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08/10/2010 - 15h12

Festa literária alternativa à Flip completa 5 anos; leia entrevista com curadora

PAULA DUME
colaboração para a Livraria da Folha

A 5ª Flap --evento literário gratuito que surgiu como alternativa à Flip (Festa Literária Internacional de Paraty)--, teve início na última quinta-feira (7) e irá até o dia 11 de outubro, na capital paulista. Neste ano, a festa contará com debates por meio de chat e ocorrerá, principalmente, em dois saraus da cidade --Sarau da Vila Fundão (r. Glenn s/n, próximo ao metrô Capão Redondo) e Sarau do Binho (r. Dr. Avelino Lemos Jr., 60, Campo Limpo).

Rodrigo Petronio/Divulgação
Maiara é uma das organizadoras e curadoras da Flap, festa alternativa
Maiara é uma das organizadoras e curadoras da Flap, festa alternativa

"É a primeira vez que não haverá um debate presencial em lugares centrais, mas apenas em um bairro afastado do centro [de São Paulo]", explica Maiara Gouveia, uma das organizadoras e curadoras da Flap, em entrevista à Livraria da Folha.

Por ser uma edição comemorativa, as palestras revisitarão os temas discutidos nos anos anteriores. Em 2010, o evento ocupa cada metro quadrado dos saraus da Vila Fundão e do Binho, um dos mais tradicionais. Haverá também o Sarau na Web, no qual serão publicados textos e vídeos do evento.

Segundo Maiara, a Flap manterá a flexibilidade em vários níveis, não só no que diz respeito aos lugares onde as palestras serão realizadas, mas em seu próprio cerne.

"Não atrelar um festival que se pretende independente a nenhuma forma de instituição, a nenhum grupo em particular", esclarece.

Para mais informações sobre a programação completa e a lista dos escritores que participarão da Flap 2010, acesse o site.

Leia abaixo a íntegra da conversa.

*

Livraria da Folha - Como ocorreu a escolha dos lugares das palestras para esta edição da Flap? São predominantemente em saraus, não?
Maiara Gouveia - Pensamos em radicalizar ainda mais a proposta de um festival alternativo. No mês de março, a Cristina Nolli, que trabalha na Poeisis e é responsável por mapear os saraus da cidade de São Paulo, e o Fernando Ferrari de Souza, coordenador do Sarau Vila Fundão, manifestaram o interesse de realizar algo conosco, um intercâmbio. Para nós, foi um prazer, pois a ideia de ocupar espaços diferentes e deslocar a Flap para os mais diversos ambientes casa-se com o conceito fundamental de discutir e viver literatura com um público mais amplo. Mas, na verdade, a Flap 2010 será predominantemente virtual. Decidimos que era o momento de tomar conta desse novo lugar.

Livraria da Folha - Há quanto tempo você organiza a Flap?
Maiara - Participei de três edições da Flap, como autora convidada para leituras em 2006, 2007 e 2008. Em 2008, a Flap se internacionalizou e era necessário contar com uma equipe maior. Ana Rüsche, escritora e organizadora do evento até aquele ano, me convidou para fazer parte dos bastidores. Foi muito gratificante conseguir a parceria com o Cursinho da Poli de Itaquera, por exemplo, e ver o contato entre poetas de diversas partes da América Latina com estudantes de diversas partes do Estado de São Paulo. Curiosamente, naquele período, estive ao lado do Rafael Daud no contato com os autores. Este ano, conduzimos juntos essa festa. Porém, desde 2005, muitos se empenham para manter a vitalidade do festival. Se hoje, somos em menor número, nosso trabalho só é viável pela existência dessas pessoas interessantes e interessadas.

Livraria da Folha - Quais são as expectativas para a quinta edição do evento?
Maiara - Este ano, arriscamos bastante. É a primeira vez que faremos debates da Flap por meio de chat, é a primeira vez que não haverá um debate presencial em lugares centrais, mas apenas em um bairro afastado do centro. Nossa expectativa é demonstrar que os debates literários e a poesia devem ser, também, um lugar de encontro das divergências, de formas estéticas diferenciadas, de gerações de escritores, de classes sociais e vozes de todos os cantos. É deixar claro que os festivais de literatura devem servir para aproximar autores e leitores. Devem permitir diálogos entre escritores conhecidos e anônimos --enfim, devem ser, de fato, um panorama da literatura em cena.

Livraria da Folha - Vocês têm dados de público dos anos anteriores?
Maiara - É muito difícil levantar esses dados, pois fomos a tantos lugares e houve variação tão grande de público em cada um deles. Sabemos, no entanto, que o espaço para esse público é certamente maior do que aquele que se dá na maior parte dos festivais.

Livraria da Folha - Nos últimos dois anos, a Flap saiu da pça. Roosevelt e se deslocou para outros lugares. A que se deve esse deslocamento? Tem algum motivo em especial?
Maiara - A ideia é buscar sempre novos horizontes. Essa mobilidade permite que a Flap não se estratifique. Pretendemos manter a flexibilidade em vários níveis --não atrelar um festival que se pretende independente a nenhuma forma de instituição, a nenhum grupo em particular. É isso: ser abrangente esteticamente, eticamente --resistir e expandir a proposta inicial de evidenciar a literatura produzida hoje.

 
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