Bolsonaro comete crimes de responsabilidade em série, diz Rafael Mafei

Para professor da USP, evitar impeachment é perigoso e estimula presidente a sabotar eleições de 2022

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Como é possível que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nunca tenha se sentido ameaçado por um impeachment, apesar das inúmeras evidências de crimes de responsabilidade cometidos por ele, antes e durante a pandemia?

Essa é uma das questões abordadas no Ilustríssima Conversa desta semana por Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP e autor de “Como Remover um Presidente: Teoria, História e Prática do Impeachment no Brasil” (Zahar).

Para Mafei, Bolsonaro comete crimes de responsabilidade em série e não há dúvidas sobre a viabilidade jurídica de seu impeachment. No entanto, falta fechar a complicada equação política para colocar o processo em marcha, o que poderia acontecer com grandes manifestações de rua ou perda de apoio no Congresso, por exemplo.

O pesquisador argumenta que, por não ser responsabilizado, o presidente tem todos os estímulos para concretizar suas ameaças de sabotar as eleições de 2022 e que a aposta da oposição em enfrentar Bolsonaro nas urnas —em vez de defender seu impeachment antes— é, no mínimo, perigosa.

Retrato de Rafael Mafei, autor de 'Como Remover um Presidente: Teoria, História e Prática do Impeachment no Brasil' - Karime Xavier - 16.jun.21/Folhapress

Na conversa com o repórter Eduardo Sombini, Mafei também discutiu as condições jurídicas, políticas e sociais para afastar presidentes no Brasil, partindo das lições dos impeachments de Fernando Collor e Dilma Rousseff.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts, Spotify e Stitcher. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Kauê Lopes dos Santos, que debateu a economia política de Gana, Rosa Freire D’Aguiar, organizadora de coletânea de cartas de Celso Furtado, Fábio Kerche e Marjorie Marona, que fizeram um balanço dos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, Regina Facchini e Isadora Lins França, organizadoras de livro sobre direitos LGBTI+ no Brasil, Alessandra Devulsky, autora de livro sobre racismo e colorismo, Idelber Avelar, que discutiu a ascensão do bolsonarismo, Christian Dunker, psicanalista que reconstituiu a história da depressão, Lira Neto, que narrou a saga dos judeus sefarditas até o Recife, Roberto Simon, autor de livro sobre o apoio da ditadura brasileira ao golpe contra Allende, no Chile, Heloisa Buarque de Hollanda, que situou as principais tendências do pensamento feminista contemporâneo, Ilona Szabó, que discutiu as ameaças à democracia no Brasil, e Luiz Simas, que apontou os conflitos do Brasil institucional e da brasilidade, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast. O feed RSS é https://folha.libsyn.com/rss.

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