhapress

A professora está lançando o livro "Memória da Amnésia - Políticas do Esquecimento" pelas Edições Sesc. O livro contém ensaios textuais e visuais sobre políticas de memória, baseados em projetos de pesquisa e de exposição pública desenvolvidos ao longo de décadas.

Algumas das imagens reunidas por Beiguelman em sua obra podem ser vistas abaixo.

Além do link acima, a Ilustríssima Conversa pode ser acessada nos principais sites e aplicativos de podcasts, como Stitcher e o Spotify, ou direto pelo app Podcasts, que já vem instalado em iPhones. O ouvinte pode se inscrever e assinar o podcast —sem qualquer custo—, passando assim a receber alertas quando novos episódios são publicados.

O podcast Ilustríssima Conversa entrevista, a cada duas semanas, intelectuais e autores de livros de não ficção para discutir suas obras e seus objetos de pesquisa.

Já participaram do programa a imortal da Academia Brasileira de Letras Nélida Piñon, que lança livro feito após um diagnóstico médico que lhe dava um ano de vida; o pastor progressista Henrique Vieira, que lançou "Amor como Revolução"; o antropólogo Luiz Eduardo Soares, que pesquisa segurança pública e estrutura das polícias; a psicanalista Maria Rita Kehl; o arquiteto e urbanista Guilherme Wisnik; a jornalista Cristina Serra, autora de livro sobre o desastre de Mariana; o cientista político Sérgio Abranches; a antropóloga Lilia Schwarcz; o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro; a economista Laura Carvalho, entre outros. 

Você encontra a lista completa de episódios do programa no índice do podcast Ilustríssima Conversa

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