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28/11/2012 - 14h30

Ex-presidente do Banco Central escreve 'As Leis Secretas da Economia'

da Livraria da Folha

Divulgação
É verdade que a economia brasileira não obedece a nenhuma das leis conhecidas?
A economia brasileira não obedece a nenhuma das leis conhecidas?

Escrito por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, um dos mentores do Plano Real e professor no departamento de economia da PUC-Rio desde 1986, investiga as políticas financeiras do Brasil para tentar responder se a economia brasileira não obedece a nenhuma lei conhecida no livro "As Leis Secretas da Economia".

O autor analisa a singularidade do país inspirado por teorias de Roberto Campos e Alexandre Kafka, dois mestres do pensamento econômico brasileiro, e personalidades como Maquiavel e Machado de Assis.

Franco também já usou a literatura como inspiração para a análise econômica. Ele é autor de "A Economia em Machado de Assis", "A Economia em Pessoa" e "Shakespeare e a Economia" e assina o prefácio de "Dinheiro e Magia", livro inspirado em "Fausto", obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

Abaixo, leia um trecho do livro.

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PREFÁCIO

A sabedoria que vem do paradoxo

A ironia irrita. Não porque ela zombe ou ataque, mas porque nos priva de certezas, desvendando o mundo como ambiguidade.
Milan Kundera, A arte do romance

A ideia deste pequeno livro remonta a uma colaboração entre duas figuras estelares do nosso pensamento econômico, Alexandre Kafka e Roberto Campos, que se consumou através de um texto perdido, de 1961, mas nunca desaparecido, de tão bem achado. Esse texto introduzia a intrigante hipótese segundo a qual "a economia brasileira não obedecia a nenhuma das leis conhecidas" e que, portanto, caberia investigar "as normas secretas de seu funcionamento".

Campos e Kafka não tencionavam colher mais jabuticabas na frondosa árvore de onde brotam as "teorias alternativas" sobre o Brasil, nem trazer novas revelações sobre a nossa curiosa e sempre surpreendente "identidade nacional". Estavam mesmo era exercitando outra arte, que Machado de Assis definiu como "o pudor da razão diante da vida", e assim compuseram, exatamente como Brás Cubas ao contar sua história, uma "obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais que passatempo e menos do que apostolado".

Com esses termos de referência, foram exatamente dez as leis que saíram publicadas em Uma reformulação das leis do Kafka, na edição de março de 1961 da revista Senhor, posteriormente republicadas em A técnica e o riso, em 1966. O Kafka aqui, na maior parte do tempo, é Alexandre, nosso eterno representante no FMI (Fundo Monetário Internacional), mas a sombra de Franz, quem sabe seu primo distante, como alegremente admitia, nunca está inteiramente ausente.

Campos lembra que sua colaboração com Kafka começou quando trabalharam juntos no gabinete de Eugênio Gudin, ministro da Fazenda entre agosto de 1954 e abril de 1955, durante a curta presidência de Café Filho. "Ficamos os dois conhecidos como 'os homens do biombo'", conta Kafka, pois davam expediente na antessala do ministro: "Um jornal comunista dizia que eu tinha de me esconder atrás de um biombo de aço", ele brincava. Posteriormente, já separados em diferentes empregos e continentes, conforme relata Campos, mantiveram "assídua correspondência" na qual prosseguiram "ininterruptamente na formulação de leis interpretativas do comportamento econômico e social latino-americano". Talvez por isso o texto, mesmo em sua primeira aparição, já fosse uma "reformulação".

A técnica e o riso teve três edições, a última em 1976, e, ao que tudo indica, Campos não retornou ao tema antes de 1985, em um artigo sobre a reserva de mercado para os bens de informática, a qual parece ter concentrado essências venenosas em quantidade suficiente para trazê-lo de volta à busca por leis oblíquas que pudessem explicar o inexplicável. Se, por um lado, reconhecia que alguns dos enunciados originais não haviam sobrevivido bem à passagem do tempo - como a quinta lei, pela qual ficava estabelecido que o número de ditadores na América Latina era constante, apenas variando sua localização -, argumentava, por outro, que continuava verdadeiro que o grau de burrice econômica se mantinha constante no continente, mudando apenas de sede. O enunciado específico dessa "undécima" lei, que veremos incluída na coletânea adiante, trata de protecionismo e eficiência competitiva, conceitos que a experiência com a lei de informática sacudiu ao limite. Em apenas duas outras ocasiões Campos acrescentaria material às leis do Kafka: em outubro de 1995, em um artigo denominado "Saudades de Merquior" (onde formularia onze leis sobre o comportamento sociopolítico, às quais retornaria em dezembro de 1999, quando as estendeu para dezesseis), e em setembro de 1997, em outro texto, intitulado "Síndrome da ameaça inexistente", no qual acrescentaria duas novas leis econômicas à série, que designou como Vingança dos Liberais.

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"As Leis Secretas da Economia"
Autor: Gustavo Franco
Editora: Zahar
Páginas: 216
Quanto: R$ 33,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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