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14/10/2014 - 11h00

Leia trecho de 'Origens do Totalitarismo', de Hannah Arendt

da Livraria da Folha

Escrito por Hannah Arendt (1906-75) no pós-guerra e publicado originalmente em 1951, "Origens do Totalitarismo" é uma análise sobre características do autoritarismo e uma ferramenta para interpretar elementos e sinais de opressão que resistem mesmo em sociedades democráticas e liberais.

Nascida na Alemanha e de origem judaica, Arendt estudou na Universidade de Berlim e foi aluna de Heidegger e Jaspers. Em 1941, refugiou-se nos Estados Unidos. Entre outros livros, ela também assina "Homens em Tempos Sombrios" e "Eichmann em Jerusalém".

Abaixo, leia trecho de "Origens do Totalitarismo".

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1. O ANTISSEMITISMO COMO UMA OFENSA AO BOM SENSO

Divulgação
Debate dois regimes totalitários da nossa era: a Alemanha nazista e a Rússia stalinista
Debate dois regimes: Alemanha nazista e Rússia stalinista

Muitos ainda julgam que a ideologia nazista girou em torno do antissemitismo por acaso, e que desse acaso nasceu a política que inflexivelmente visou perseguir e, finalmente, exterminar os judeus. O horror do mundo diante do resultado derradeiro, e, mais ainda, diante do seu efeito, constituído pelos sobreviventes sem lar e sem raízes, deu à "questão judaica" a proeminência que ela passou a ocupar na vida política diária. O que os nazistas apresentaram como sua principal descoberta - o papel dos judeus na política mundial - e o que propagavam como principal alvo - a perseguição dos judeus no mundo inteiro - foi considerado pela opinião pública mero pretexto, interessante truque demagógico para conquistar as massas.

É bem compreensível que não se tenha levado a sério o que os próprios nazistas diziam. Provavelmente não existe aspecto da história contemporânea mais irritante e mais mistificador do que o fato de, entre tantas questões políticas vitais, ter cabido ao problema judaico, aparentemente insignificante e sem importância, a duvidosa honra de pôr em movimento toda uma máquina infernal. Tais discrepâncias entre a causa e o efeito constituem ultraje ao bom senso a tal ponto que as tentativas de explanar o antissemitismo parecem forjadas com o fito de salvar o equilíbrio mental dos que mantêm o senso de proporção e a esperança de conservar o juízo.

Uma dessas apressadas explicações identifica o antissemitismo com desenfreado nacionalismo e suas explosões de xenofobia. Mas, na verdade, o antissemitismo moderno crescia enquanto declinava o nacionalismo tradicional, tendo atingido seu clímax no momento em que o sistema europeu de Estados-nações, com seu precário equilíbrio de poder, entrara em colapso.

Os nazistas não eram meros nacionalistas. Sua propaganda nacionalista era dirigida aos simpatizantes e não aos membros convictos do partido. Ao contrário, este jamais se permitiu perder de vista o alvo político supranacional. O "nacionalismo" nazista assemelhava-se à propaganda nacionalista da União Soviética, que também é usada apenas como repasto aos preconceitos das massas. Os nazistas sentiam genuíno desprezo, jamais abolido, pela estreiteza do nacionalismo e pelo provincianismo do Estado-nação. Repetiram muitas vezes que seu movimento, de âmbito internacional (como, aliás, é o movimento bolchevista), era mais importante para eles do que o Estado, o qual necessariamente estaria limitado a um território específico. E não só o período nazista mas os cinquenta anos anteriores da história antissemita dão prova contrária à identificação do antissemitismo com o nacionalismo. Os primeiros partidos antissemitas das últimas décadas do século XIX foram os primeiros a coligar-se em nível internacional. Desde o início, convocavam congressos internacionais, e preocupavam-se com a coordenação de atividades em escala internacional ou, pelo menos, intereuropeia.

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ORIGENS DO TOTALITARISMO
AUTOR Hannah Arendt
EDITORA Companhia de Bolso
QUANTO R$ 31,60 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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