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16/04/2015 - 10h29

Em autobiografia, Chaplin fala sobre ameaças que recebeu após 'O Grande Ditador'

da Livraria da Folha

Divulgação
Em autobiografia, Charles Chaplin conta histórias além de sua arte
Em autobiografia, Charles Chaplin conta histórias além de sua arte

Em 1937, o produtor e diretor Alexander Korda sugeriu que Charlie Chaplin filmasse uma história sobre Hitler. Para ele, Chaplin poderia aproveitar a semelhança do bigodinho e interpretar tanto o ditador como o seu famoso vagabundo. Após alguns receios iniciais, o cineasta percebeu a oportunidade única e logo começou a trabalhar no roteiro de "O Grande Ditador", finalizando-o dois anos depois.

Essa é apenas uma das histórias que o próprio Charles Chaplin revela em "Minha Vida", sua autobiografia. Além de falar sobre sua carreira e arte, ele discorre sobre seus amores, suas amizades, sua filosofia, seus julgamentos e suas decepções - tendo como ponto de partida onde tudo começou, na Londres do século 19, como uma criança maltrapilha que morava na Kennington Road.

"O Grande Ditador" conta a história de Adenoid Hynkel, que assume o governo de Tomainia e acredita em uma nação puramente ariana, e de um barbeiro judeu, que se torna alvo de discriminação e perseguição. Pela semelhança, ele consegue escapar do campo de concentração e tomar o poder.

No livro, Chaplin conta que, durante a produção do filme, ele começou a receber da United Artists diversos avisos alarmantes em relação à censura do filme. O escritório londrino da empresa também se mostrava apreensivo a respeito de uma película anti-Hitler, o que só motivou o cineasta a prosseguir com as filmagens.

"Estava eu decidido a ir adiante, pois Hitler deveria ser escarnecido. Se eu já houvesse tomado conhecimento dos horrores que aconteciam nos campos de concentração alemães, não teria podido realizar 'O Grande Ditador'; não teria podido fazer graça à custa da demência homicida dos nazistas. Entretanto, mantinha-me no firme propósito de ridicularizar a sua mística baboseira a respeito de pureza racial", escreve.

Porém, as cartas que Chaplin recebia não eram apenas da United Artists. Ele também começou a receber "cartas malucas", segundo ele próprio, durante a produção do filme - e o número só aumentou quando a película ficou pronta. Entre as ameaças estavam atirar bombinhas malcheirosas nos cinemas e cortar a tela onde quer que o filme fosse exibido.

Para combater essas ameaças, Chaplin contatou Harry Bridges, diretor do sindicado dos estivadores. Sua ideia era a mais inocente possível: espalhar estivadores pela plateia para que eles pisassem na biqueira dos sapatos dos nazistas caso eles decidissem provocar a desordem.

Bridges riu da sugestão. "Na própria plateia você contará com defensores suficientes para tomar conta dos malucos que apareçam. E, se as cartas são realmente de nazistas, não creio que tenham a coragem de se desmascarar", disse.

O lançamento de "O Grande Ditador" aconteceu em dois cinemas nova-iorquinos, o Astor e o Capitol. Naquele momento, Chaplin já havia investido dois milhões de seu dinheiro e dois anos de trabalho. O retorno do público acabou sendo satisfatório: o filme permaneceu em cartaz em Nova York por duas semanas e se tornou o mais rentável de sua filmografia.

O cineasta não torna a mencionar o plano dos estivadores, mas comenta que, apesar da aceitação geral, ele também foi hostilizado por jornalistas, apontado como judeu por ser contra o nazismo, além de ter se tornado alvo de histórias maldosas e boatos de cunho pessoal.

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