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21/05/2013 - 15h00

'Novos Tempos' explica a incidência de tornados no Brasil

da Livraria da Folha

Em "Novos Tempos", a jornalista Ana Lucia Azevedo, editora de ciência e meio ambiente de "O Globo", relata e explica os motivos de catástrofes naturais se tornarem cada vez mais frequentes no Brasil. Para entender os fenômenos naturais, a autora falou com cientistas, pescadores e diversas pessoas que estão ligadas ao tempo e seus elementos.

Abaixo, leia um trecho do exemplar.

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Divulgação
Tempestades, ventos, nuvens e furacões fazem parte da rotina brasileira
Tempestades, ventos e nuvens fazem parte da rotina brasileira

Prefácio

"Totó, acho que não estamos mais no Kansas. Devemos estar além do arco-íris."
Dorothy para seu cachorrinho Totó, O mágico de Oz, 1939

Nunca se viram tantos tornados no Brasil. Em poucas décadas, eles passaram de fabulosos monstros distantes a assombrações frequentes, ao vivo e em cores, bem perto de você. Tempestades aumentaram em número e intensidade nas últimas décadas. Mas só isso não explica a multiplicação por dez dos registros de tornados em uma década. Dos Pampas ao meio do rio Amazonas, de Uberlândia a Nova Iguaçu, o céu parece não se cansar de enviá-los. Seriam a face mais evidente do aquecimento global? Em parte pode ser. Mas não apenas. Tornados agora são fenômenos sociais. Eles sempre existiram. O que não havia era gente para ver.

Há mais gente. Pessoas em toda parte, munidas de câmeras de celulares para filmá-los, fotografá-los e mostrá-los a quem quiser ver. Há o YouTube, por onde um tornado na pequenina cidade gaúcha de Triunfo em instantes chega a cada canto do mundo. As redes de TV estão por todo lado, prontas para exibir Brasil afora imagens de tornados.

Tornados são a mais extrema, violenta e magnífica manifestação do grande oceano de ar em que vivemos. Quando eu era menina, pensava-se que eles não existiam no Brasil. Impossível esquecer a primeira vez que vi um, numa das muitas reapresentações de O mágico de Oz, exibidas pela TV, na casa da minha avó, num dia perdido dos anos 70. Eu quis imediatamente ser Dorothy e viajar no tornado para além do arco-íris. Com o tempo, descobri que não é exatamente para além do arco-íris que eles o podem levar. Mas continuei fascinada por tornados, tempestades, raios e vendavais.

Tornados são também o exemplo mais evidente de como o clima e o tempo se tornaram parte determinante de nossas vidas. Embora nem sempre percebamos isso. Na época em que os tornados só chegavam ao Brasil trazidos pela magia de Oz, falar do tempo era sinal de falta de assunto, ou servia para quebrar aqueles momentos constrangedores que passamos com estranhos no elevador ou na antessala do dentista. Não mais. O tempo governa nossas vidas. Determina se chegaremos na hora para uma reunião de trabalho, se nosso avião decolará. Se o calor e a umidade nos adoecerão ou nos levarão para a praia. Influencia o tamanho do engarrafamento, o preço da comida e a oferta de eletricidade.

Os efeitos podem ser ainda mais dramáticos. Tempestades deixam cidades em choque, arrasam plantações, levam vidas. Em nosso mundo superpovoado, de tantas multidões, o clima e o tempo não podem mais ser ignorados. Nossa sociedade tão moderna e dependente de tecnologia é paralisada quando um raio derruba uma rede de transmissão e corta a eletricidade. Em instantes viajamos da modernidade à pré história, sem escalas. No fim do túnel do tempo, chegamos indefesos, sem telefone fixo nem celular, no escuro e desorientados. A sociedade ultratecnológica é refém da vulnerabilidade que ela própria fabricou. Munidos de smartphones, tablets e aplicativos, nos sentimos espertos e poderosos. Mas a verdade é que continuamos tão incapazes quanto nossos antepassados de parar o curso de um raio, de fazer cessar tormentas ou calar o vento.

A natureza não se vinga de nós quando chuvas torrenciais fazem 2 mil encostas virem abaixo de uma só vez numa madrugada de verão. Não está com raiva quando enchentes arrastam casas e matam crianças. A natureza simplesmente segue seu curso. Se a humanidade transformar o planeta a ponto de se autoextinguir, a Terra continuará a existir.

Tempo e clima me fascinam desde menina. Mas foram os mais de vinte anos de carreira como jornalista de ciência e meio ambiente que me mostraram claramente como é importante compreender a natureza à nossa volta. É uma questão de qualidade de vida, um exercício de cidadania. Não existe nada inventado pelo ser humano que supere o poder da natureza, mas podemos nos adaptar, evitar riscos, encontrar soluções.

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"Novos Tempos"
Autor: Ana Lucia Azevedo
Editora: Zahar
Páginas: 304
Quanto: R$ 35,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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