Saltar para o conteúdo principal
 
04/03/2016 - 11h08

Para jornalista, Lava Jato tem caráter seletivo e pode ser usada para fins políticos

da Livraria da Folha

Depois de escrever "A Outra História do Mensalão", o jornalista Paulo Moreira Leite decidiu investigar os bastidores da operação Lava Jato. O resultado foi o livro "A Outra História da Lava-Jato", também publicado pela Geração Editorial.

Em 'Que Horas Ela Vai?', jornalista apresenta boletim de ocorrência do governo Dilma

Divulgação
Em 416 páginas e com muito criticismo, jornalista retrata as conexões nem sempre evidentes entre política e justiça
Em 416 páginas e com muito criticismo, jornalista retrata as conexões nem sempre evidentes entre política e justiça

Em 416 páginas e com o criticismo que marcou seus 40 anos de carreira, ele retrata as conexões nem sempre evidentes entre política e justiça, definindo a investigação sobre corrupção na Petrobrás como uma apuração necessária sobre uma empresa que, com os anos, virou motivo de orgulho para muitos brasileiros.

Além disso, ele destaca o caráter seletivo da investigação, que pode ser usada para fins políticos.

O livro apresenta uma introdução de 60 páginas e 45 artigos escritos no calor dos acontecimentos. Na contracapa, a edição traz uma curta recomendação do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal: "É ler para crer".

Em "A Outra História do Mensalão", o jornalista argumenta que os acusados já estavam condenados antes mesmo de o julgamento ter início. O livro apresenta 37 capítulos com os artigos escritos durante os quatro meses e 53 sessões no STF.

Abaixo, confira o prefácio escrito pelo cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.

*

Desde junho de 2013 a política brasileira lembra um filme de ação com disputas em alta velocidade, companheirismos inesperados, traições e reviravoltas fulminantes. Inspirado no sucesso de público do julgamento da Ação Penal 470, o Judiciário não renunciou mais a tentação dos holofotes. E inédita a frequência com que magistrados de todas as instâncias e amparo institucional deitam falação a repórteres de jornais, revistas e canais de televisão. São diários os boletins de ocorrência nos mais variados juizados, contendo depoimentos, comentários dos responsáveis por estes, anúncios de novos capítulos, prejulgamentos e controvérsias sem fim. Mais do que uma "judicialização" da política, assiste-se a uma espetacularização da Justiça, com a assídua contribuição de ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é por acaso que grande parte dos artigos aqui reunidos tenha figuras e assuntos do Judiciário como temas. A política vem sendo filtrada pelos processos civis e criminais em andamento, estando subordinados ao desenlace, como em filme, agora de suspense, os destinos de bom número de personagens da vida pública.

Se o rosário de temas judiciais não é casual, também não parece sê-lo a estranha coincidência de acusações apressadas tendo sempre por acusados os participantes da esquerda política, o Partido dos Trabalhadores e partidos que, oficialmente, apoiam o atual governo da presidente Dilma Rousseff. À meia-boca, no início, agentes do ministério público, da Polícia Federal e da própria reserva de magistrados evoluíram para acusações peremptórias, mas não menos precipitadas, e de sotaque definitivamente partidário, contra o governo. O rigor do julgamento a ser realizado, bem como a tão exaustiva quanto possível coleta de material comprobatório de culpabilidades, não deve ser confundido com o preconceito investigativo e o desejo malcontido de associar partidos e administrações trabalhistas a uma tipologia de crimes. A preferência partidária dos agentes públicos não é pecaminosa, antes revela atenção aos assuntos de interesse da comunidade. Mas se não dispõe de autocontrole para manter isenta investigação ou juízo sobre terceiros, e então evidente que frauda o exercício correto da autoridade pela qual responde. O exercício irresponsável da autoridade macula os aparelhos encarregados de preservá-la.

Seria até legítimo acentuar a falta de compostura de alguns agentes. Mas a consequência mais nefasta desse comportamento tem sido o exemplo de permissividade a contaminar as manifestações públicas de grupos insatisfeitos com o governo, com algum partido ou com a vida em geral. A intolerância dogmática irrompeu nas ruas de forma surpreendente e a violência material aleatória foi recepcionada com complacência pela mídia tradicional, especialmente quando era plausível fazer uma conexão entre a anarquia e críticas ao governo. Em vários artigos, o leitor encontrara a denuncia da inclinação fascistoide desses soluços de violência, apurando as referencias a que se prendem e os beneficiários das correrias e destruições. É importante consignar que, como em qualquer sociedade, também no Brasil o uso do poder e pedagógico. Atualmente, a pedagogia predominante no país é a do arbítrio.

Curiosa e reveladora e a constância com que relevantes temas, como a eleição presidencial, e de repercussão internacional, como a Copa de 2014, comparecem ao exame atento do articulista. E que os eventos marcantes da vida política brasileira tem estado, na verdade, sub judice, e ainda não cessaram as tentativas oposicionistas de substituir a derrota eleitoral por uma vitória via Judiciário ou submissão parlamentar. O registro apurado do que é pepita cotidiana, em seu significado e poder causal, é a marca do jornalismo político refinado. Este prefaciador dá testemunho do quanto tem se aproveitado dos resultados da profissão bem-exercida por Paulo Moreira Leite.

*

A OUTRA HISTÓRIA DA LAVA-JATO
AUTOR Paulo Moreira Leite
EDITORA Geração Editorial
QUANTO R$ 33,90 (preço promocional *)
E-BOOK R$ 19,90 *

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página