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17/03/2015 - 09h30

No aniversário de Elis Regina, leia trecho da biografia da cantora

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro narra uma vida em que tudo aconteceu depressa demais
Livro narra uma vida em que tudo aconteceu depressa demais

Elis Regina, uma das intérpretes mais aclamadas da música brasileira, nasceu em 17 de março de 1945. Segundo a biografia "Furacão Elis", escrita pela jornalista Regina Echeverria, Elis começou a cantar aos 11 anos em programas de rádio de Porto Alegre.

Edição reúne CD, DVD e reprodução de itens de Elis

O primeiro contrato profissional viria na sequência, quando a artista –que em 1959 já era famosa em sua cidade– entrou para a rádio Gaúcha, no programa "Maurício Sobrinho". Lá, Elis cantava pelo cachê de 50 cruzeiros, que equivalia a 24 dólares.

Naquele momento, o salário da cantora já superava os ganhos do pai. Mesmo assim, para continuar cantando, dona Ercy, sua mãe, exigia que a intérprete tirasse ótimas notas na escola. As primeiras compras de Elis foram um sofá-cama, um tapete e uma vitrola.

A cantora morreu no dia 19 de janeiro de 1982.

Abaixo, leia trecho de "Furacão Elis".

*

Aos 13 anos e meio, Elis era uma garota-sensação em Porto Alegre. Na capital do Brasil, Rio de Janeiro, já se ouvia João Gilberto, a bossa nova. Os jovens da época não queriam mais o que se tinha para ouvir. Queriam algo diferente, mais sofisticado do que os sambas-canções de então. Queriam uma mistura do jeito cool do jazz com o samba quente do Brasil. A quilômetros do Rio, na quase provinciana Porto Alegre, Elis Regina cantava sem sotaque os sucessos estrangeiros que aprendia ouvindo os discos da rádio.

Um pouco crescidinha e com sucesso demais para o Clube do Guri, Elis deixou a Rádio Farroupilha para assinar seu primeiro contrato profissional, com a Rádio Gaúcha, em 1959. Passou a cantar por um cachê de 50 cruzeiros por mês, equivalentes hoje a cerca de 24 dólares, no Programa Maurício Sobrinho. Dona Ercy sempre a acompanhava aos programas, ficava por perto, fazendo "quilômetros de tricô". Maurício Sirotsky contou a Veja que, como animador de auditório, costumava anunciar a entrada de Elis com frases retumbantes, que levavam os três mil espectadores que lotavam o Cinema Castello ao delírio.

Então entrava ela, com ar infantil, vesguinha, perna torta, caminhando de pés virados para dentro, muito insegura. Quando começava a cantar, porém, tomava conta do auditório.

Só pôde assinar contrato porque cumpriu as regras do jogo impostas por dona Ercy: cantar, só com boas notas no colégio. Já famosa, Elis desabafou para o amigo José Eduardo Homem de Mello, o Zuza:

- Era uma drama. Eu tinha de estudar e tirar notas excepcionais para poder cantar, entende? Eu tinha de estudar pra valer, senão mamãe não me deixava cantar, e eu já estava começando a gostar.

Duas décadas depois, dona Ercy admitiu que Elis pode ter interpretado sua exigência como imposição. Mas se justificou - como mãe, deveria zelar pelo futuro de sua menina. Por isso, sempre lhe dizia:

- Cantar, um dia você para, minha filha.

Dona Ercy imaginava que Elis podia se formar professora e, quem sabe, cursar a faculdade. O dinheiro da filha veio a calhar, mas criou o primeiro conflito familiar, que se agravaria com o passar dos anos e o dinheiro conquistado. Elis Regina não tinha 14 anos e já ganhava mais do que o pai. O mano Rogério contou como o fato mudou a vida da família.

Elis começou a se impor porque aparecia com a grana para solucionar os problemas. Ela segurava numa boa, nunca cobrou nada.

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FURACÃO ELIS
AUTOR Regina Echeverria
EDITORA Leya
QUANTO R$ 33,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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