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05/04/2012 - 11h30

Conheça a história da frase "Se não têm pão, que comam brioches"

da Livraria da Folha

Personagens históricos costumam serem lembrados especialmente por seus feitos. Em outros casos foram suas frases que, ao inspirarem multidões ou serem absurdas, que deixaram seus nomes marcados.

Em "A História do Mundo em 50 Frases" (Casa da Palavra, 2012), uma compilação de personalidades que definiram ou mudaram a época na qual viveram e as frases pelas quais são lembrados.

Pôncio Pilatos, Maquiavel, Marx, Martin Luther King, Hitler e até Bill Clinton e Saddam Hussein, mais recentemente.

Divulgação
Kirsten Dunst como Maria Antonieta em filme de 2006
Kirsten Dunst como Maria Antonieta em filme de 2006

Cada frase acompanha uma rápida biografia e contextualização para se entender o que realmente foi dito. Muitas vezes, estas se tornaram quase que ditos populares sem se saber seu real significado ou a razão pela qual foi dita.

É o caso de Maria Antonieta e a famosa "Se não têm pão, comam brioches". Símbolo da futilidade real enquanto o povo estava na miséria, hoje ela é questionada se realmente foi dita e até se foi pela rainha francesa.

Veja abaixo sua história:

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SE NÃO TÊM PÃO, COMAM BRIOCHES
Maria Antonieta (1755-1793)

Muito do que se contava sobre ela correspondia à verdade. Não era um anjo nem tinha um caráter especialmente bom. No entanto, o que a conduziu ao trágico final foram algumas mentiras grosseiras. Porém, quando do seu julgamento, nas horas mais amargas, Maria Antonieta impressionou os seus próprios inimigos com a sua força e dignidade.

Maria Antonieta, a filha mais nova da imperatriz Maria Teresa, não se caracterizava pelo seu calor humano, nem recebera uma educação que o fomentasse. De acordo com o lema "Deixa que os outros façam a guerra, tu, feliz Áustria, casa-te!", a pequena Maria Antonia Josephe Johanna, a quem todos chamavam simplesmente de Antoinette, havia traçado o caminho de uma vida cheia de poder e suntuosidade, a vida própria de um membro da casa dos Habsburgo. Apareceu-lhe o marido adequado quando a França pretendeu consolidar a sua ainda jovem aliança com a Áustria, e o poderoso ministro francês Choiseul, antigo protegido de Madame Pompadour, sugeriu que o jovem delfim e mais tarde Luís XVI se casasse com uma filha da casa real austríaca.

Quando a consorte foi eleita, então com apenas 14 anos de idade, a corte austríaca assumiu que até então se havia descuidado da educação da futura rainha da França e senhora de Versalhes. Com um curso intensivo tentaram eliminar-se as carências, pois, afinal, Versalhes era o modelo da cerimônia e da etiquetadas cortes da Europa. No entanto, algumas lacunas permaneceram. Antonieta, bela e caprichosa, era atrevida, superficial e distraída. Só a música conseguia atrair, por vezes, a sua atenção. Numa determinada ocasião até tocou com o pequeno Mozart.

(...)

A situação irrompeu em 14 de julho de 1789, quando o povo de Paris apoiou, nas ruas, os seus representantes e assaltou a fortaleza da Bastilha, símbolo do absolutismo monárquico, mas também ponto estratégico do plano de repressão de Luís XVI, pois os seus canhões estavam apontados para os bairros operários. Depois de quatro horas de combate, os insurgentes tomaram a prisão e mataram o seu governador, o marquês Bernard de Launay, cuja cabeça foi mostrada por toda a cidade. A Revolução Francesa havia começado.

Entretanto, Maria Antonieta tentou convencer o marido a fugir com a família para Metz, onde havia tropas reais, mas o rei negou-se a fugir. Quando, nas semanas seguintes, o rei resistiu um e outra vez a abolir oficialmente os direitos feudais, o povo suspeitou de que por detrás da teimosia do soberano estava a sua mulher, pelo que L'Autrichienne tornou-se objeto principal do ódio popular. Então uma anedota que exemplificava a sua altivez cínica e desarmante espalhou-se com a rapidez de um raio. Maria Antonieta, dizia-se perguntou durante um passeio que deu com seu cocheiro, por que razão toda aquela gente parecia tão desgraçada. "Majestade, não há pão para comer." (As más colheitas de 1789 haviam feito com que o preço do pão aumentasse de forma vertiginosa.) Ao que Maria Antonieta respondeu: "Se não têm pão, que comam brioches".

O mais provável é que Maria Antonieta nunca tenha dito semelhantes palavras. O mais provável é que alguém as tenha extraído das Confissões do filósofo Jean-Jacques Rousseau, o escritor com maior sucesso na época da revolução. Neste livro, escrito entre 1766 e 1770, Rousseau menciona que uma princesa, da qual não menciona o nome, pronunciou essas palavras quando viu o povo faminto. Alguns opinam que tais palavras foram pronunciadas quase cem anos antes, por Maria Teresa da Espanha (1638-1683), a esposa de Luís XIV. No momento em que Rousseau escreveu este episódio, Maria Antonieta ainda era uma menina e vivia na Áustria. Não obstante, na França de 1789, todos pensavam que este comentário cínico só podia ter saído da boca de Maria Antonieta. Por todo o país a rainha foi insultada em panfletos e obras de teatro, chegando mesmo a dizer-se que mantinha relações incestuosas com o filho.

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A Historia do Mundo em 50 Frases
Autor: Helge Hesse
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 280
Quanto: R$ 33,90 (preço promocional*)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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