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30/07/2013 - 20h30

'Pare de Pisar em Ovos' traz relatos de quem vive com pessoa opressora

da Livraria da Folha

"Pare de Pisar em Ovos", de Paul T. Mason e Randi Kreger, é dedicado aos que convivem com uma pessoa com transtorno de personalidade borderline (TPB). Comportamentos extremos e autodestrutivos --ciúme, paranoia e depressão, por exemplo-- são características comuns em um "border".

Abaixo, leia três relatos de quem passou pela experiência.

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Divulgação
Ensina a reconhecer os sinais do transtorno de personalidade borderline
Ensina a reconhecer os sinais do transtorno e procurar ajuda

Pisando em ovos: alguém que você ama tem TPB?

Mesmo após 15 anos de casamento, eu não conseguia entender o que fazia de errado. Pesquisei em bibliotecas, conversei com médicos, consultei terapeutas, li artigos e conversei com amigos. Passei 15 anos me preocupando, me questionando, acreditando em quase tudo que minha mulher dizia sobre mim. Duvidei de mim e sofri sem saber por quê.

Até que, um dia, encontrei a resposta na internet. E comecei a chorar de alívio. Embora eu ainda não tenha conseguido convencer minha mulher de que ela precisa de ajuda, pelo menos entendi, finalmente, o que está acontecendo. A culpa não é minha. Agora, eu sei disso.

Extraído de uma comunidade on-line

A história de Jon: casado com o TPB

Estar casado com uma pessoa com TPB é como estar no céu e logo depois estar no inferno. O humor da minha mulher muda a cada segundo. Eu ficava sempre pisando em ovos, tentando agradá-la e evitando brigas por falar antecipadamente, rápido demais, no tom errado ou com a expressão facial errada.

Mesmo quando faço exatamente o que minha mulher quer, ela fica com raiva de mim. Um dia, me mandou levar nossos filhos para algum lugar qualquer, porque queria ficar um tempo sozinha. Mas, ao sairmos, ela atirou as chaves de casa na minha cabeça, dizendo que eu a odiava tanto que não conseguia ficar na mesma casa que ela. Quando as crianças e eu voltamos do cinema, agiu como se nada tivesse acontecido. Perguntou por que eu ainda estava nervoso e me disse que eu ficava me apegando à raiva.

Mas nem sempre foi assim. Antes do casamento, vivemos um romance muito intenso. Ela me idolatrava. Dizia que eu era perfeito para ela. O sexo era incrível. Escrevi poemas de amor e dei presentes caros. Ficamos noivos em quatro meses e, um ano depois, já estávamos casados, saindo em lua de mel numa viagem que custou 10 mil dólares. Mas, logo após o casamento, ela começou a transformar coisas pequenas e sem importância em montanhas de crítica, dúvida e mágoa. Sempre me acusava de desejar outras mulheres e citava "exemplos" imaginários para corroborar as acusações. Começou a se sentir ameaçada pelos meus amigos e passou a cortá-los da nossa convivência. Dizia coisas ruins sobre meu trabalho, meu passado, meus valores, meu orgulho, enfim, sobre qualquer coisa que dissesse respeito a mim.

Ainda assim, de vez em quando o eu "antigo" dela voltava, aquele que achava que eu o cara mais legal do universo e por quem havia se apaixonado. Ela ainda é a mulher mais inteligente, engraçada e sexy que conheço, e ainda sou muito apaixonado por ela. O conselheiro matrimonial acha que minha mulher pode ser borderline, mas ela insiste que sou eu quem está acabando com nosso casamento. Ela acha que o conselheiro é um charlatão e não quer mais voltar nele. O que eu faço para que ela receba a ajuda de que precisa tanto?

A história de Ken: morar com mãe borderline

O amor de minha mãe por mim era condicional. Quando eu não fazia o que era preciso, como obrigações de casa ou coisa assim, ela ficava furiosa, me dava um fora e dizia que eu era uma criança horrível que nunca teria amigos. Mas, quando queria carinho, ela ficava amorosa, me abraçava e falava de como éramos próximos. Era impossível prever o humor dela.Minha mãe ficava magoada sempre que percebia que alguém estava tomando muito tempo e energia de mim. Ela tinha ciúme até do Snoopy, o nosso cachorro. Eu sempre achava que tinha feito algo errado ou que havia algo errado em mim.

Ela imaginava que conseguiria me consertar ao dizer toda hora que eu tinha que mudar. Achava defeito no meu cabelo, nos meus amigos, nos meus modos à mesa, nas minhas atitudes. Exagerava e mentia para justificar suas afirmações. Quando meu pai intervinha, ela desdenhava dele com um aceno de mão. Minha mãe sempre tinha que estar certa. Ao longo dos anos, sempre tentei atender às expectativas dela. Mas, sempre que eu conseguia, as expectativas mudavam. Apesar de todos esses anos de críticas, nunca me acostumei a isso. Hoje em dia, tenho dificuldade para me aproximar das pessoas. Não consigo confiar em ninguém, nem mesmo na minha mulher. Em momentos especiais, quando me sinto mais próximo dela, fico esperando a rejeição que sei que virá inevitavelmente. E quando ela não faz nada que eu possa classificar como "rejeição", eu a afasto de algum jeito - fico bravo por alguma coisa boba, por exemplo. Em um nível racional, sei o que acontece. Mas me sinto sem forças para evitar isso.

Ciúme e paranoia e depressão podem esconder uma personalidade borderline

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"Pare de Pisar em Ovos"
Autores: Paul T. Mason e Randi Kreger
Editora: Fontanar
Páginas: 296
Quanto: R$ 29,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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