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19/02/2015 - 15h41

Nudez das índias estava longe de ser erótica, diz historiadora

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro apresenta a sexualidade e erotismo na história do Brasil
Livro apresenta a sexualidade e erotismo na história do Brasil

A imagem de índias nuas correndo pelas praias exóticas além do Equador, onde não existe pecado, nem sempre foi sensual. A nudez, segundo a historiadora Mary del Priore, era um símbolo de pobreza.

"O retrato das americanas, além da magreza e da nudez, ostentava sempre um signo temido: os ossos daqueles que tinham sido devorados nos banquetes antropofágicos", escreve Del Priore em "Histórias Íntimas". "A nudez das índias estava, pois, longe de ser erótica".

A nudez foi combatida desde o início da colonização. O corpo despido dos índios estava relacionado ao comportamento dos animais, vesti-los equivalia a afasta-los da bestialidade e dos pecados relacionados aos que não tinham vergonha.

Padre Manoel da Nóbrega pedia tecido para os seus superiores para vestir as crianças indígenas. Os pecados da carne decorrentes da falta de pudor era um dos problemas combatidos pela Igreja. "A luxúria foi associada a uma profusão de animais imundos: sapos, serpentes ou ratos que se agarravam aos seios ou ao sexo das mulheres lascivas".

"Nas igrejas, pinturas demonstravam os diabos que recebiam as almas pecadoras, nuas em pelo, com golpes de pá e tridentes", conta. "Nos livros de oração com imagens, o justo morria sempre de camisola".

"E, contrariamente aos nossos dias, não havia lugar do corpo feminino menos erótico ou atrativo do que os seios. As chamadas 'tetas', descritas nos tratados médicos como membros esponjosos próximos ao coração, tinham uma só função: produzir alimento".

Em "Histórias Íntimas", Del Priore mostra ao leitor como a sexualidade e a intimidade foram se transformando ao longo do tempo. Um assunto evitado a todo custo que se tornou o mais comentado e visto.

Mary del Priore também é autora de "O Castelo de Papel", "Ancestrais: Uma Introdução à História da África Atlântica", "A Família no Brasil Colonial", "500 Anos Brasil: Histórias e Reflexões, "Festas e Utopias no Brasil Colonial" e "Matar para Não Morrer". Ela venceu duas vezes o prêmio Casa Grande & Senzala e recebeu um Jabuti por obra de relevo em ciências sociais.

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HISTÓRIAS ÍNTIMAS
AUTORA Mary del Priore
EDITORA Planeta
QUANTO R$ 9,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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