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24/11/2014 - 16h40

Psicóloga e educador sugerem como falar sobre drogas com os filhos

da Livraria da Folha

Em "Álcool e Drogas na Adolescência", a psicóloga Ilana Pinsky e o educador Cesar Pazinatto apresentam a importância do combate aos vícios e sugerem estratégias para que pais e responsáveis estejam preparados para conversar e agir.

O livro, em formato de pergunta e resposta, também traz atividades para prevenção em sala de aula. Abaixo, leia trecho de "Álcool e Drogas na Adolescência".

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Gostaria de conversar com meu filho sobre o uso de drogas.
Qual a melhor maneira de abordar o assunto?

Divulgação
Para enfrentar a questão do álcool e das drogas na adolescência
Para enfrentar a questão do álcool e das drogas na adolescência

Antes de qualquer coisa, tenha em mente que quando o assunto é drogas, os pais nunca são a única fonte de informação, portanto a melhor coisa é informar-se bem sobre o tema (porque seu filho com certeza já o fez). Procure fontes seguras e confiáveis para não perder a oportunidade quando ela aparecer.

Normalmente não funciona muito bem marcar dia e hora para essa conversa. Tornar esse tipo de bate-papo uma solenidade só faz com que o jovem se coloque na defensiva e fale apenas o que gostaríamos de ouvir.

Pequenos momentos que surgem a partir de uma imagem, de um filme, novela e até mesmo de uma história familiar ajudam a entrar no assunto de maneira mais natural e produtiva.

Conversas muito longas devem ser evitadas. É importante que a medida seja sempre o nível de interesse ou curiosidade do adolescente. Ele ainda está fazendo perguntas e trocando ideias ou está com cara de paisagem? Esse tipo de pergunta você deve se fazer durante a conversa com seu filho.

As abordagens precisam ser adaptadas às faixas etárias, mesmo sabendo que hoje o acesso à informação é muito grande e desde muito cedo as crianças e os adolescentes ouvem falar sobre drogas.

Até os 10 anos, a criança se contenta com explicações mais superficiais. Pelo nível de concentração (ainda pequeno) e vivência (em geral, observam apenas familiares consumindo drogas legais) da criança, os papos devem ser curtos e voltados mais às bebidas alcoólicas e ao tabaco. Perguntas eventuais sobre outras drogas devem ser respondidas, mas sem grandes discursos. Depois disso, é importante ter condições de se aprofundar um pouco mais.

Acima dos 13 anos, possivelmente você estará conversando com quem já "visitou" a ideia da experimentação ou até já teve as primeiras experiências com drogas, principalmente álcool e tabaco.

A pesquisa Pense de 2012 do IBGE mostra que metade dos jovens matriculados no 9º ano já havia experimentado algum tipo de bebida alcoólica, pouco menos que um quarto desse mesmo grupo já havia experimentado tabaco e 7% drogas ilegais, como maconha.

Mas não entre em pânico. Evite falas alarmistas precedidas de algum caso "clássico" do jovem que experimentou uma vez e continuou usando até ficar largado na rua como um zumbi, preso ou internado em uma clínica de recuperação. O motivo é simples: elas não espelham a realidade geral e nem são tão eficientes para prevenir o uso como já se imaginou em décadas passadas. Além disso, é possível que entre os amigos de seu filho já existam usuários ocasionais. Quando ele confronta seu discurso "assustador" com evidências não tão pavorosas assim, a desconfiança se instala. É bom saber que experimentação não costuma significar caminho sem volta para a dependência de drogas. Apenas uma minoria vai enfrentar problemas sérios.

Atualmente, boas estratégias de prevenção questionam a visão superestimada de consumo que os jovens costumam ter. Não, não é verdade que "todo mundo bebe". Os pais precisam saber que, sim, há uma quantidade significativa de jovens que usam drogas, mas na conversa com os filhos, o que se deve debater são os altos níveis de não consumo. Dessa forma, por exemplo, a grande maioria dos jovens não usa frequentemente (no caso do álcool) e relativamente poucos experimentaram (no caso da maconha). Essa maneira de enquadrar a questão vai ser útil para o jovem, que tem a tendência de achar que deve repetir as regras do grupo ao qual pertence ou quer pertencer. Há atualmente várias pesquisas brasileiras sobre a incidência de consumo entre os adolescentes, divulgadas amplamente (veja o Pense, os estudos do Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas - Cebrid e o Lenad). No final do livro, você vai encontrar uma lista de sites e livros que podem ajudá-lo a se preparar para a conversa.

Por fim, um exemplo (o adolescente é muito sensível ao que vê nos pais, tanto em termos de comportamento, como no que se refere aos valores e princípios), o diálogo (é tão importante procurar nossos filhos para conversas eventuais como manter um canal sempre aberto para quando eles quiserem/ precisarem se aproximar) e o carinho complementam uma boa estratégia para abordar com seu filho as consequências do uso e abuso de drogas.

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ÁLCOOL E DROGAS NA ADOLESCÊNCIA
AUTOR Ilana Pinsky e Cesar Pazinatto
EDITORA Contexto
QUANTO R$ 26,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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