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13/01/2015 - 16h31

Relativismo contemporâneo é hábil na negação de verdades, diz tenente-coronel

da Livraria da Folha

Se nossas narrativas são relativas, dependentes de uma maneira peculiar de ver o mundo e de representar determinados interesses pessoais, a verdade histórica não existe, apenas idiossincrasias. Portanto, como nada é realmente confiável, cada um escolhe a versão que parece mais agradável ou divertida para acreditar.

Segundo o tenente-coronel Durval Lourenço Pereira, a história é uma das grandes vítimas dos herdeiros contemporâneos de Protágoras. "Assim, cada autor estaria apto a construir a sua própria versão dos fatos - por mais esdrúxula que ela fosse -, não importando o seu grau de capacitação ou a profundidade da pesquisa realizada", escreve Pereira em "Operação Brasil".

"A tendência à formulação de teorias inovadoras sobre a guerra é um fenômeno provocado pela cada vez mais influente cultura de massa, que direciona um sem-número de obras para o universo da fantasia", diz. "Essa tendência é potencializada pelo relativismo contemporâneo, hábil na negação de verdades, conceitos e valores, inspirando a elaboração de teorias conspiratórias sem qualquer base documental".

Divulgação
Livro traz aspectos inexplorados da ação militar que mudou o destino do Brasil
Livro traz aspectos inexplorados da ação militar que mudou o Brasil

A participação do Brasil no maior conflito da história sempre foi pouco explorada pelos professores de história e pelos livros didáticos. Essa debilidade escolar tornaria o solo fértil para as versões bombásticas que surgem todos os dias.

"Com relação à Segunda Guerra Mundial, o afundamento do cruzador Bahia, em 1945, é um exemplo clássico. Ainda que os testemunhos dos sobreviventes do navio atestem que o cruzador foi a pique acidentalmente durante um exercício de tiro, obras recentes afirmam que o navio brasileiro teria sido afundado por um submarino alemão".

Assim, devido ao emaranhado de criações, as pesquisas sobre os motivos da entrada do Brasil na Segunda Guerra e o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a Europa se tornam cada vez mais complicadas. Os estudos fundamentados também disputam a atenção do leitor com histórias sobre bases secretas nazistas criadas com tecnologia alienígena na Antártida.

"De acordo com essas teorias, os Aliados desistiram de combater a colônia nazista na Antártida, pois os alemães recebiam a proteção militar de alienígenas", conta. "Usando a retórica relativista, seus autores responderam aos críticos invertendo a responsabilidade pelo ônus da prova. Segundo eles, os céticos é quem deveriam provar a falsidade das teorias fantásticas".

Apesar de a participação do Brasil no conflito mundial ter sido pequena em comparação às grandes potencias bélicas da época, a guerra foi um momento crucial para o país. "Sob o ponto de vista econômico, nem mesmo a Proclamação da Independência ou a da República produziram consequências tão determinantes para o futuro brasileiro quanto a declaração de guerra ao Eixo".

Para escrever "Operação Brasil", o autor pesquisou arquivos oficiais da Alemanha (Bundesarchiv), do Brasil, como o Centro de Documentação da Marinha e o Arquivo Histórico do Exército, e dos EUA. Além disso, também analisou biografias, diários e outras publicações de Vargas, Dutra, Góes Monteiro, Oswaldo Aranha, Churchill, Dönitz, Montgomery e Rommel.

O livro apresenta as origens dos ataques nazistas a navios mercantes e de passageiros brasileiros no litoral do Nordeste e os objetivos do Terceiro Reich em provocar a morte de inocentes em embarcações desarmadas de um país que ainda não tinha se envolvido na Segunda Guerra.

Tenente-coronel do Exército Brasileiro, Durval Lourenço Pereira é bacharel em ciências militares pela Academia Militar das Agulhas Negras e mestre em operações militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Ele produziu e dirigiu o documentário "O Lapa Azul", sobre 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria na Segunda Guerra, exibido pelo History Channel, A&E Mundo e RT.

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OPERAÇÃO BRASIL
AUTOR Durval Lourenço Pereira
EDITORA Contexto
QUANTO R$ 39,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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