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24/11/2015 - 16h40

Meg Cabot comemora os 15 anos de 'O Diário da Princesa' com novo livro; leia entrevista

NILSEN SILVA
da Livraria da Folha

Mia Thermopolis já não é mais a adolescente insegura de "O Diário da Princesa". A princesa de Genovia, que já passou poucas e boas com as aulas de álgebra e roeu as unhas pela possibilidade de perder o namorado para uma garota mais inteligente, cresceu. Agora, aos 25 anos, ela contorna escândalos políticos enquanto se pergunta: será que chegou a hora de casar com Michael Moscovitz?

Para quem cresceu lendo a história de Mia, 2015 é um ano cheio de nostalgia. Isso porque um novo livro da série chegou, recentemente, às livrarias. Em "O Casamento da Princesa", Meg Cabot traz à tona os personagens mais queridos pelos fãs em uma trama cheia de reviravoltas e surpresas. E, claro, muitas referências à cultura pop. Se o sonho de consumo de Mia aos 14 anos era ganhar um pager, agora ela faz maratonas de "Star Trek" no Netflix e recorre ao Google para qualquer coisa. Os tempos mudam, afinal de contas.

Este ano também marca o aniversário de 15 anos do lançamento do primeiro livro da série. A editora Galera Record não hesitou em preparar um presente aos leitores brasileiros: o livro ganhou uma edição comemorativa com capa dura forrada com tecido e um prefácio escrito por Paula Pimenta, autora da série "Fazendo Meu Filme" e fã assumida da escritora.

Em entrevista à Livraria da Folha, Meg Cabot explica que os fãs foram os responsáveis por manter viva a ideia de uma continuação. Ela ressalta que, quando finalizou a série - o último livro foi publicado nos Estados Unidos em 2009 -, ela achou que aquele havia sido o ponto final. Mas ela continuou ouvindo perguntas de leitores que queriam saber o que Mia estaria fazendo hoje em dia.

"Eu acabei ficando curiosa [...] Aí, há alguns anos, eu assisti o casamento real do príncipe William e da princesa Kate. O casamento foi tão lindo e ocorreu sem nenhuma complicação! Eu sabia que se Michael e Mia tivessem um casamento real, eles não teriam a mesma sorte. Então eu tive que escrever esse livro".

Para dar continuidade à história de Mia sem cobranças, a escritora explica que tirou um ano sabático, mas na verdade aproveitou o intervalo para escrever o novo livro. "Eu não contei a ninguém, nem ao meu editor ou ao meu agente, que eu estava escrevendo essa história até ela estar quase finalizada. Então não me senti pressionada... até agora", brinca.

Voltar ao universo de vestidos longos e bailes reais, mesmo depois de tanto tempo, não foi um desafio. Meg explica que, como também já teve 25 anos um dia, foi fácil retomar o ritmo do diário de Mia.

Ela ressalta a importância de manter contato com os fãs nas redes sociais. "Muitas garotas mais novas que leram 'O Diário da Princesa' agora são mulheres que conversam comigo nas redes sociais. Isso me ajudou a desenvolver uma personagem que divide as mesmas preocupações da mulher contemporânea - com a exceção de que ela é uma princesa".

Em "O Casamento da Princesa", Mia já se formou na faculdade, foi morar em Nova York, coordena um centro comunitário para adolescentes, está cheia de compromissos reais na agenda e é assediada diariamente pela imprensa. O livro também apresenta uma nova personagem da família de Mia que, em breve, será protagonista de uma nova série.

Divulgação
"O Casamento da Princesa" traz à tona os personagens mais queridos pelos fãs em uma trama cheia de surpresas
"O Casamento da Princesa" traz à tona os personagens mais queridos pelos fãs em uma trama cheia de surpresas

Embora tenha iniciado a carreira com livros históricos, entre eles "Um Amor Escandaloso" e "Proposta Inconveniente", que escreveu sob o pseudônimo Patricia Cabot, Meg se consolidou como um dos principais nomes da literatura YA. Em inglês, young adult, ou jovem-adulto, gênero literário que contempla os leitores entre 12 e 18 anos.

O gênero - que coleciona sucessos como "A Culpa É das Estrelas", "Jogos Vorazes" e "Cidade dos Ossos" - ainda é encarado por muitos críticos e leitores adultos como literatura superficial, de pouca qualidade.

Meg explica que dentro da literatura jovem-adulta existem diversos gêneros, entre eles mistério, romance, ficção-científica, não-ficção e suspense. O mesmo ocorre com a literatura adulta. Como os livros YA são escritos principalmente por mulheres, ela ressalta que existe certo grau de misoginia em relação aos livros.

"Geralmente esse tipo de esnobismo é feito por pessoas que não leram os livros. O melhor trabalho de ficção, em geral, costuma ser sobre pessoas que estão em um momento de suas vidas em que questionam quem são e o que querem da vida, e estão se esforçando para tornar o mundo um lugar melhor, de algum modo. Qualquer pessoa que menospreze uma história assim não é alguém com quem desejo me associar", opina.

Ela ainda compartilha um dado interessante: nos Estados Unidos, cerca de 65% dos leitores de literatura YA possuem mais de 18 anos.

O próximo grande lançamento da autora é o sétimo volume da série "A Mediadora". "Remembrance" será lançado em fevereiro nos Estados Unidos. No Brasil, o livro chegará às livrarias em junho. A série conta a história de Suzannah Simon, que tem o poder de ver almas penadas e a missão de ajudá-las a descansar em paz. O novo livro trará a personagem já adulta e preocupada em causar uma boa impressão no primeiro emprego depois da faculdade.

Para quem espera mais um filme com as aventuras de Mia, o futuro é incerto. Mas há algo que os fãs sempre podem esperar de Meg Cabot: ela vai continuar recorrendo aos diários da adolescência para buscar inspiração. "Todo mundo deveria escrever num diário, especialmente se você quiser ser um escritor. Apenas se certifique de mantê-lo escondido de irmãos e pais bisbilhoteiros", finaliza.

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