Saltar para o conteúdo principal
 
01/01/2017 - 17h10

'Um Ano Inesquecível' apresenta histórias escritas por autoras de livros juvenis

da Livraria da Folha

Muitos dizem que os melhores momentos da vida são vividos na adolescência. Em uma época cheia de mudanças - e primeiros amores, encontros, festas e viagens -, são sempre os instantes inesperados que transformam um dia comum em uma lembrança especial.

"Um Ano Inesquecível" é um livro sobre esses momentos marcantes que não podem ser apagados da memória com tanta facilidade. Assinado por quatro autoras queridas entre o público jovem - Paula Pimenta, Bruna Vieira, Babi Dewet e Thalita Rebouças - a obra apresenta quatro personagens que vivem experiências e sentimentos intensos ao longo das quatro estações do ano.

Divulgação
Livro traz protagonistas que vivem experiências e sentimentos intensos durante as quatro estações do ano
Livro traz protagonistas que vivem experiências e sentimentos intensos durante as quatro estações do ano

No livro, Paula Pimenta traz uma história sobre uma viagem de inverno. Babi Dewet conta como um outono pode mudar tudo. Bruna Vieira mostra a paixão brotando com a primavera. E Thalita Rebouças narra um intenso amor de verão.

Paula Pimenta começou sua carreira literária em 2001. Formada em publicidade, trabalhou na Rede Minas como produtora do programa Brasil das Gerais e como assessora de marketing no Minascentro. É autora das séries "Fazendo Meu Filme" e "Minha Vida Fora de Série".

Dona do maior blog voltado para o público adolescente do Brasil, o Depois dos Quinze, Bruna Vieira alcançou o sucesso pouco a pouco. Aos 15 anos, ela sofreu uma desilusão amorosa e decidiu usar as palavras para superar o trauma, criando o blog que fez sua vida mudar. Hoje blogueira e escritora, Bruna Vieira soma acessos que passam dos 10 milhões e recentemente atingiu a marca de 1 milhão de seguidores em seu perfil no Instagram.

Babi Dewet nasceu no Rio de Janeiro e é formada em Cinema. Começou a sua carreira escrevendo fanfics e publicou a trilogia "Sábado à Noite" em 2014. Amante de música, é apresentadora de shows e eventos de cultura coreana e pop, e possui um canal no YouTube sobre KPop e livros, além de fazer parte da equipe de vídeos do DramaFever.

Thalita Rebouças é jornalista de formação, mas abandonou as redações para batalhar por seu sonho de ser escritora, que tinha desde criança. Aos 25 anos, publicou seu primeiro livro, "Traição Entre Amigas" e, ao longo de 15 anos de carreira, a autora publicou 19 títulos, teve suas obras traduzidas no exterior e vendeu mais de 1.5 milhão de livros.

Abaixo, leia um trecho do conto escrito por Paula Pimenta.

*

Acordei no dia seguinte me sentindo bem mais animada. Eu ainda estava com a garganta meio dolorida, mas a gripe tinha passado quase totalmente. Olhei para a cama ao lado e vi que o Dudu não estava lá, provavelmente tinha ido para o quarto dos meus pais, então me espreguicei e comecei a me lembrar dos acontecimentos da noite anterior.

Depois de descermos do terraço, fomos direto para o pub, que realmente estava bem cheio. A maioria das pessoas era mais velha, mas o Ben me levou direto para uma mesa onde estavam algumas da nossa idade. Quer dizer, da idade dele. Eu certamente era a mais nova ali.

Logo notei que o grupo era todo de brasileiros. Os primos dele estavam lá, além de alguns garotos que eu já tinha visto no café da manha do meu hotel e também algumas meninas. Assim que viram o Ben, começaram a falar alto, vibrando por ele ter chegado e perguntando por que tinha demorado tanto. Percebi que ele era muito querido por ali. Ele me apresentou rapidamente para todos, que pelo visto já sabiam sobre a minha peripécia na neve... Algumas meninas vieram me perguntar como eu havia tido coragem de ir tão alto, outras me alertaram para nunca subir em um teleférico sem saber para onde ele ia... Aos poucos fui entendendo que aquele era um grupo de amigos que passava todas as férias ali. Os pais da maioria deles esquiava - profissionalmente ou por hobby - então todos os anos eles se reencontravam. Fiquei sabendo também que, no dia em que eu tinha chegado, o Ben havia ido a Santiago apenas para encontrar os primos no aeroporto, pois ele já estava ali desde o começo do mês.

"Nos estávamos no mesmo voo que você", o Glauco, um dos primos, me contou. "Alias, te vimos no aeroporto em São Paulo e ate comentamos que, com aquele vestido curtinho você devia estar indo para o hemisfério norte, onde agora e verão... Ficamos surpresos quando entrou no mesmo avião que a gente!"

"Ahhhh, Glauco... Quer dizer que notou a menina ainda no aeroporto...", uma das garotas, de quem eu não lembrava o nome, brincou.

Fiquei envergonhada, mas o outro primo, que se chamava Adriano, explicou: "O irmao dela inventou de jogar futebol em plena sala de embarque, ela estava tentando ler e toda hora ele jogava a bola em cima dela, querendo atenção.

Os pais deles estavam resolvendo alguma coisa no guichê da companhia aérea, então foi a Mabel que tomou a bola do menino. Nos ate brincamos que ela era uma santa, pois eu estava vendo a hora que aquela bola ia voar no café que estávamos tomando! Mas acho que irmão dela deve ter aprontado mais depois, porque tanto no avião quanto ônibus ela ficou com a maior cara de emburrada.".

"Por isso, quando chegamos aqui e vimos que ela estava naquela área de recreação que tem entre os hotéis, digitando alguma coisa no celular, resolvemos jogar umas bolinhas de neve nela, só pra descontrair, pra ver se ela ia toma-las da gente também! Era só uma brincadeira, mas ela apelou total, começou a xingar...", o Glauco esclareceu. "A Mabel e muito brava, já estou avisando pra ninguém deixa-la nervosa, viu?"

Todo mundo achou graça, mas eu fingi estar realmente brava e falei: "Ah, então foi por isso que vocês ficaram jogando neve em mim! Fiquei de castigo por causa disso, sabia?".

Uma das meninas, que ate aquele momento estava apenas ouvindo a conversa, falou: "Nossa, você ainda fica de castigo... Quantos anos tem?".

Ela falou aquilo com tanto desdém que eu enrubesci no mesmo instante. Não queria que me achassem criança, mas eu também não achava certo mentir a minha idade.

"Tenho 14...", confessei. "Mas facho 15 daqui a um mês, no final de agosto!", completei depressa. "E sim, meus pais dizem que vão me deixar de castigo enquanto eu merecer, até depois que eu for maior de idade."

Vários deles riram, dizendo que os pais de alguns ali deviam fazer o mesmo. Umas meninas falaram que eu parecia mais nova, outras disseram que eu parecia mais velha... Apenas a garota que fez a pergunta ficou calada, me olhando como se eu a tivesse ofendido por alguma razão.

O resto da noite passou rápido, pois a conversa estava muito animada e eu acabei me enturmando com facilidade. Descobri que todos ali eram muito diferentes, mas tinham uma paixão em comum: a neve. Quando faltava pouco para as dez da noite, o Ben disse que ia me levar ao meu hotel, então todos perguntaram se eu ia me juntar a eles para esquiar na manha seguinte. Totalmente sem graça, expliquei que eu não era boa no esqui, e por causa disso o Adriano falou: Ela acha que a escolinha e só para crianças...", lembrando o que eu havia dito a eles na pista. Isso fez com que todos discordassem, me dizendo que era muito importante ter pelo menos uma iniciação, pois se tentasse esquiar sozinha, sem a menor base teórica, eu poderia até me machucar.

"Todo mundo aqui passou pela escola de esqui...", uma das meninas, a Renata, acrescentou. E em seguida se virou para o Ben, dizendo: "Se ela não quer praticar lá, por que você não da umas aulas particulares pra ela? E ate bom, porque individualmente da pra aprender mais rápido".

Ele, que havia ficado meio calado a noite toda, apenas balançou os ombros, dizendo: "Se ela topar, eu ensino com o maior prazer...".

Todos insistiram para que eu fizesse isso, então no fim das contas acabei prometendo que ia tentar fazer uma aula com ele, apenas como experiência. Mas se eu não gostasse, encerraria minha carreira de esquiadora ali mesmo.

Por isso, agora, deitada na cama e olhando as montanhas branquinhas lá fora, eu estava sentindo uma mistura de expectativa e ansiedade. Eu realmente achava que não tinha nascido para aquilo, e também ainda não tinha superado o trauma do dia do teleférico. Mas eu havia gostado muito do pessoal na noite anterior, não queria que eles pensassem que eu era uma medrosa, que desistia sem nem tentar...

Sendo assim, me levantei e avisei para os meus pais que eu ia fazer uma aula particular com o Ben naquele dia. Eles adoraram a notícia e falaram que tinham certeza de que eu acabaria amando aquele esporte.

No horário marcado, encontrei com ele na frente do lounge. Como combinado, eu não ia ter aulas no lugar da escola de esqui, por isso ele me levou ate uma área plana que ficava um pouco abaixo dos hotéis.

"Primeiro sem os esquis", ele começou a explicar. "Vamos apenas treinar os movimentos dos bastões, pois quero que você observe a posição do seu corpo. Finja que você vai começar a esquiar... Como você faria?"

Eu mostrei para ele, que na mesma hora disse que eu estava com a postura muito ereta. Ele me fez flexionar os joelhos e inclinar o corpo para a frente.

"Agora vamos tentar com os esquis", ele falou, quando achou que eu já estava com o porte adequado. Ele então os acoplou as minhas botas e me ajudou a ficar em pé Em seguida falou para eu ficar na mesma posição que ele tinha me mostrado antes.

[...]

*

UM ANO INESQUECÍVEL
AUTOR Babi Dewet, Bruna Vieira, Paula Pimenta e Thalita Rebouças
EDITORA Gutenberg
QUANTO R$ 32,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

-

 
Voltar ao topo da página