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24/02/2015 - 10h20

Para Jobs, simplicidade era sofisticação, diz biógrafo

da Livraria da Folha

Walter Isaacson, autor da biografia "Steve Jobs", conta como a simplicidade fascinava o líder da Apple no livro "'Steve Jobs - As Verdadeiras Lições de Liderança" "Jobs aprendeu a admirar a simplicidade quando trabalhava no turno da noite na Atari, depois de abandonar a faculdade", conta.

Steve Jobs nasceu no dia 24 de fevereiro de 1955, na Califórnia. Inventor e empresário, Jobs foi cofundador da Apple e comandou a empresa por anos. Abaixo, leia trecho de "Steve Jobs - As Verdadeiras Lições de Liderança".

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simplifique

Divulgação
Isaacson revisita os momentos decisivos da trajetória de Jobs
Isaacson revisita os momentos decisivos da trajetória de Jobs

a capacidade zen de jobs de concentrar-se no essencial vinha junto com um instinto semelhante de simplificar as coisas buscando o fundamento e eliminando os componentes desnecessários. "a simplicidade é a máxima sofisticação", declarava o primeiro folheto promocional da apple. para entender o que isso significa, tente comparar qualquer software da apple com, digamos, o word da microsoft, que fica cada vez mais feio e lento, com operações não intuitivas e de funções inconvenientes.

jobs aprendeu a admirar a simplicidade quando trabalhava no turno da noite na atari, depois de abandonar a faculdade. os jogos da atari não vinham com manual de instruções e tinham de ser tão descomplicados que até um calouro chapado pudesse descobrir sozinho como jogar. as únicas instruções para o jogo star trek eram: "1. insira uma moeda de 25 centavos. 2. evite os klingons". seu amor pela simplicidade em design foi refinado nas conferências de design a que assistiu no aspen institute, no fim dos anos 1970, num campus construído ao estilo bauhaus, que ressaltava as linhas puras e o design funcional, sem nada desnecessário ou que desviasse a atenção.

quando jobs esteve no centro de pesquisas da xerox em palo alto e viu os planos para um computador com uma interface gráfica do usuário e um mouse, decidiu tornar o design mais intuitivo (sua equipe deu ao usuário a possibilidade de arrastar e soltar documentos e pastas num desktop virtual) e mais simples. por exemplo, o mouse da xerox tinha três botões e custava trezentos dólares; jobs foi a uma companhia de design industrial e disse a um dos fundadores, dean hovey, que queria um modelo simples de botão único que custasse quinze dólares. hovey deu conta do recado.

jobs sempre buscou a simplicidade que vem da conquista da complexidade, e não do seu desconhecimento. percebeu que se atingisse esse grau de simplicidade produziria uma máquina capaz de se submeter agradavelmente à vontade dos usuários, em vez de representar um desafio. "dá muito trabalho fazer algo simples, compreender de fato os desafios subjacentes e chegar a soluções elegantes", dizia ele.

jobs encontrou em jony ive, o designer industrial da apple, sua alma gêmea na busca da simplicidade verdadeira, em vez da superficial. ambos sabiam que a simplicidade não é apenas um estilo minimalista, ou a remoção do confuso. para eliminar parafusos, botões ou excessivas telas de navegação, era preciso compreender profundamente a função que cada elemento desempenhava. "para ser verdadeiramente simples, é preciso ir muito fundo", disse ive. "por exemplo, para não usar parafusos pode-se acabar desenvolvendo um produto muito intricado e complexo. o melhor é ir fundo na simplicidade, compreender tudo que é preciso compreender sobre o produto e como ele é fabricado."

ao projetar a interface do ipod, jobs se esforçava para encontrar meios de eliminar excessos. insistia em chegar ao que quisesse com apenas três cliques. uma tela, por exemplo, perguntava se os usuários queriam pesquisar por música, por álbum ou por artista. "para que precisamos dessa tela?", perguntava jobs. os designers perceberam que não precisavam dela. "havia momentos em que a gente torrava o cérebro em um problema de interface do usuário, pensando que tínhamos levado em conta todas as opções, e ele dizia: 'vocês pensaram nisso?'", contou tony fadell, que chefiava a equipe do ipod. "e então a gente exclamava: 'puta merda!'. ele redefinia o problema ou a abordagem, e nosso pequeno problema ia embora." em certo momento, jobs apresentou a mais simples de todas as sugestões: vamos nos livrar do botão de liga-desliga. de início, a equipe ficou atônita, mas logo reconheceu que o botão era desnecessário. se não estivesse em uso, o aparelho desligaria aos poucos, e voltaria a funcionar quando se tocasse qualquer tecla.

da mesma forma, quando lhe mostraram um conjunto confuso de propostas de tela de navegação para o idvd, que permitia aos usuários gravar vídeos num disco, jobs deu um salto, agarrou um marcador e desenhou um retângulo simples em um quadro branco. "eis o novo aplicativo", disse. "ele tem uma janela. você arrasta o vídeo para dentro da janela. depois, clica no botão que diz gravar. pronto. é isso que vamos fazer."

ao procurar indústrias para perturbar, jobs sempre se perguntava qual delas estava lançando produtos mais complicados que o necessário. em 2001, aparelhos portáteis para ouvir música e meio para se adquirir músicas on-line correspondiam a essa descrição, o que o levou ao ipod e à itunes store. os celulares foram os próximos. durante uma reunião, jobs pegou um telefone e fez uma crítica arrasadora, afirmando (corretamente) que ninguém era capaz de descobrir como usar metade das funções do aparelho, incluindo a lista de endereços. no fim da carreira, ele estava de olho na indústria da televisão, que tornara praticamente impossível ligarmos um aparelho simples para assistir ao que quiséssemos, quando quiséssemos.

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STEVE JOBS
AUTOR Walter Isaacson
EDITORA Penguin-Companhia
QUANTO R$ 12,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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