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14/05/2015 - 17h03

Em 1968, Hunter Davies escreveu única biografia autorizada dos Beatles

da Livraria da Folha

Divulgação
Hunter Davies escreveu a única biografia autorizada dos Beatles
Hunter Davies escreveu a única biografia autorizada dos Beatles

No auge da beatlemania, Hunter Davies foi o único biógrafo autorizado a acompanhar os garotos de Liverpool. Originalmente publicada em 1968, a biografia "The Beatles" - escrita a partir da colaboração e do incentivo dos próprios músicos - recorda a trajetória de John, Paul, George e Ringo.

Davies reuniu material de seus arquivos particulares e recordações da própria banda para revelar como foi o primeiro contato dos artistas com a música, apresentar detalhes dos bastidores, histórias da infância e adolescência dos integrantes, descrever a relação com o empresário Brian Epstein e o processo criativo dos álbuns.

Além de um encarte com fotos da banda, a edição inclui uma letra recentemente descoberta escrita por George Harrison.

Nascido em 1936 na Escócia, Hunter Davies tornou-se mundialmente famoso ao escrever a única biografia autorizada dos Beatles. Autor de dezenas de biografias, romances e contos infantis, ele atualmente colabora nas redações do "The New Statesman", "The Sunday Times" e "Daily Mail".

Abaixo, leia um trecho do livro que fala sobre a infância de Paul McCartney.

*

[...]

"Uma vez fiz um desenho obsceno para a turma. Eu era o cara que fazia os desenhos. O papel ficava dobrado, de modo que você via apenas a cabeça e os pés da mulher, mas, quando você abria, ela estava nua. O tipo de desenho feito por um garoto no colégio, com pelos pubianos e tudo - não que eu fizesse ideia de como era realmente. Por engano, eu deixei o desenho no bolso da minha camisa. Esse era o bolso em que eu guardava meus tíquetes para a merenda e minha mãe sempre esvaziava os bolsos antes colocar as roupas para lavar, já que eu esquecia alguns dentro.

"Cheguei em casa um dia e ela estava com ele nas mãos. 'Você desenhou isso?' Eu disse que não, não, honestamente, não. Disse que foi Kenny Alpin, um garoto da minha turma. Ele deve ter colocado lá. 'Eu te diria se eu tivesse desenhado.' Mantive a história por dois dias. E, então, acabei admitindo. A minha vergonha foi terrível."

Após o primeiro ano, quando conseguiu 90% em latim, ele se cansou do trabalho escolar. "Foi legal e fácil naquele primeiro ano. Eu me mantinha organizado e estudioso, porque essa parecia ser a coisa certa a fazer. Então tudo se tornou nebuloso. Nunca, nem uma vez, em meus tempos de escola, alguém me disse claramente por que eu estava sendo educado, qual a finalidade daquilo. Eu sei que meu pai ficava falando da necessidade de certificados e todas essas coisas, mas nunca dei ouvidos a isso. Você ouvia esse tipo de coisa o tempo todo. Nós tínhamos professores que só nos batiam com réguas ou nos diziam um monte de merda sobre suas férias em Gales ou o que eles fizeram no exército.

"Dever de casa era um saco. Simplesmente não conseguia ficar em casa durante uma noite de verão inteira, quando todas as outras crianças estavam brincando. Tinha um campo do outro lado da rua da nossa casa, em Ardwick, e eu podia olhar pela janela e ver todas elas se divertindo.

"Não havia tantas outras crianças do Institute morando perto da gente e, por isso, elas me chamavam de 'babaca do colégio'. 'Maldito babaca do colégio', era o que eles diziam.

"Tudo o que eu queria eram mulheres, dinheiro e roupas. Eu costumava praticar pequenos furtos, como cigarros. Íamos em lojas vazias, quando o sujeito estava na parte da casa, na parte de trás da loja, e pegávamos alguns antes que ele voltasse. Por anos, o que eu queria da vida eram 100 libras. Achava que com isso eu conseguiria uma casa, uma guitarra e um carro. Então, se dinheiro estivesse na jogada, eu teria pirado."

Paul, no entanto, não era tão inútil na escola. Em 1953, ele ganhou um prêmio por uma redação - um prêmio especial em comemoração à coroação da rainha, um livro chamado Seven Queens of England, de autoria de Geoffrey Trease, publicado pela Heinemann, que ele tem até hoje. Ele sempre tirou boas notas em suas redações. "Eu me lembro de um inspetor da escola uma vez me perguntando como eu consegui escrever uma redação tão técnica sobre espeleologia. Eu tinha ouvido tudo a esse respeito com fones de ouvido na cama. Era maravilhoso poder ficar na cama ouvindo o rádio. Isso fazia coisas incríveis com a imaginação."

Jim havia instalado fones de ouvido do lado da cama para cada um deles em uma tentativa de mandá-los para a cama cedo, mantê-los lá e fazer com que eles parassem de brigar. Eles brigavam muito, mas não mais do que a maioria dos irmãos. Michael costumava chamar Paul de gordo para irritá-lo. "Ele tinha sido um bebê lindo, com grandes olhos e cílios compridos", diz Jim. "As pessoas costumavam dizer: 'Oh, ele vai partir o coração de todas as garotas um dia', mas, no começo da adolescência, ele passou por uma fase gordinha."

Os McCartney se mudaram de Ardwick quando Paul tinha por volta de 13 anos. Sua mãe havia desistido de ser parteira, embora, mais tarde, tivesse voltado a ser enfermeira domiciliar.

Eles conseguiram uma casa popular no número 20 da rua Forthlin Road, em Allerton, onde Paul passou sua juventude dali em diante. Ficava no meio de uma série de casas baixas e era um pouco pequena e insignificante, mas arrumada e limpa. Menlove Avenue ficava a apenas três quilômetros de distância.

Fazia pouco tempo que eles moravam em Forthlin Road - Paul tinha apenas 14 anos - quando sua mãe de repente começou a sentir dores no peito. Elas continuaram por três ou quatro semanas, indo e vindo, mas ela culpava a menopausa. Ela tinha 45 anos na época.

"Deve ser a mudança", dizia ela para Jim. Ela falou com vários médicos, mas eles concordaram que devia ser isso mesmo e falaram para ela esquecer o assunto. Contudo, ela continuou a sentir dores, cada vez mais fortes.

Um dia, Michael entrou em casa de repente e a encontrou chorando. Ele achou que era porque ele e Paul haviam feito algo que não deviam. "Nós podíamos ser terríveis..." Mas ele nunca perguntou o motivo, e ela também nunca lhes contou. Mas, dessa vez, ela decidiu ir consultar um especialista, que diagnosticou um câncer. Eles a operaram e ela morreu. Tudo aconteceu em cerca de um mês a partir do momento em que ela sentiu a primeira dor forte.

"Isso me derrubou", diz Jim. "Eu não conseguia entender. Foi terrível para os meninos, especialmente para o Michael, que tinha apenas 12 anos e era muito apegado a ela. Eles não ficaram arrasados imediatamente ou algo do tipo, a morte dela os atingiu bem devagar." "Não me lembro dos detalhes do dia em que nos deram a notícia", diz Michael. "Tudo de que me lembro é que um de nós, não me lembro quem, fez uma piada idiota. Por meses nós dois nos arrependemos disso."

Paul se lembra quem foi. "Fui eu. A primeira coisa que eu disse foi: 'O que nós vamos fazer sem o dinheiro dela?'." Mas ambos choraram sozinhos em suas camas naquela noite. Por dias, Paul rezou para que ela voltasse. "Orações bobas, sabe, daquele tipo 'Se você trouxer ela de volta, eu vou ser muito, muito bom para sempre'. Eu achava que mostrava como religião é uma coisa estúpida. 'Viu, as orações não funcionaram quando eu precisei delas.'"

[...]

*

THE BEATLES
AUTOR Hunter Davies
EDITORA Best Seller
QUANTO R$ 54,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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