Saltar para o conteúdo principal
 
17/04/2015 - 11h45

'Cinderela Pop' faz releitura do conto de fadas da Gata Borralheira; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Livro adapta a história da Gata Borralheira para os dias atuais
Livro adapta a história da Gata Borralheira para os dias atuais

Cintia é uma princesa dos dias atuais: antenada, decidida, cheia de opiniões próprias e apaixonada por música. Ela costumava morar com os pais em um enorme castelo de onde podia ver toda a cidade, mas sua vida vira do avesso quando eles se separam e ela precisa ir morar com a tia.

Afastada do pai e perdendo cada vez mais a fé no amor, ela não faz ideia de que seu príncipe encantado, cheio de mistérios e segredos, mal pode esperar para conquistá-la.

"Cinderela Pop" é o segundo livro de uma série de releituras de contos de fadas escrita pela mineira Paula Pimenta. Além de "Princesa Adormecida", o primeiro a ser lançado, a série contará com interpretações de Branca de Neve, A Pequena Sereia e A Bela e a Fera.

Paula Pimenta começou sua carreira literária em 2001. Formada em publicidade, trabalhou na Rede Minas como produtora do programa Brasil das Gerais e como assessora de marketing no Minascentro. É autora das séries "Fazendo Meu Filme" e "Minha Vida Fora de Série".

Leia abaixo um trecho do livro.

*

COMUNICADO AOS ALUNOS:

A partir de segunda-feira está expressamente proibido o uso de aparelhos celulares dentro da escola, seja em sala, nos corredores ou mesmo no pátio. Caso o aluno seja encontrado batendo papo, enviando torpedos, publicando fotos, usando o Facebook, conversando no messenger, atualizando o status no Twitter, ou apenas com o celular nas mãos (ainda que desligado), será suspenso por três dias, sem direito à reposição das provas e trabalhos perdidos durante esse período.

Em caso de urgência, o aluno deverá se dirigir à secretaria e pedir aos funcionários que efetuem a chamada telefônica, exatamente como era antigamente, antes de os celulares existirem.

Esse comunicado deverá ser assinado pelos pais.

Atenciosamente,

Dora Lúcia Fontana Cruz
Diretora do Ensino Médio

Cintia, você tem que explicar pra diretora que o seu caso é especial. Não é como se você quisesse usar o celular pra qualquer um desses fins descritos na circular.

O sinal tinha acabado de bater e o colégio parecia prestes a explodir. O comunicado tinha sido entregue cinco minutos antes, e mais de mil alunos revoltados desciam as escadas, uns gritando, outros xingando, alguns chorando e poucos, como eu, apenas lendo e relendo aquela circular, tentando encontrar uma solução.

A Lara continuava a falar ao meu lado:

- Ela tem que entender que o único horário no qual você pode se comunicar com a sua mãe é esse! O que essa diretora quer? Ser a culpada por você virar uma pessoa cheia de carências causadas pela falta de contato diário, ainda que a distância, com a sua progenitora? Nós sabemos perfeitamente que não é como se você pudesse contar com o seu pai. E quero ver o que vão dizer na secretaria se você pedir para fazerem uma ligação pro _Japão_!

Tentei assimilar o que ela dizia, enquanto lia a mensagem pela décima vez. A Lara estava certa, apesar de saber que a direção da escola também tinha suas razões. O dia anterior havia sido a gota d'água, quando uns alunos da minha sala criaram um aplicativo feito especialmente para colar. Quando o primeiro aluno que soubesse as respostas terminasse a prova, tudo o que tinha que fazer era passar o gabarito para o celular, que, através do tal aplicativo, transmitia a informação para os telefones de todos os outros alunos, devidamente posicionados em seus bolsos. Os colegas, então, sentiriam o vibracall repassando as respostas: uma vibração longa para indicar o início. Em seguida uma vibração curta para letra A, duas para B, três para C, quatro para D. Outra vibração longa para sinalizar a próxima questão e novamente vibraçõezinhas com a resposta certa.

Eu, se estivesse no lugar dos professores, daria algum crédito pela engenhosidade. Mas, ao contrário disso, tiraram todos os pontos de participação dos responsáveis pela invenção, e eles só não foram expulsos por já estarmos no final do ano. Além disso, os caras tiveram que pagar o maior mico, indo de sala em sala pra pedir desculpas a todos os alunos pelo fato de a brincadeirinha deles ter sido a culpada pela abolição dos celulares. É claro que isso não adiantou nada, e todos os alunos do colégio continuavam querendo matá-los, inclusive eu! Mas, na verdade, acho que a direção da escola exagerou. Poxa, até entendo não permitirem celulares durante as aulas, mas qual é o problema de usá-los nos intervalos, entre um período e outro, ou pelo menos durante o recreio?! Obviamente eu iria reclamar, começar uma reivindicação ou um abaixo-assinado qualquer para que reconsiderassem essa decisão.

E foi o que respondi para a Lara, quando ela finalmente parou de exigir que eu tomasse uma atitude. Claro que eu iria fazer alguma coisa. Afinal, não era como se eu estivesse revoltada por não poder atualizar a minha conta no Twitter para que todos os meus dez seguidores soubessem o que eu estava lanchando ou que cor de All Star tinha escolhido naquele dia. Eu realmente tinha um motivo sério! E a coordenação da escola teria que levar isso em consideração. Eu sabia que seria difícil, considerando que a diretora vivia pegando no meu pé. Mas eu ia dar um jeito. Nem que para isso tivesse que tomar uma medida drástica: falar com o meu pai.

[...]

*

CINDERELA POP
AUTOR Paula Pimenta
EDITORA Galera Record
QUANTO R$ 20,00 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página