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08/03/2018 - 16h16

Médicos vitorianos curavam 'histeria' das pacientes com vibrador elétrico

da Livraria da Folha

Para os anglicanos evangélicos da era vitoriana, cabia ao homem a vida publica e à mulher a tarefa de comandar a espiritualidade dentro do lar. Para isso, ela não precisava ser inteligente ou culta, mas uma santa, pois o lar deveria ser um templo íntimo de Deus.

Viver uma vida santificada significava reprimir desejos e, a longo prazo, criar traumas prejudiciais à saúde mental. É o que escreve o jornalista Maurício Horta em "Luxúria".

Reprodução
Representação da luxúria de "Os Sete Pecados Capitais"; pintura de Hieronymus Bosch (1485)
Representação da luxúria de "Os Sete Pecados Capitais", de Hieronymus Bosch

"Desde os tempos dos faraós, quaisquer alterações emocionais em uma mulher eram chamadas simplesmente de 'histeria'", explica. Sintomas genéricos como nervosismo, desmaios, insônia, irritabilidade, perda de apetite e espasmos musculares frequentemente eram relacionados à condição.

Para resolver o problema, os médicos de família passaram a tratar mulheres histéricas com massagens genitais. Para a ciência vitoriana, a massagem não era uma masturbação erótica, mas um procedimento médico realizado pelo doutor que conhecia a família e seus segredos havia anos.

"Com suas mãos, médicos faziam massagem na genitália da paciente até que elas atingissem o 'paroxismo histérico' - mais popularmente conhecido como orgasmo".

O problema é que o trabalho era cansativo para o médico, que corria o risco de lesionar as mãos pelo esforço repetitivo. Para poupar os colegas, o dr. Joseph Mortimer Granville criou o vibrador eletromecânico alimentado a manivela. O acessório, que virou febre entre os médicos, logo começou a ser usado de forma recreativa pelas pacientes.

A histeria no passar dos séculos

Divulgação
Livro explica como a luxúria mudou a história da humanidade
Livro explica como a luxúria mudou a história da humanidade

Durante 4 mil anos, a medicina buscou tratar a histeria por meio de alguma intervenção na genitália feminina.

Em 1.600 a.C., o papiro Ebers recomendava inserir ervas fedorentas na vagina para empurrar o útero para cima. Para o médico grego Hipócrates, primeiro a usar o termo histeria, a condição seria causada por movimentos do útero pelo corpo. O médico romano Cláudio Galeno afirmava que a histeria era causada pela abstinência sexual. E, para os sacerdotes da Idade Média, os sintomas representavam um laço obsceno entre o Diabo e a mulher, que precisava ser exorcizada o quanto antes.

"Luxúria" faz parte da série "Os Sete Pecados", da editora LeYa, que procura compreender a trajetória e o desenvolvimento humano a partir da perspectiva dos pecados capitais. "Inveja" e "Luxúria" são os dois primeiros títulos da coleção.

Maurício Horta é jornalista formado pela USP e colaborou para diversas publicações, como a Folha e a revista "Superinteressante".

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LUXÚRIA
AUTOR Maurício Horta
EDITORA LeYa
QUANTO R$ 23,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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