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04/01/2012 - 21h00

França desempregou alquimistas depois de conhecer papel-moeda

da Livraria da Folha
Texto baseado em informações fornecidas pela editora da obra.

Depois de conhecer a emissão de papel-moeda, sistema concebido por John Law (1671-1729), a França desempregou os alquimistas da corte. A história é contada por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, no prefácio do livro "Dinheiro e Magia" , escrito pelo economista Hans Christoph Binswanger.

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No volume, Binswanger levanta a hipótese de que a economia atual é uma forma moderna de alquimia. O autor compara o desejo dos alquimistas em transformar algum material sem valor em ouro aos anseios do mercado financeiro.

Publicado no Brasil pela editora Zahar, o título se inspira em "Fausto" , obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Leia um trecho do livro.

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Uma introdução à economia do Fausto de Goethe

Divulgação
Autor lança a hipótese de que a economia é a forma moderna de alquimia
Autor lança a hipótese de que a economia é a forma de alquimia

A história de Fausto, o homem que contratou um pacto com o demônio a fim de obter prazeres e poderes, o conhecimento absoluto ou uma experiência terrena apoteótica, teve centenas, talvez milhares de versões em todos os gêneros possíveis. Dentre todas se destaca a de Goethe, a mais famosa e festejada, um marco na literatura universal, quem sabe a mais complexa, a meio caminho entre o teatro, a poesia dramática experimental, a ópera e o "filme pesadelo". Obra monumental, escrita em diversas etapas ao longo de sessenta anos da vida do autor, Fausto raramente é lida, debatida e avaliada na íntegra. Na verdade, pouca gente sabe da existência de uma segunda parte da tragédia. Com o dobro do tamanho da primeira, foi publicada em 1833, somente após a morte do poeta. Está repleta de temas de economia e de política, pertinentes ao envolvimento de Fausto e Mefistófeles nos negócios e nas finanças de Estado, e em projetos de desenvolvimento econômico como os que Goethe testemunhou ou sonhou testemunhar em sua existência.

Esses enredos econômicos, contudo, misturam-se de forma estranha com uma "inundação de personagens, histórias e formas clássicas", no âmbito da qual a narrativa trafega com uma despudorada desenvoltura entre incidentes da era moderna e da Antiguidade, misturando empreendedores e caracteres mitológicos, em geral fora de seus papéis habituais e desafiando as interpretações. Por isso mesmo, a recepção dessa segunda parte ficou prejudicada, para não falar das imensas dificuldades em se levar o texto integral para os palcos, pois a obra "excedia todas as possibilidades do teatro físico". Uma encenação da obra inteira, realizada em 2000, por ocasião da Exposição Universal em Hanôver, durou quase 23 horas! A repercussão foi imensa, assim como o orçamento e a atenção despertada: a peça viajou e se tornou um happening cultural de amplas consequências, provocando nova onda de interesse por essa história, "não apenas como um documento vital da memória cultural do Ocidente, mas também pelo seu inigualável poder de profecia".

Na verdade, tratando-se dos temas econômicos, não há exagero algum nessa avaliação: a atualidade de alguns dos assuntos − como a inovação financeira, com destaque para o papel-moeda e seus abusos, ou os limites para as políticas públicas de desenvolvimento econômico, para ficar apenas nestes atesta firmemente a universalidade dessa obra tão pouco conhecida, mas ao mesmo tempo tão familiar aos dilemas brasileiros e contemporâneos no terreno da economia.

Entretanto, a despeito da centralidade da economia na segunda parte da tragédia, e da enorme produção acadêmica a propósito da obra em seu conjunto, não há muito material sobre os assuntos econômicos do Fausto fora do idioma original de Goethe. Notável exceção é este extraordinário livro de Hans Christoph Binswanger, originalmente publicado em 1985, mas cuja tradução para o inglês esteve disponível apenas em 1994. Dinheiro e magia chega à sua tradução para o português em 2011. Pequena e solitária joia de análise literária no sempre delicado terreno interdisciplinar, foi produzida por um economista com ampla experiência em temas de economia agrícola e do desenvolvimento, sobretudo no continente africano, fundador e diretor do Instituto para a Economia e a Ecologia e professor emérito da Universidade de Saint Gallen, na Suíça. A enorme familiaridade de Binswanger com a obra de Goethe, todavia, foi o que produziu a mágica da qual resultou o belíssimo texto que o leitor irá a seguir apreciar, e que ganhou destaque entre as monografias sobre a economia no Fausto de Goethe.

O uso de conceitos, linguagem e mitologia associados à alquimia para entender o papel dos processos econômicos na definição do que normalmente se conhece como era moderna, centro temático da segunda parte da tragédia, foi extremamente feliz no livro de Binswanger. Na época de Goethe, os soberanos ainda se cercavam de astrólogos e alquimistas para ajudá-los em algumas matérias de Estado. O drama de Fausto, em particular o da segunda parte da tragédia, se localiza exatamente no momento no qual se percebe que, mais fácil que transformar chumbo em ouro lançando mão de encantamentos e mesmo de reações químicas, era utilizar economistas profissionais versados na organização de bancos de emissão de papel-moeda de curso forçado, dotados de algum lastro de natureza imaginária. É apenas "alquimia por outros meios", como nos explicará Binswanger a seguir, com os mesmos objetivos e resultados infinitamente mais concretos quando se trata de criar valor a partir do nada; ou, mais precisamente, de se criar poder de compra para o Estado a partir de valores subjetivos e conceitos jurídicos chancelados pelo soberano. O duque de Orléans, regente da França depois da morte de Luís XIV, efetivamente desempregou os alquimistas da corte depois de conhecer e adotar o sistema de emissão de papel-moeda concebido por John Law, como nos contará em detalhes Binswanger.

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"Dinheiro e Magia"
Autor: Hans Christoph Binswanger
Editora: Zahar
Páginas: 214
Quanto: R$ 35,00 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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