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01/09/2015 - 11h23

Hitler assistiu 'O Grande Ditador' em cinema particular

da Livraria da Folha

Em "O Grande Ditador", um dos maiores clássicos de Charlie Chaplin, um barbeiro judeu luta na Primeira Guerra Mundial em nome da Tomânia, um país fictício da Europa. Após sofrer um acidente de avião, o barbeiro perde a memória e passa 20 anos no hospital.

Divulgação
Livro revela um lado do conflito repleto de histórias inusitadas, personagens incríveis e feitos absurdos
Livro revela um lado do conflito repleto de histórias inusitadas, personagens incríveis e feitos absurdos

Quando ele acorda, o país está completamente diferente: no poder, há um ditador que persegue judeus chamado Adenoid Hynkel, que manda e desmanda ao lado dos ministros Herring e Garbitsch e se torna aliado de Benzino Napoleoni. Por sua semelhança, o barbeiro e o ditador são confundidos e trocam de lugar, dando início a uma série de situações cômicas.

É de se esperar que Adolf Hitler não gostasse nem um pouco da sátira produzida pelo cineasta em que Hynkel é Hitler, Garbitsch é Goebbels, Herring é Göring e Napoleoni é Mussolini.

Porém, não foi isso o que aconteceu. É o que revela Otavio Cohen em "História Bizarra da 2ª Guerra Mundial", que apresenta ao leitor o outro lado do conflito: um lado repleto de histórias inusitadas, personagens incríveis e feitos absurdos.

Contrariando todas as expectativas, o Führer não só gostou do filme, como o assistiu duas vezes em seu cinema particular. "Segundo relatos de testemunhas e dos registros revelados no Julgamento de Nuremberg, Hitler gostou bastante das partes do filme que fazem referência à baixa estatura de Benito Mussolini".

Apesar da aparente aprovação de Hitler, o Partido Nazista decretou Chaplin inimigo da Alemanha e tentou impedir que a população do país assistisse ao filme que "transformava o Reich num circo de personagens excêntricos e bobos".

"O Grande Ditador" também foi banido em diversas cidades dos Estados Unidos, já que muitos norte-americanos não queriam que o país se envolvesse demais no conflito, que, naquele momento, tomava proporções gigantescas do outro lado do Atlântico. Contudo, o ataque a Pearl Harbor mudou tudo e selou de vez a entrada do país na guerra.

Leia também: Chaplin escreve sobre ameaças que recebeu após 'O Grande Ditador'

"A partir daquele momento, o que os norte-americanos mais queriam era motivo para odiar a aliança entre alemães, italianos e japoneses", explica Cohen.

Nem todo mundo odiou "O Grande Ditador". Alguns soldados da ocupação nazista em Belgrado, na antiga Iugoslávia, tiveram a chance de assistir ao filme na clandestinidade - um momento de lazer proporcionado por um jovem cabo iugoslavo que trabalhava numa distribuidora de filmes.

"Ele enviou o filme para o setor de entretenimento do exército nazista com um nome falso, e deve ter se divertido bastante com a história quando viu que seu plano tinha dado certo", finaliza o autor.

Otavio Cohen nasceu em Guaranésia, em Minas Gerais. Trabalhou em diversas editorias do jornal "Estado de Minas" e colaborou com o site "Cinema em Cena". Em 2011, assumiu o site e as redes sociais da revista "Superinteressante", onde participou da criação e execução de jogos e de infográficos multimídia e escreveu grandes reportagens.

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HISTÓRIA BIZARRA DA 2ª GUERRA MUNDIAL
AUTOR Otavio Cohen
EDITORA Planeta
QUANTO R$ 33,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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