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23/06/2017 - 16h32

'Quando perdoamos, nos libertamos da mágoa', diz Heloísa Capelas

WILLIAM MAGALHÃES
da Livraria da Folha

Divulgação
Especialista em autoconhecimento e inteligência comportamental, escritora atua na área de desenvolvimento humano
Livro destaca os benefícios que perdoar pode fazer ao livrar as pessoas da mágoa e do ressentimento

Autora do livro "O Mapa da Felicidade", a especialista em desenvolvimento humano e diretora do Centro Hoffman no Brasil, Heloísa Capelas publica pela editora Gente o livro "Perdão, A Revolução que Falta"

Em entrevista por e-mail à Livraria da Folha, Capelas fala sobre o que a motivou a escrever sobre o perdão e quais os benefícios a decisão de perdoar alguém pode trazer para cada indivíduo.

"Assim como o perdão me libertou das minhas mágoas e ressentimentos, creio que todos merecem perdoar para viver de maneira muito mais plena e muito mais saudável", relata a autora.

Especialista em autoconhecimento e inteligência comportamental, Capelas atua na área há cerca de 30 anos.

Além de dizer que não há situação em que o perdão é impossível, a autora explica como começar um processo para perdoar alguém.

Leia a seguir a entrevista.

Rogerio Gomes/Divulgação
Heloísa Capelas é autora dos livros "O Mapa da Felicidade" e "Perdão, A Revolução que Falta"
Heloísa Capelas é autora dos livros "O Mapa da Felicidade" e "Perdão, A Revolução que Falta"

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Por que decidiu escrever um livro para falar sobre perdão?

O perdão revolucionou a minha vida e a maneira como eu me relacionava com meu entorno, principalmente com minhas filhas. Quando consegui me perdoar e perdoar as pessoas pelos erros e falhas do passado, também consegui fazer escolhas diferentes, seguir por caminhos até então inimagináveis e muito mais positivos. Por conta disso, há muito tempo desejava escrever um livro com este tema, porque assim como o perdão me libertou das minhas mágoas e ressentimentos, creio que todos merecem perdoar para viver de maneira muito mais plena e muito mais saudável.

É possível perdoar pessoas abusadoras, nocivas e que sugam nossas energias? Não é melhor se desintoxicar destas pessoas?

Sim, todo perdão é possível e diria até necessário. O perdão liberta a quem perdoa. Nós não temos como inferir se produzirá algum efeito em quem foi perdoado e essa é uma das grandes confusões que se faz sobre o perdão. Temos a tendência de acreditar que perdoar é um gesto de ingenuidade. Como se significasse que estamos autorizando, ao outro, que volte a nos magoar, ou que continue a fazer parte de nossas vidas. E perdoar não é isso, quer dizer, não tem a ver com esquecer ou com permissividade. Na realidade, trata-se sumariamente de um gesto positivo e benéfico a quem o pratica. Do contrário, estaremos escolhendo, ainda que inconscientemente, continuar presos ao ressentimento, à mágoa e à vingança. Ou seja: você pode, sim, perdoar e escolher demover da sua vida as pessoas que lhe magoaram; ou escolher dar uma segunda, terceira, quarta chance. Uma coisa não está diretamente associada à outra. O que importa, mesmo, é perceber que o rancor só faz mal para quem o nutre, não para quem o "recebe".

Há alguma situação em que o perdão não é possível?

Eu diria que não. Sobram exemplos de pessoas que deram conta de perdoar criminosos, de perdoar maldades terríveis, de perdoar aquilo que tanta gente considera "imperdoável". A questão, como eu disse, é que a falta de perdão só prejudica diretamente a quem não perdoa. Ficar remoendo os acontecimentos do passado, buscar vingança, nutrir a raiva ou o ódio são comportamentos muitas vezes inconscientes, que, em primeiríssima instância, trazem prejuízos apenas a quem os mantêm.

Que tipo de benefícios o ato de perdoar pode trazer?

Quando perdoamos, nós nos libertamos da mágoa, do ressentimento e da vingança, das emoções negativas que, segundo a ciência, desencadeiam uma porção de doenças, inclusive o câncer. Mas, além da saúde física propriamente dita, o perdão também beneficia a saúde emocional. Se continuamos presos aos acontecimentos negativos do passado, criamos uma espécie de fechamento mental que nos impede de seguir adiante, de enxergar novas possibilidades e, enfim, de viver melhor e mais plenamente.

Há algum passo a passo do perdão? Uma atitude para começar um processo de perdão?

Eu dividiria o processo do perdão em cinco passos:

1) Pratique a autoconsciência | Algumas das nossas mágoas mais profundas estão inconscientes e afetam nosso comportamento sem que a gente possa se dar conta. É preciso reconhecê-las e assumi-las para si, ainda que sejam muito doloridas ou, ao contrário, pareçam até bobas ou pequenas.

2) Evite a autocrítica | Ao identificar os próprios rancores, muita gente exagera na autocrítica e passa a se enxergar como uma pessoa inferior, pior ou até mais maldosa que as demais. Esses pensamentos automáticos precisam ser superados para que se possa, efetivamente, compreender e lidar com as dores que se sente.

3) Faça-se perguntas pontuais | Não são apenas os grandes acontecimentos que se tornam imperdoáveis e que nos levam ao círculo vicioso da vingança e da autovingança. Muitas vezes, episódios cotidianos e aparentemente irrisórios também nos impactam muito negativamente. Então, em vez de focar apenas nas memórias antigas, observe-se também no dia a dia: quais situações costumam lhe tirar do sério, lhe deixar ofendido, lhe magoar ou entristecer? E quando isso acontece, como você reage?

4) Amplie sua compreensão sobre o outro | Assim como você se constituiu de maneira única, o mesmo vale para o outro. Seus valores, noções e maneiras de se comportar são seus, apenas seus. O outro não tem como atender suas expectativas, assim como você não tem como atender as dele. Essa compreensão vai lhe ajudar a se sentir menos frustrado ou magoado em suas relações.

5) Desmitifique suas crenças sobre o perdão | Perdoar não é esquecer, não é um superpoder, não é uma habilidade para poucos e, muito menos, é algo que te torna fraco ou inferior em relação ao outro. Perdoar é uma escolha inteligente, que lhe trará saúde, longevidade e melhorará sua capacidade de se relacionar consigo mesmo e com o outro.

Por que culturalmente é difícil perdoar uma traição conjugal? Como seguir em frente após o perdão da traição? E em casos de 'reincidência' da traição?

As traições de todos os tipos são as que mais mexem com nossa autoestima e com nosso amor-próprio. Quando traídos, nós nos sentimos inferiorizados, menosprezados e piores "que o resto". E é exatamente isso o que ninguém quer sentir! Pelo contrário, toda a nossa base de comportamentos e de emoções nasce do nosso desejo profundo de sermos apenas amados, e amados incondicionalmente. A traição é, portanto, o maior desamor que podemos viver, é uma certeza profunda de que não somos dignos o suficiente de sermos amados. Mas, é claro, nem todo mundo se dá conta de que é isso que está sentindo, porque muitas vezes essa sensação é inconsciente, bem como os comportamentos que decorrem dela. Por impulso, diante da traição, nós buscamos algum tipo de vingança para devolver ao outro a mágoa que nos foi causada. Por isso, é tão difícil superar uma traição. Perdoar é uma escolha necessária inclusive nesses casos, mas reatar ou renovar a relação depende bastante do casal. É preciso um tipo de abertura e de disposição para que se possa reaver os termos estabelecidos para aquela relação. E, principalmente, é preciso entender que o único amor incondicional que temos a condição de viver é o amor-próprio. Duas pessoas que amam a si mesmas, que conhecem e respeitam as próprias limitações e qualidades, têm mais condições de estabelecer uma relação saudável.

Perdoar demais pode ser um problema? Como saber ou identificar o limite, se há um, para o perdão?

Como disse antes, perdoar demais nunca é um problema, mas, sim, uma solução. O que é preciso fazer é dissociar o perdão da permissividade. Eu posso escolher perdoar e decidir que aquele tipo de situação ou que aquela pessoa não vão mais me magoar. Tudo isso é escolha, mas muita gente acredita que se trata de uma escolha impossível. Por isso é que a consciência de si mesmo é tão importante. Nós somos os responsáveis por nossa trajetória, e ninguém mais, além de nós mesmos, pode decidir o que é melhor ou qual caminho seguir.

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PERDÃO, A REVOLUÇÃO QUE FALTA
AUTORA Heloísa Capelas
EDITORA Gente
QUANTO R$ 28,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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