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14/11/2016 - 10h40

Livro mostra como funciona o mecanismo da procrastinação; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Psicólogo e professor da USP, Cristiano Nabuco propõe em livro reflexões sobre questões do dia a dia
Psicólogo e professor da USP, Cristiano Nabuco propõe em livro reflexões sobre questões do dia a dia

Psicólogo e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Cristiano Nabuco de Abreu reflete sobre o funcionamento do mecanismo da procrastinação no livro "Psicologia do Cotidiano".

Na obra lançada pela editora Artmed o autor aborda aspectos de como vivemos, pensamos e nos relacionamos hoje em dia.

Com o intuito de simplificar a vida dos leitores, Nabuco busca uma maneira descomplicada de travar um diálogo a fim de estimular novas reflexões sobre questões do mundo atual.

Como lidamos com a tecnologia, o excesso de trabalho, a insegurança e até as condições de nossas contas bancárias são alguns dos temas, desenvolvidos em 94 capítulos curtos.

Nabuco se utiliza das pesquisas mais recentes da área para tratar de assuntos como relacionamentos, filhos, felicidade, o uso exagerado de tecnologia, redes sociais, tatuagens, corrupção, amor, descontrole alimentar, família entre outros.

Leia abaixo o capítulo do livro que fala sobre a procrastinação.

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MANIA DE DEIXAR TUDO PARA DEPOIS? ENTENDA O MECANISMO DA PROCRASTINAÇÃO

Todos nós, invariavelmente, fazemos planos para modificar nossas vidas. Isso inclui se matricular em uma academia, ler determinado livro, fazer certo exame de saúde ou tentar se planejar financeiramente e, no caso de situações mais corriqueiras, resolver problemas menores do cotidiano (como reorganizar aquela estante ou gaveta que acumula todo tipo de objetos e papéis).

Mas usamos quase sempre a mesma desculpa: amanhã ou no próximo fim de semana, finalmente, resolveremos. Dessa forma, passam-se dias, semanas ou até meses, e nossa lista apenas aumenta, e as pendências se acumulam.

Caso você ainda não saiba, isso tem um nome: chama-se procrastinação. Trata-se do ato de deixar para depois, adiar resoluções que precisariam ser tomadas no presente.

Além de atrapalhar as engrenagens que compõem nosso processo natural de vida, a procrastinação torna-se um verdadeiro problema. E olha que não sai barato, pois acabamos, muitas vezes, levando também esses hábitos para a nossa vida profissional.

Sabe o que é o pior? Tal "vício" acaba por criar embaraços à nossa autoestima, pois, ao pensarmos no dever inconcluso, inevitavelmente também nos deparamos com uma boa dose de arrependimento, resultado de nossa inércia.

Mas, afinal, por que fazemos isso?

Uma pesquisa feita na Alemanha tentou responder a essa questão, analisando a forma como pensamos a respeito de determinada tarefa e como a tendência de postergar as coisas com frequência domina o nosso pensamento.

Basicamente, o estudo descobriu que, muitas vezes, sem notar, acabamos distorcendo a percepção do tempo necessário para resolver algo, por isso achamos que vamos precisar de menos tempo, minimizando a importância da resolução imediata.

Dessa forma, o estudo fez a seguinte experiência: solicitou aos participantes da pesquisa que se dividissem em dois grupos. O primeiro deveria escrever a respeito de como realizar determinada tarefa (qual seria a forma ideal de limpar uma sala após uma festa, por exemplo), enquanto o outro grupo foi questionado sobre quais seriam as ações imediatas, o passo a passo, da realização. Então, os dois grupos partiram para a execução.

A conclusão foi bem interessante.

Aqueles que passaram mais tempo pensando sobre o conjunto das coisas (o primeiro grupo) foi o que levou mais tempo para iniciar o trabalho, pois se detiveram muito mais no planejamento, isto é, na elaboração das medidas de ação. Entretanto, aqueles que pensaram mais no passo a passo (o segundo grupo) rapidamente acabaram se engajando na resolução imediata do problema.

A conclusão observada foi a de que pensar nas tarefas de maneira mais resoluta reduziu a procrastinação e o tempo de resposta. Além disso, complementaram os autores, as pessoas se tornaram mais organizadas para a ação.

PREGUIÇA OU RECEIO?

Vale lembrar que o procrastinador, muitas vezes, também tem medo que o resultado de seu trabalho venha a sofrer uma avaliação pública. Assim, rapidamente aparecem os bloqueios de execução e a decisão de, por enquanto, não fazer nada. Dessa forma, tais pessoas, quando questionadas, apresentaram várias desculpas para sua ineficiência - muitas vezes externas, como falta de tempo, carência de habilidades ou poucos recursos econômicos.

O problema é que, na maioria das vezes, isso se torna uma bola de neve, e as pessoas - na pressão sofrida pela falta de andamento - acabam desempenhando suas atividades de maneira improvisada, o que, obviamente, leva à baixa qualidade. Assim, um círculo vicioso (evitativo) é instaurado.

Então, muitas vezes, a pessoa joga o trabalho para adiante com a desculpa de que precisa de mais tempo para realizá-lo e diz: "na semana que vem, eu farei isso com mais calma", mas nem por isso o realiza ou o faz de melhor maneira.

CONCLUSÃO

Lembre-se de que não há nada de errado em procrastinar uma vez ou outra. Entretanto, o problema começa quando isso se torna crônico e passamos a adiar frequentemente coisas que não poderiam ser adiadas.

Assim, se você tem problemas de procrastinação - ficar enrolando -, tente criar lista(s) de execução do tipo passo a passo e ir "ticando" cada vez que uma parte do projeto for realizada. Se tiver uma agenda, atualize as listas a cada dia. Usar lembretes também é um ótimo recurso.

Dessa forma, seu senso de urgência vai ficar mais apurado e seguramente você terá mais controle de seus projetos de vida.

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PSICOLOGIA DO COTIDIANO
AUTOR Cristiano Nabuco de Abreu
EDITORA Artmed
QUANTO R$ 53,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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