Saltar para o conteúdo principal
 
29/02/2016 - 13h04

Em 'Os Mortos', James Joyce descreve os cenários de Dublin com tom nostálgico

da Livraria da Folha

"Os Mortos" é o último dos 15 contos que compõem "Dublinenses", famosa antologia escrita pelo escritor irlandês James Joyce entre 1904 e 1907. O livro, lançado pela editora Autêntica em edição bilíngue, é considerado por muitos especialistas como o melhor da coletânea.

Divulgação
Autor traz narrativa permeada por um olhar afetivo e nostálgico à Irlanda, sem se afastar do ambiente de desesperança
Autor traz narrativa permeada por um olhar nostálgico à Irlanda, sem se afastar do ambiente de desesperança

Apresentando ao leitor a gélida atmosfera de Dublin do início do século 20, o autor traz uma narrativa permeada por um olhar afetivo e nostálgico à Irlanda. Ainda assim, ele não se afasta do ambiente de desesperança que pontua toda a coletânea.

James Joyce tinha apenas 25 anos quando escreveu "Os Mortos". Embora na época ele já tivesse publicado grandes clássicos como "Ulysses" e "Finnegans Wake", o livro traz inovações narrativas e linguísticas que deram ainda mais destaque ao escritor.

"Os Mortos" faz parte da coleção "Mimo", que reúne clássicos delicados. Entre eles está "O Sol e o Peixe", de Virginia Woolf. A edição inclui notas do tradutor Tomaz Tadeu e links para o Google Maps, dinamizando a experiência para o leitor, que pode consultar os lugares citados no texto.

Nascido em Dublin no dia 2 de fevereiro de 1882, James Augustine Aloysius Joyce foi um dos principais responsáveis pelo estilo que conhecemos como romance moderno. O escritor irlandês estudou medicina em Paris, mas abandonou o curso para dedicar-se à literatura e ao ensino.

Publicado em 1922, "Ulysses" é inspirado na "Odisseia". No título, Bloom -como Ulisses de Homero- precisa superar numerosos obstáculos para voltar ao seu apartamento na rua Eccles, onde sua mulher o espera.

Em "Retrato do Artista Quando Jovem", usa sistematicamente o monólogo interior para debater as convenções da Igreja Católica, da escola e da sociedade.

Abaixo, leia um trecho de "Os Mortos".

*

Ela ia, à frente dele, tão leve e tão aprumada que ele morria de desejo de persegui-la em silêncio, agarrá-la pelos ombros e dizer-lhe ao ouvido algo tolo e carinhoso. Ela lhe parecia tão frágil que ele morria de desejo de defendê-la contra algo e depois ficar a sós com ela. Momentos íntimos da vida em comum explodiam como estrelas em sua memória. Havia um envelope da cor de heliotrópio ao lado da xícara do café da manhã e ele o acariciava com a mão. Pássaros piavam na hera e a trama banhada de sol da cortina jogava reflexos no chão: tamanha era a felicidade que ele não conseguia comer. Estavam na plataforma apinhada e ele enfiava um bilhete de trem dentro da palma morna de sua luva. Estava com ela no frio espiando por uma janela gradeada um homem fazendo garrafas numa fornalha crepitante. Fazia muito frio.

Associated Press
O escritor irlandês James Joyce, que assina clássicos como "Ulysses" e "Retrato do Artista Quando Jovem"
O escritor irlandês James Joyce, que assina clássicos como "Ulysses" e "Retrato do Artista Quando Jovem"

*

OS MORTOS
AUTOR James Joyce
TRADUTOR Tomaz Tadeu
EDITORA Autêntica
QUANTO R$ 39,90 (preço promocional *)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página