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15/09/2013 - 10h00

No aniversário de Agatha Christie, conheça a Rainha do Crime

da Livraria da Folha

Nascida em Torquay, Inglaterra, em 15 de setembro de 1890, Agatha Christie, chamada de Duquesa da Morte e Rainha do Crime, tornou-se dama na Ordem do Império Britânico em 1971. A autora se interessou pela escrita incentivada pela mãe e ao ler obras de Edgar Allan Poe (1809-1849) e Arthur Conan Doyle (1859-1930).

Monte sua estante com obras da Rainha do Crime

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Agatha Christie também escreveu livros de amor com pseudônimo de Mary Westmacott
Agatha Christie também escreveu livros de amor com pseudônimo de Mary Westmacott

Entre seus detetives mais famosos destacam-se: Hercule Poirot e Miss Marple. "O Caso dos Dez Negrinhos", "Assassinato no Expresso Oriente" e "O Misterioso Caso de Styles" são os livros mais conhecidos no Brasil.

A escritora trabalhou como farmacêutica durante a Primeira Guerra Mundial. Conta-se que a experiência lhe proporcionou conhecimentos sobre veneno, informações que seriam usadas em seus livros.

Agatha Christie está no "Guinness" como a autora que mais vendeu no mundo, seus títulos ultrapassam mais de 2 bilhões de cópias vendidas.

Em "Os 13 Problemas", o Clube das Terças-Feiras se reúne para buscar soluções aos mistérios que ninguém ainda foi capaz de desvendar.

O grupo é formado por um escritor, um artista, um sacerdote, um ex-comissário da Scotland Yard, um procurador e Miss Marple, a "cobra grisalha", uma senhora pacata e curiosa que nunca deixa escapar qualquer detalhe. Abaixo, leia um trecho.

*

Capítulo 1

O Clube das Terças-Feiras

- Mistérios sem solução.

Raymond West soprou uma nuvem de fumaça e repetiu as palavras com uma espécie de deleite deliberado e consciente.

- Mistérios sem solução.

Olhou ao redor com satisfação. A velha sala, com largas vigas negras atravessando o teto, era decorada com um mobiliário antigo e de boa qualidade que completava o conjunto. Por isso o olhar aprovador de Raymond West. Escritor por profissão, ele apreciava quando a atmosfera era impecável. A casa de sua tia Jane sempre o agradara, era o cenário perfeito para a personalidade dela. Olhou para o outro lado da sala, para além da lareira, onde ela estava sentada na grande poltrona do avô. Miss Marple usava um vestido de brocado preto, bastante pregueado na cintura. Um arranjo de renda belga de Mechlin, com formato de cascata, descia ao longo da frente do corpete. Vestia mitenes de renda preta; e um chapéu, também de renda negra, coroava a montanha de meadas dos cabelos cor de neve. Estava tricotando; era algo branco, macio e felpudo. Seus olhos, de um azul desbotado, benevolentes e gentis, observavam o sobrinho e os convidados dele com uma alegria sutil. Eles repousaram primeiro no próprio Raymond, com sua afetação jovial, depois em Joyce Lemprière, a artista, de cabelos negros bem cortados e olhos de um verde-acastanhado singular, e, finalmente, naquele homem bem-vestido e sofisticado, Sir Henry Clithering. Havia mais duas pessoas na sala: dr. Pender, o sacerdote idoso da paróquia, e sr. Petherick, o procurador, um homenzinho enrugado, de óculos, que preferia olhar por cima das lentes em vez de através delas. Miss Marple deu um segundo de atenção a cada uma dessas pessoas e, com um sorriso suave nos lábios, voltou ao tricô.

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Clube das Terças-Feiras se reúne para buscar soluções a grandes mistérios
Clube das Terças-Feiras se reúne para solucionar grandes mistérios

O sr. Petherick deu uma tossidinha seca com a qual geralmente anunciava seus comentários.

- O que é que está dizendo, Raymond? Mistérios sem solução? O que têm eles?

- Nada de mais - disse Joyce Lemprière. - Raymond apenas aprecia o som dessas palavras e a si próprio quando as pronuncia.

Raymond West jogou-lhe um olhar de reprovação ao qual ela respondeu jogando a cabeça para trás e rindo.

- Ele é um engambelador, não é, Miss Marple? - perguntou ela. - A senhora sabe disso, tenho certeza.

Miss Marple sorriu suavemente para ela, mas não fez nenhuma observação.

- A vida em si é um mistério sem solução - disse o sacerdote, solene.

Raymond endireitou-se na cadeira e jogou longe o cigarro num gesto impulsivo.

- Não foi isso que eu quis dizer. Não estava falando de filosofia - disse ele. - Estava pensando em fatos verdadeiros, prosaicos e despidos de enfeites, fatos que ocorreram e que ninguém jamais conseguiu explicar.

- Sei muito bem do que está falando, meu caro - disse Miss Marple. - Por exemplo, a sra. Carruthers teve uma experiência muito estranha ontem pela manhã. Ela comprou meia caneca de camarões limpos na mercearia do Elliot. Foi a dois outros estabelecimentos e, quando chegou em casa, descobriu que os camarões não estavam com ela. Retornou às duas lojas que havia visitado, mas os camarões haviam desaparecido por completo. Isso me parece extraordinário.

- Uma história muito esquisita - falou Sir Henry Clithering solenemente.

- Existem, claro, várias explicações possíveis - disse Miss Marple, com as bochechas tornando-se um pouco mais rubras de entusiasmo. - Por exemplo, alguma outra pessoa...

- Minha querida tia - disse Raymond West, achando graça -, eu não estava me referindo a essa espécie de incidente no vilarejo. Estava pensando em assassinatos e desaparecimentos, o tipo de coisa que Sir Henry poderia nos relatar por horas a fio, se ele assim desejasse.

- Mas jamais falo de trabalho - disse Sir Henry com modéstia. - Não, eu jamais falo de trabalho. Sir Henry Clithering, até recentemente, tinha sido comissário da Scotland Yard.

- Imagino que haja uma série de assassinatos e caso que nunca foram solucionados pela polícia - disse Joyce Lemprière.

- É um fato reconhecido, acredito - falou o sr. Petherick.

- Eu me pergunto - disse Raymond West - que categoria de cérebro realmente tem mais sucesso desenredando um mistério. Penso que um detetive policial de nível mediano deva encontrar dificuldades por falta de imaginação.

- Esse é o ponto de vista leigo - disse Sir Henry de forma seca.

- Você quer mesmo um comitê - disse Joyce sorrindo.

- Pois psicologia e imaginação se destinam ao escritor...

Ela fez um gesto irônico de reverência para Raymond, mas ele permaneceu sério.

*

"Os 13 Problemas"
Autor: Agatha Christie
Editora: L&PM Pocket
Páginas: 256
Quanto: R$ 17,10 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

Texto baseado em informações fornecidas pela editora/distribuidora da obra.

 
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