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17/10/2015 - 18h45

Fundadora e CEO da Nasty Gal revela que era ladra e funcionária preguiçosa

da Livraria da Folha

Divulgação
Hoje executiva milionária, Sophia Amoruso costumava furtar lojas, viajava de carona e revirava caçambas de lixo
Hoje executiva milionária, Sophia Amoruso costumava furtar lojas, viajava de carona e revirava caçambas de lixo

Durante a adolescência, Sophia Amoruso viajava de carona, furtava lojas e revirava caçambas de lixo. Quando começou a vender roupas de brechó no eBay, ela mal podia imaginar que oito anos depois seria a fundadora, CEO e diretora criativa da Nasty Gal, uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares com um time de 350 funcionários.

Em "#GIRLBOSS", ela conta como sua primeira venda virtual foi um livro roubado, relembra a necessidade de encontrar um emprego por causa do seguro-saúde - ela tinha hérnia - e como, nas horas vagas do trabalho, abriu a loja que mudou sua vida.

Além da história de Sophia, o livro cobre vários outros assuntos e prova que ser bem-sucedido não tem nada a ver com a sua popularidade; o sucesso tem mais a ver com confiar nos seus instintos e seguir a sua intuição.

Amoruso ainda dá dicas para quem pretende ingressar no mercado de trabalho ou cuidar do próprio negócio.

Abaixo, leia um trecho do livro.

*

Quer dizer que você quer ser uma #GIRLBOSS? Vou começar dizendo duas coisas. Primeiro: Que ótimo! Você já deu o primeiro passo na direção de uma vida incrível simplesmente por querer essa vida. Segundo: Esse é o único passo que vai ser fácil. Tem uma coisa importante sobre ser uma #GIRLBOSS - não é fácil. É preciso trabalhar muito para chegar lá. Mas, afinal, quem tem medo de trabalhar muito? Eu sem dúvida nenhuma não tenho, e tenho certeza que você também não. Ou, se tiver, tenho certeza que este livro vai fazer você mudar de ideia de modo que, no fim do último capítulo, você vai estar praticamente gritando: "Onde tem trabalho?! Eu quero trabalho e quero começar já!"

Uma #GIRLBOSS é alguém que é responsável pela própria vida. Ela consegue o que quer porque trabalha para isso. Como #GIRLBOSS, você assume o controle e aceita a responsabilidade. Você é uma lutadora - sabe quando dar o soco e como receber o golpe. Às vezes você descumpre as regras, às vezes você obedece, mas nas condições que você estabelece. Você sabe aonde vai, mas não consegue ir sem se divertir no caminho. Você valoriza mais a honestidade que a perfeição. Você faz perguntas. Você leva a vida a sério, mas não se leva a sério demais. Você vai ter que dominar o mundo e modificá-lo no processo. Você é foda.

Por que você deveria me ouvir?
As mulheres são anarquistas e revolucionárias por natureza. - Kim Gordon

Se houvesse regras para ser uma #GIRLBOSS - e não há - uma delas seria questionar tudo - inclusive a mim. Estamos definitivamente começando bem.

Eu sou a fundadora, CEO e diretora criativa da Nasty Gal. Eu desenvolvi essa empresa sozinha em apenas sete curtos anos, e tudo antes de completar trinta anos. Eu não tenho uma origem rica nem estudei em escolas renomadas e não tive nenhum adulto me dizendo o que fazer no caminho. Eu descobri sozinha. A Nasty Gal recebeu muita atenção da imprensa, mas a história costuma ser contada como um conto de fadas. Menina ingênua e sagaz que passa de gata borralheira a Cinderela? Confere. Príncipe Encantado? Se estivermos falando do meu investidor, Danny Rimer, da Index Ventures, confere. Muitos sapatos? Confere. E não me incomoda - imprensa é ótimo - mas eu tomo cuidado para não reforçar a percepção de que tudo isso aconteceu do dia para a noite e que simplesmente aconteceu comigo. Não me leve a mal: Sou a primeira a admitir que tive sorte em muitos aspectos, mas tenho que enfatizar que nada disso foi um acidente. Foram necessários anos vivendo com as unhas sujas de escavações entre peças de brechós, algumas queimaduras dolorosas ao passar roupas e muitos lenços de papel velhos, escondidos no bolso do casaco, para conseguir chegar lá.

Não faz muito tempo, alguém me disse que eu tinha a obrigação de levar a Nasty Gal o mais longe possível porque sou um modelo para as meninas que querem fazer coisas legais com a própria vida. Ainda não sei como me sentir em relação a isso porque, durante a maior parte da minha vida, eu nem sequer acreditava no conceito de alguém ser um modelo para os outros. Não quero ser colocada num pedestal. Seja como for, eu tenho TDA demais para ficar lá em cima: prefiro estar fazendo bagunças e fazendo história ao mesmo tempo. Não quero você, #GIRLBOSS, admirando algo que está no alto, porque isso pode manter você embaixo. A energia que você vai gastar focando na vida de outra pessoa é mais bem gasta trabalhando sozinha. Seja apenas o seu próprio ídolo.

Estou contando a minha história para você lembrar que se manter na linha não é o único caminho para o sucesso. Como você verá no resto do livro, eu não recebi muitos elogios e louvores quando estava crescendo. Já larguei a escola, já fui nômade, ladra, uma porcaria de aluna e uma funcionária preguiçosa. Estava sempre metida em confusão quando criança. Desde socar a barriga da minha melhor amiga quando ela derrubou a minha massinha (eu tinha quatro anos) até ser dedurada por botar fogo num spray de cabelo numa reunião de família (culpada), era normal eu ser o mau exemplo. Quando adolescente, eu era um poço de ansiedade, e adulta, sou basicamente um Larry David de ascendência grega, jovem e de salto alto - incapaz de esconder desconforto, insatisfação e dúvida, não consigo deixar de ser eu mesma e tenho um excesso de sinceridade.

Tentei o trajeto óbvio de empregos pagos por hora e faculdade comunitária, e simplesmente nunca funcionou para mim. Havia tanto tempo que me diziam que o caminho para o sucesso era formado por uma série de lacunas que a pessoas vai ticando, começando com obter um diploma e arrumar um emprego, e à medida que eu ia tentando e falhando nesses itens, às vezes parecia que eu estava destinada a uma vida de fracasso. Mas sempre desconfiei que eu estava destinada, e era capaz de algo maior. Esse algo acabou sendo a Nasty Gal, mas quer saber? Eu não encontrei a Nasty Gal, eu a criei.

Abandone qualquer coisa da sua vida e dos seus hábitos que possa estar prendendo você. Aprenda a criar as suas próprias oportunidades. Saiba que não existe uma linha de chegada. A ação favorece a sorte. Corra com toda a sua força rumo à vida extraordinária com que você sempre sonhou, ou com a qual ainda não teve tempo de sonhar. E se prepare para se divertir até dizer chega no caminho.

O título deste livro é #GIRLBOSS.

Isso significa que se trata de um manifesto feminista?

Meu Deus. Acho que temos que falar sobre isso.

#GIRLBOSS é um livro feminista e a Nasty Gal é uma empresa feminista no sentido que eu encorajo você, enquanto menina, a ser quem você quiser e fazer o que você quiser. Mas não estou aqui me referindo a nós como "womyn", nem culpando os homens por qualquer uma das minhas dificuldades ao longo do caminho.

Nunca na minha vida achei que ser mulher fosse algo que eu tivesse que superar. A minha mãe cresceu cozinhando e limpando a casa enquanto seus irmãos aproveitavam a infância. Na experiência da minha mãe, ser mulher era definitivamente uma desvantagem. Talvez porque o meu pai e a minha mãe trabalhavam em período integral ou porque eu não tinha irmãos, nunca presenciei esse tipo de favoritismo. Sei que gerações de mulheres lutaram pelos direitos que eu aceito sem me dar conta do devido valor, e que em algumas partes do mundo nunca se teria acesso a um livro como este. Eu acredito que a melhor forma de honrar o passado e o futuro dos direitos das mulheres é botando a mão na massa. Em vez de ficar sentada, falando sobre como eu me importo, vou arrebentar e provar.

A minha primeira reação a quase tudo na vida tem sido "não". Para que eu aprecie as coisas de forma completa, tenho que rejeitar primeiro. Pode chamar de teimosia, mas é o único jeito com que consigo tornar algo meu - convidá-lo para o meu mundo em vez de receber de mão beijada. Aos dezessete anos, eu escolhi ter as pernas peludas em vez de usar salto alto e tinha hábitos de higiene que poderiam ser mais bem descritos como "punk cascão". Eu usava roupas masculinas que comprava no Wal-Mart. Nas raras ocasiões em que um cara abria a porta para mim, eu recusava, ofendida, tipo "Eu consigo abrir a porta sozinha, muito obrigada!" E sejamos honestas, isso não é ser feminista, é somente ser grossa.

Hoje eu sei que deixar alguém abrir a porta para mim não me torna nem um pouco menos independente. E quando uso maquiagem, não estou fazendo isso para me encaixar nos ideais patriarcais de beleza feminina. Faço isso porque me faz sentir bem. Esse é o espírito da Nasty Gal: Queremos que você se vista para você mesma e saiba que não é superficial se dedicar à própria aparência. Estou lhe dizendo que você não precisa escolher entre ser inteligente e ser sexy. Você pode ter as duas coisas. Você é as duas coisas.

Hoje temos uma nova era do feminismo em que não precisamos falar no assunto? Eu não sei, mas quero fingir que sim. Não vou mentir - é ofensivo ser elogiada por ser uma mulher sem diploma universitário. Por outro lado, também tenho consciência de que eu me beneficio com isso: Posso comparecer a uma reunião e deixar as pessoas de queixo caído simplesmente sendo eu mesma, uma pessoa educada nas ruas. Eu, assim como outras inúmeras meninas que ainda vão se tornar uma #GIRLBOSS, não faremos isso nos lamentando - mas lutando. As pessoas não levam você a sério por que você pede para ser levada a sério. Você tem que dar as caras e arrebentar. Se este é um mundo dos homens, quem se importa? Ainda assim, sou muito feliz de ser uma garota neste mundo.

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#GIRLBOSS
AUTOR Sophia Amoruso
TRADUTOR Ludimila Hashimoto
EDITORA Seoman
QUANTO R$ 33,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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