Moradores lutam por nova vida após tragédias em Mariana e Brumadinho

Afetados por rompimento de barragens enfrentam a dor da perda e atrasos na reparação dos danos

casa aterrada

5.fev.2016 - Residência aterrada pela lama no distrito de Paracatu de Baixo (MG) Bruno Bernardi

Laura de Las Casas

[RESUMO] Atingidos por rompimentos de barragens em Mariana —maior desastre ambiental do país, que completa 4 anos— e Brumadinho —mais grave acidente trabalhista brasileiro— tentam reconstruir suas vidas em meio ao desalento causado pelas perdas e a atrasos na reparação dos danos. 

Era para ser uma tarde de segunda-feira normal nas rotinas de Mauro da Silva, 50, e de Marino D’Angelo, 52. Em um típico início de semana, o primeiro estaria atendendo aos clientes na oficina de carros em Mariana (MG), e o segundo, cuidando dos serviços do sítio onde vive e trabalha, localizado no distrito de Águas Claras (MG). Ambos, contudo, precisavam se arrumar para mais uma reunião no final da tarde, que tinha como tema uma audiência marcada para o dia seguinte. 

Desde o rompimento da barragem do Fundão, da mineradora Samarco (controlada pela Vale e pela BHP Brasil), Mauro e Marino, além de mecânico e lavrador, tornaram-se “atingidos” e tiveram suas vidas profundamente alteradas pela lama. Depois do episódio traumático, houve a necessidade de adaptação a outros modos de vida, e vieram também os compromissos semanais de negociação com a Fundação Renova —criada para coordenar e executar ações de amparo às vítimas e de reparos ambientais. 

Nesta terça-feira (5), completam-se quatro anos da tragédia no distrito de Bento Rodrigues, próximo a Mariana, que provocou 19 mortes e atingiu 39 cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Com o rompimento da barragem, quase 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério percorreram cerca de 22 quilômetros até o rio Doce e outros 55 quilômetros pelo rio Gualaxo do Norte até o rio do Carmo, no que se tornou o maior desastre ambiental do Brasil.

Os distritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira foram atingidos pela lama, parcial ou integralmente. A casa de Mauro, em Bento, e a chácara de Marino, em Paracatu de Cima, tiveram que ser deixadas para trás. Junto delas, as memórias daquelas comunidades cheias de histórias, onde havia horta no quintal, os vizinhos eram família e o tempo corria devagar.

“Só neste ano eu já tive 128 encontros relacionados às negociações dos nossos direitos. A Samarco não reconhece esse tempo útil como algo tirado de nós. Eu poderia estar consertando carro, estudando ou com a minha família, mas preciso ir a reuniões de articulação para um dia poder ver nossas vidas normalizadas”, desabafa Mauro.

Ele e Marino são membros das Comissões dos Atingidos de Bento Rodrigues e da Zona Rural, respectivamente, e participam de reuniões e audiências que discutem questões como os reassentamentos das comunidades afetadas, a valoração das compensações e a mensuração dos danos causados pelo desastre. 

Os últimos 12 meses reforçaram a impressão das vítimas de que estão presas a uma tragédia sem perspectiva de fim. Em janeiro, o rompimento de outra barragem da Vale matou quase 300 pessoas em Brumadinho (MG). Em março, mês limite para o reassentamento das famílias afetadas, a Justiça adiou o prazo para agosto de 2020. Em outubro, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas (Copam) concedeu à Samarco a última licença necessária para formalizar o retorno de suas atividades minerárias em Mariana. Até hoje ninguém foi responsabilizado pela tragédia. 

“A nossa vida fica em suspenso, porque nada é decidido, tudo tem que ser negociado. São quatro anos com uma série de acordos sem definição. Nós não estamos pedindo nada. Estamos só querendo o que é nosso: um reassentamento digno e o reconhecimento dos danos sofridos ao longo de todos esses anos”, explica Marino. 

A antropóloga e coordenadora do Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais da UFMG (Gesta), Andréa Zhouri, percebe um efeito perverso do prolongamento do desastre na vida das pessoas atingidas. “Por parte da Renova e da Samarco, acontece, de forma cada vez mais clara, um distanciamento da resolução desse conflito. Esse enrolar é conveniente, inclusive economicamente, para as empresas. A lógica que permeia o desastre e as medidas de reparação mistura a rentabilidade de negócios com as tecnologias sociais de controle e diminuição dos danos causados.” 

Para a pesquisadora, a demora na reparação dos danos e na indenizações das vítimas contribui para que não se possa mais relacionar certos acontecimentos ao desastre. 

“Quanto mais demoram a reparar, mais difícil fica comprovar a relação entre o derrame vivido por algum atingido com os traumas causados com todo esse processo, por exemplo. Mais difícil fica comprovar o tempo gasto por eles nas infinitas negociações. As empresas se negam a reconhecer esse tempo  porque elas ganham com ele. Afinal, se não se estabelecem esses vínculos, não existe o acordo”, explica.

Via assessoria, a Renova informa que o diálogo e a participação social são práticas norteadoras de suas ações junto às comunidades atingidas. Diz ainda que mais de 70 profissionais da saúde foram contratados para atender as populações de Mariana e Barra Longa.

A Fundação Renova foi criada em março de 2016, por meio de um Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado entre o governo federal, os governos estaduais do Espírito Santo e Minas Gerais, entidades governamentais como Ibama e ICMBio, além da Samarco e da BHP Brasil. Apesar de as empresas responsáveis pela barragem rompida estarem envolvidas no acordo, nenhuma pessoa atingida participou da assinatura do termo. 

Segundo a última prestação de contas divulgada pela Renova, até agosto deste ano haviam sido desembolsados R$ 6,68 bilhões em reparações e compensações, dinheiro vindo da Samarco e da BHP Brasil. Muitos dos atingidos, contudo, não reconhecem essa atuação.

“A Renova foi criada para assumir um crime cometido pelas mineradoras. As pessoas precisam entender que a Renova é a Samarco e a BHP, só que com outra cara. Ninguém que teve a vida afetada participou da construção da fundação. A violação dos nossos direitos já começa quando as próprias empresas que destruíram nossas comunidades tomam frente das decisões das vidas afetadas”, diz Marino.

No terreno escolhido para a construção do reassentamento de Bento Rodrigues, um mutirão de obras comandado pela Renova acontece desde julho deste ano, com maquinário de alta tecnologia e uma equipe de 1.400 profissionais da construção civil.

A área, de acordo com o especialista em projetos e obras da fundação, Alfredo Zanon, fica a 15 quilômetros do antigo distrito e foi escolhida pelos futuros moradores após a análise de 23 terrenos possíveis. “Eles colocaram uma série de requisitos, como distância mínima de Mariana, tipo de solo e disponibilidade de água. No dia dessa votação, 96% dos atingidos participaram.”

Quem caminha pelo extenso canteiro de obras pode ver a estrutura de uma grande escola e do posto de saúde, além das casas que começaram a ser levantadas. “Fazemos oficinas para que as decisões sejam tomadas de forma conjunta com os atingidos. E eles acompanham tudo. O resultado está sendo ótimo, porque o que percebemos aqui são pessoas que pararam de olhar para o passado, e agora conseguem olhar para o futuro, pensando em como será ter a casa delas de volta”, diz Zanon. 

A frente dos três reassentamentos em curso, a Renova garante que fará de tudo para entregar as obras concluídas até o final do ano que vem para as 225 famílias de Bento Rodrigues, as 140 de Paracatu de Baixo e as 37 de Gesteira.

O prazo estipulado pela Justiça é 27 de agosto de 2020, mas a fundação justifica que um possível atraso se deva à complexidade de um processo que envolve planejamento, conceitos urbanísticos, aprovação de projetos, adequação do terreno, desenho das casas e aprovações por parte da prefeitura. “Também precisamos desenvolver e validar legislações relacionadas às obras”, explica Zanon. 

Na espera pela casa nova, Mauro vive a angústia dos atrasos e relata uma negociação complexa e burocrática entre os atingidos e a Renova. “Temos lotes com problemas de declividade e de metragem e lotes em áreas de preservação permanente, por exemplo. Todos nós queremos as casas, mas queremos ser compensados se elas são entregues piores do que eram, porque sabemos da existência de diretrizes definindo a restituição para que seja feita melhor ou igual ao que era antes. Como se planta alface em um lugar com declividade? Muitos terrenos limitam o uso da terra e a possibilidade de outras construções futuras.” 

O mecânico ainda lamenta o fato de o novo distrito impedir a recuperação dos modos de vida da comunidade. “Bento Rodrigues tinha características rurais. As pessoas criavam animais em casa, tinham hortas e compartilhavam tudo entre a vizinhança. Agora teremos um lugar com características urbanas, com tudo feito de forma grandiosa e moderna.” De acordo com ele, um dos problemas do novo vilarejo é a dificuldade para irrigar o solo. “Como se planta uma horta, se criam animais sem uma captação de água adequada para isso? Do jeito que está sendo oferecido pra gente, será tão complexo que compensa mais ir a um mercado comprar as verduras e abrir mão da criação de animais. Quando se fala que não estamos mais presos ao passado, é porque ele nos foi tirado.”

Em Brumadinho, dor e euforia pós desastre

Desde fevereiro, em todo dia 25 acontece um ritual na entrada de Brumadinho, onde o letreiro com o nome da cidade guarda há nove meses as marcas do rompimento de outra barragem da Vale, da Mina Córrego do Feijão. 

Nos dias de homenagem, familiares e amigos montam um mural com fotografias das 270 vítimas, fazem a leitura de seus nomes e ocupam o céu com balões simbolizando as pessoas que morreram em 25 de janeiro deste ano, levadas pela lama. Os brancos representam as que já foram enterradas. Já os vermelhos indicam as 18 vítimas ainda não encontradas. 

Na blusa escolhida por Geraldo Resende, caminhoneiro de 61 anos, para relembrar a memória da filha Juliana, 33, estava estampada uma foto dela sorrindo enquanto carrega os filhos no colo. Ao lado da imagem, uma frase de saudade: “Juju você deixou de viver entre nós para viver em nós. Dói demais como você foi embora”. 

Geraldo havia acabado de participar da homenagem do mês de outubro e recebia ali os abraços de uma equipe de bombeiros e de outros moradores. São trocas de carinho, palavras de consolo e de coragem para um pai que ainda não conseguiu encontrar a filha entre os escombros de lama. “Como dormir e acordar sem saber onde ela está?” 

Com os olhos azuis marejados e tristes, ele contou ter parado de trabalhar como caminhoneiro desde que passou a viver o luto pela morte de Juliana. “Não tenho forças, porque fico pensando nela o tempo todo.” Diz não se importar com as indenizações por parte da Vale, empresa em que a filha trabalhava. “Eu só preciso dar para a minha Juju um enterro digno.”

Carregando a foto da irmã em um pingente em formato de coração agarrado ao pescoço, a professora Nathália de Oliveira, 47, vive os dias entre as salas de aula, a rotina de mãe e as reuniões semanais com o Corpo de Bombeiros. Há nove meses, a ausência de Lecilda de Oliveira, 39, toma conta de tudo, sensação intensificada pelo fato de ela ser outra das vítimas desaparecidas. Sempre atenta ao celular, a professora espera poder enterrar a irmã e fechar esse ciclo de dor e angústia. 

“Preciso estar 24 horas por dia disponível no celular, porque se acharem a minha irmã, o IML vai me ligar. Se não conseguirem falar comigo, vão ligar para minha mãe. E minha mãe já passou por coisa demais, ela não merece ter que viver mais essa ansiedade das burocracias para enterrar a própria filha”, desabafa. A família já providenciou o banner com a foto preferida de Lecilda para o dia do velório, vestindo o uniforme da Vale. “Ela amava trabalhar lá. Tinha o maior orgulho e fez amigos para uma vida toda. Grande parte deles morreu com ela”, relembra. 

Antes do desastre, Brumadinho era uma típica cidade do interior, com casinhas aconchegantes e alguns prédios espalhados. Com seus quase 40 mil habitantes, muita gente se reconhecia nas ruas. Na praça da rodoviária, o forró das sextas-feiras era ponto de encontro, e as pousadas tinham como principais hóspedes os visitantes do Instituto Inhotim, localizado na região. Todos sabiam dizer quem trabalhava na Vale, emprego considerado dos sonhos para muitos brumadinhenses. Da empresa vinha 60% da economia do município, de acordo com a prefeitura. 

Depois do rompimento da barragem, considerado o maior acidente trabalhista da história do Brasil, a dinâmica de Brumadinho mudou. As obras emergenciais conduzidas pela Vale atraíram diversas empresas terceirizadas, o que pode ser percebido pelo excesso de carros, caminhonetes e caminhões que circulam nas ruas empoeiradas. 

Os trabalhadores temporários não ocupam só as estradas e ruas, mas também as pousadas que permanecem lotadas durante praticamente todos os dias da semana. Além disso, o auxílio emergencial dado pela Vale a quem vivia na cidade na época do rompimento ou a até um quilômetro da calha do rio Paraopeba —desde Brumadinho até Pompéu— fez antigos moradores voltarem em busca do benefício. 

Desde março, adultos recebem um salário mínimo; adolescentes têm direito a metade dessa quantia e crianças, a um quarto. Segundo a Vale, o último levantamento, em outubro, registrou 108 mil pessoas recebendo o auxílio, previsto para ser pago por um ano. Com a medida, a prefeitura registrou, entre fevereiro e setembro, um aumento de 10% da população. 

O dinheiro das indenizações também movimenta a economia da cidade. De acordo com a Vale, mais de 700 indenizações cíveis já foram firmadas com famílias das comunidades atingidas, além de outros 500 acordos trabalhistas feitos com famílias de funcionários que morreram. A empresa informou que os valores pagos levam em consideração desastres semelhantes, como o de Mariana e outros ao redor do mundo. “Meu sobrinho recebeu R$ 700 mil pela morte da mãe dele. Eu não aceitei acordo nenhum até o momento. O que eles me devem não tem preço. É a vida dela”, pontua Nathália. 

Com a experiência de anos pesquisando o desastre de Mariana, a antropóloga Andréa Zhouri analisa a situação de Brumadinho como um evento catastrófico de longa história pela frente. “O desastre movimenta o mercado, não só no sentido estratégico, como a Vale vem fazendo em Brumadinho, de financiar uma quantia para as pessoas como forma de deixá-las mais quietas e até eufóricas. Isso tudo movimenta a economia e ameniza a crítica. É mais uma vez perverso.”

Córrego do Feijão, lugar marcado pelo silêncio

No início da tarde de um sábado, o silêncio predominava no bairro rural Córrego do Feijão, em Brumadinho, um dos lugares mais afetados pela lama tóxica do rompimento da barragem. As casas coloridas estavam de portas fechadas, e o único som em destaque vinha das obras no encanamento, na rua principal da comunidade. 

Praticamente ninguém caminhava nas ruas. Em uma das poucas casas com movimentação, a comerciante Andréia Vieira, 39, vendia picolés a R$ 1,50 para os pedreiros aliviarem o calor. O plano de vender sorvetes é antigo, ela conta. “Construí aqui em cima da minha casa uma lanchonete que funcionaria também como sorveteria. Ela seria inaugurada no início de fevereiro. Não deu tempo”, relembra. 

Andréia não perdeu nenhum parente próximo, mas se emociona ao lembrar das amigas de infância e dos vizinhos que morreram. Morando em uma casa espaçosa, com quintal e churrasqueira, diz não ver a hora de ir embora dali. “Não faz o menor sentido ficar aqui, revivendo esse dia que nos traz tanta dor. Estamos esperando um posicionamento da Vale para alugar uma outra casa longe daqui, mas eles ainda não deram retorno sobre a minha documentação.”

O impacto na vida de toda essa família foi grande: o marido, operador de máquinas, trabalhou no resgate das vítimas durante alguns meses, até desenvolver pânico das próprias máquinas e precisar abandonar o serviço. A filha do meio, de 15 anos, tentou suicídio quatro vezes desde o dia do desastre. 

“Todo mundo aqui em Córrego está vivendo na base de remédio antidepressivo. Na minha casa, a única que não toma é a minha caçula. Eu vou uma vez por semana a Belo Horizonte para fazer as consultas, porque a nossa situação aqui é de desespero”, diz. Segundo Andréia, depois de perder seu comércio e de ver o marido abandonando o emprego por motivos de saúde, o auxílio recebido como moradora de Brumadinho é a principal fonte de sustento da família.

Poucos dias após o rompimento, a Defesa Civil determinou a saída de centenas de famílias das comunidades de Córrego do Feijão, Vila Ferteco e Parque da Cachoeira de suas casas. A Vale levou esses moradores para hotéis e casas da região ou cidades próximas, onde permanecem até hoje. A empresa afirma que 99 famílias estão realocadas em hotéis, pousadas, casas alugadas e de parentes. 
O caso de Andréia é diferente. Por não ter tido sua casa atingida, ela aguarda outro tipo de negociação. De acordo com a empresa, todas as pessoas que procuram a Defensoria Pública de Minas Gerais ou os Escritórios de Indenização da Vale têm seus casos analisados, observando as peculiaridades das diferentes situações. 

Como a maioria dos moradores do povoado, o estudante de direito Jefferson Custódio também quer ir embora. Ainda abalado pela morte da avó (Diomar, 57), ele não consegue apagar da memória os 14 dias de aflição até saber que o corpo dela havia sido encontrado. “Eu vi o lugar onde eu moro se transformando em um campo de guerra. Durante diversos dias, vimos todos os nosso espaços ocupados pela Vale. A igreja, a associação, o campo, a quadra… Todos esses lugares foram usados para o resgate dos pedaços dos corpos dos nossos parentes. E isso causa uma dor na alma, no espírito. Para essa dor não há cura.”

Presidente da Associação de Moradores de Córrego do Feijão, ele articula junto à comunidade formas de amenizar os impactos dolorosos do dia 25 de janeiro.

“A Vale conseguiu tirar da gente a nossa raiz. O sentimento de pertencer a um lugar. O sentimento de ter pra onde voltar. Aqui, a gente vive uma perpetuação do dia 25 quando as decisões da Justiça são omissas ao poder da Vale, quando ela manda e desmanda em um território que é nosso, quando ela não respeita nossos direitos. Até mesmo o direito de ir embora daqui e reconstruir nossas vidas em outro lugar.” 


Laura de Las Casas é jornalista.

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