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05/06/2013 - 11h11

'Os Limites do Possível' questiona relação entre crescimento e bem-estar

da Livraria da Folha

Divulgação
Autor questiona alguns dos principais axiomas da teoria econômica
Autor questiona alguns dos axiomas da teoria econômica

Em "Os Limites do Possível: A Economia Além da Conjuntura", o economista André Lara Resende questiona alguns dos princípios da teoria econômica que não parecem se enquadrar nas necessidades do século 21.

Analistas debatem a desindustrialização do Brasil

O autor discute o argumento de que o crescimento econômico está sempre acompanhado do bem-estar da população, investiga os motivos e as sequelas de crises financeiras cíclicas e analisa temas dos quais é especialista: taxas de juros e inflação.

Resende é doutor em economia pelo MIT, foi professor da PUC-RJ e idealizador do Plano Real.

Abaixo, leia um trecho do livro. O texto foi publicado originalmente no jornal "Valor Econômico", em 28 de janeiro de 2011, com o título "Desigualdade e bem-estar".

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1. O desafio de nosso tempo

O CRESCIMENTO SEMPRE FOI o objetivo da política econômica. A teoria associa o crescimento ao aumento da renda e do bem-estar.

Até muito recentemente, utilizar o crescimento como o objetivo primordial de uma economia bem administrada não merecia maiores explicações. O aumento da renda nacional estava de tal forma associado a uma vida melhor que não era preciso introduzir indicadores de bem-estar entre os objetivos da política econômica. Se a economia crescesse e a renda aumentasse, todos os demais indicadores de bem-estar as acompanhariam. Tão alta era a correlação entre o crescimento e o aumento de bem-estar que não se perdia grande coisa ao simplificar a analise e definir o crescimento como o objetivo da política econômica. Como crescimento econômico é um conceito simples e as estatísticas da renda nacional estão disponíveis, é uma grande vantagem, tanto teórica como empírica, utilizá-lo como a variável-objetivo da teoria e da política econômica.

Diante da evidência de que o dano da atividade econômica sobre o planeta se aproxima do limite do tolerável, a identificação do crescimento econômico com o aumento do bem-estar tornou-se obrigatoriamente questionável. Não será possível continuar a crescer no ritmo atual da economia mundial sem tornar a vida na Terra, da forma como se vive hoje, intolerável.

Transformar a preservação ambiental num objetivo em si, como tão frequentemente se vê, entre grupos mais aguerridos de críticos do crescimento econômico, não é uma resposta aceitável. O desafio de continuar a elevar a qualidade de vida, o bem-estar, de uma forma sustentável - palavra que se tornou um horrível lugar-comum - se mostra tão relevante como sempre foi. Assim como a imposição de sacrificar a continua melhora da qualidade de vida em nome dos limites ecológicos parece irrealista, mais irrealista ainda, absurdo mesmo, é imaginar que a mera incorporação do neologismo "sustentável", aposto a crescimento, a consumo ou ao que quer que seja, nos permitir a seguir o curso do aumento dos níveis de consumo observados no século passado. Se formos necessariamente obrigados a crescer e a enriquecer para continuar a melhorar a qualidade de vida, estaremos diante de um impasse, pois é evidente que não será mais possível crescer, enriquecer e sobretudo consumir, nos padrões de hoje, por muito mais tempo, sem esbarrar nos limites físicos do meio ambiente. Será preciso encontrar outra forma de continuar com a melhora progressiva da qualidade de vida que não dependa do crescimento econômico ou, especialmente, do aumento do consumo.

Mas é possível melhorar a qualidade de vida sem aumentar os níveis de consumo? É possível melhorar a qualidade de vida sem crescer? A resposta não é simples nem evidente. Entretanto, há indícios de que a partir de um determinado nível de renda a correlação entre crescimento e bem-estar se enfraquece. Até um determinado nível de renda, a melhora da qualidade de vida é indissociável do crescimento econômico. Não há como melhorar a qualidade de vida de comunidades excessivamente pobres sem aumentar sua renda, mas a partir de um patamar mínimo, capaz de assegurar as necessidades básicas, o aumento da renda não está necessariamente associado à melhora da qualidade de vida. Mais renda nem sempre significa mais bem-estar. O debate no plano individual - riqueza garante ou não garante felicidade? - pode não estar resolvido, mas, no plano social, parece que sim: a partir de certo nível, riqueza não garante qualidade de vida.

Ainda que se dê o devido desconto ao saudosismo, à natural tendência de romancear o passado, não há como negar, por exemplo, o efeito deletério do crescimento econômico sobre a qualidade de vida, com seu impacto sobre o transito em particular. Pode-se sempre argumentar que o problema não é o crescimento propriamente dito, e sim o automóvel, as grandes aglomerações urbanas, o estilo de vida - mais que o enriquecimento diretamente -, que reduzem a qualidade de vida. Correto, mas crescimento e enriquecimento são hoje indissociáveis do estilo consumista que, a partir de um certo ponto, contribui para a redução do bem-estar.

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"Os Limites do Possível"
Autor: André Lara Resende
Editora: Portfolio-Penguin
Páginas: 288
Quanto: R$ 35,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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