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05/08/2013 - 11h00

Leia trecho de 'Brilhante", relato da mãe que lutou para educar filho autista

da Livraria da Folha

Em "Brilhante: A Inspiradora Historia de uma Mãe e seu Filho Gênio Autista", Kristine Barnett conta como foi a luta para educar o filho autista, contrariando a opinião dos profissionais e do marido.

Barnett, que mantinha uma creche na garagem de sua casa, conseguiu estimular o desenvolvimento intelectual da criança. Jacob Barnett, o filho, aprendeu cálculo matemático sozinho e, aos nove anos, começou a desenvolver uma teoria original em astrofísica --para os acadêmicos da área, um dia pode levá-lo ao prêmio Nobel.

Abaixo, leia um trecho de "Brilhante".

*

Introdução

Estou sentada nos fundos da classe, numa aula de física da universidade, enquanto os estudantes se reúnem em pequenos grupos em torno dos quadros brancos nas paredes, prontos para atacar as equações do dia.

Divulgação
Uma história de superação capaz de inspirar leitores de todos os tipos
História de superação capaz de inspirar leitores de todos os tipos

O trabalho prossegue aos solavancos. Os quadros são constantemente apagados. Quando as equipes começam a disputar, vejo de relance meu filho de nove anos lá na frente, conversando desenvoltamente com o professor. O nível de frustração da sala aumenta. Por fim, meu filho puxa uma cadeira para perto de um quadro branco e sobe nela. Mesmo assim, tem de ficar na ponta dos pés, esticando o braço o máximo possível.

Assim como todos os outros estudantes na sala, é a primeira vez que vê aquela equação. Mas ele não precisa pensar muito. Ao contrário, os números brotam depressa e com fluência de seu marcador. Não demora muito e toda a sala está assistindo. Os alunos de outras equipes param seu trabalho para olhar aquele menininho com o boné de beisebol virado para trás. Meu filho não nota os espectadores de boca aberta, porque está alegremente envolvido com os números e símbolos que voam pelo quadro. Vão se acumulando a uma velocidade impossível: cinco linhas, depois dez, quinze, se esparramando para o quadro branco do grupo ao lado.

Logo, ele está conversando com outros de seu grupo, apontando e explicando, fazendo perguntas orientadoras, como faria um professor. Uma mulher séria com uma trança francesa se afasta de outro grupo e chega mais perto para ouvir. A ela se junta um rapaz de ombros caídos, que balança a cabeça vigorosamente ao entender.

Em questão de minutos, todos os estudantes na frente do auditório se reuniram em torno do meu menino. Quando ele aponta uma armadilha que descobriu na equação, oscila sobre os pés, deliciado. Um estudante barbudo faz uma pergunta. Olho para o professor, que está encostado à parede com um sorriso no rosto.

Agora que entendem o problema, os universitários retomam seus próprios grupos e começam também a escrever, mas a tensão de sua linguagem corporal é inegável: ninguém na sala gosta tanto da equação como o meu filho.

A aula termina e o auditório se esvazia. Meu filho recolhe seus marcadores, conversando animadamente com um colega de classe sobre um novo videogame da NBA que os dois estão querendo. Quando sobe os degraus em minha direção, o professor se aproxima e estende a mão.

"Senhora Barnett. Quero dizer o quanto aprecio ter Jake em minha classe. Ele com certeza está fazendo aparecer o melhor dos outros alunos; não estão acostumados a se verem envolvidos assim. Para falar a verdade, não tenho certeza de que eu mesmo seja capaz de acompanhar o ritmo dele!"

Nós dois damos risada.

"Nossa!", eu digo. "O senhor praticamente descreveu a história da minha vida."

-

MEU NOME É KRISTINE BARNETT e meu filho Jake é considerado um prodígio em matemática e ciências. Ele começou a fazer cursos de nível universitário de matemática, astronomia e física aos oito anos e foi aceito na universidade aos nove. Não muito tempo depois, começou a trabalhar numa teoria original no campo da relatividade. Suas equações eram tão longas que transbordavam do gigantesco quadro branco para as janelas de nossa casa. Sem saber como ajudar, perguntei a Jake se havia alguém a quem pudesse mostrar seu trabalho, e um renomado físico que contatei em nome de Jake concordou generosamente em examinar uma de suas atividades. Ele confirmou que meu filho estava de fato trabalhando em uma teoria original e disse também que, se a teoria fosse consistente, podia colocá-lo no rumo de um prêmio Nobel.

Nesse verão, aos doze anos, Jake foi contratado como pesquisador remunerado na universidade. Era seu primeiro emprego de férias. Na terceira semana, havia resolvido um problema aberto de teoria dos reticulados, trabalho que depois foi publicado num periódico de primeira linha.

Poucos meses antes, na primavera daquele ano, um artigo minúsculo havia aparecido em um pequeno jornal local sobre uma entidade sem fins lucrativos que meu marido, Michael, e eu havíamos fundado. Inesperadamente, esse artigo levou a uma história sobre Jake em um jornal maior. Quando nos demos conta, equipes de televisão estavam acampadas em nosso gramado. Nosso telefone não parava de tocar com gente do cinema, de programas de entrevistas, agências de notícias nacionais, agências de talentos, editores, universidades de elite - repórteres e produtores todos loucos para entrevistar Jake.

Fiquei confusa. Posso dizer com toda sinceridade que, naquela época, Michael e eu não fazíamos ideia de por que tanta gente estava interessada em nosso filho. Claro, sabíamos que Jake era inteligente. Entendíamos que suas habilidades em matemática e ciências eram avançadas, e que não era "normal" ele estar na universidade. Mas Michael e eu estávamos absolutamente focados em comemorar outras vitórias: o fato de Jake ter uma boa média de acertos com o taco de beisebol, um grupo de amigos da sua faixa etária que gostava de jogar Halo: Reache assistir a filmes juntos em nosso porão, e também (embora ele vá me matar por mencionar isso) sua primeira namorada.

Essas coisas típicas da vida de Jake são, para nós, as mais extraordinárias. Então, quando a mídia nos atacou, ficamos completamente perplexos. Só depois de conversar com alguns daqueles repórteres ou ouvir as histórias que tinham escrito foi que começamos a entender o quanto estávamos desligados. Na verdade, foi preciso a luz de refletores muito fortes para que Michael e eu víssemos que a história de nossas vidas com nosso filho havia mudado.

O que aqueles repórteres não entendiam era que a mente improvável de Jake era ainda mais notável pelo fato de ter sido quase perdida. Quando a mídia apareceu em nosso gramado, ainda estávamos vivendo trancados no diagnóstico de autismo que Jake recebera quando tinha dois anos de idade. Tínhamos assistido impotentes ao nosso filhinho vibrante e precoce ir gradualmente parando de falar, desaparecendo diante de nossos olhos em um mundo só dele. O prognóstico ia de mal a pior. Aos três anos, o objetivo que os especialistas estabeleciam para ele era que fosse capaz de amarrar os próprios sapatos aos dezesseis anos.

Este livro é a história de como chegamos de lá até aqui, a história da jornada de uma mãe com seu filho notável. Mas para mim, mais que qualquer outra coisa, é sobre o poder da esperança e as assombrosas possibilidades que podem ocorrer quando mantemos nossas mentes abertas e aprendemos a liberar o verdadeiro potencial que existe dentro de toda criança.

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"Brilhante"
Autor: Kristine Barnett
Editora: Zahar
Páginas: 272
Quanto: R$ 29,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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