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12/08/2018 - 09h01

Pais gays relatam em livro como enfrentaram o tabu da própria sexualidade

da Livraria da Folha

Divulgação
Em livro, pais homossexuais relatam histórias de dor e superação em busca da aceitação a própria sexualidade
Em livro, pais homossexuais relatam histórias de dor e superação em busca da aceitação a própria sexualidade

Lançado pela Edições GLS, do grupo Summus, o livro "Coragem de Ser" reúne relatos de pais homossexuais sobre temas como aceitação, família, preconceito, medo, amor e superação.

Organizada pela psicóloga Vera Moris e pelo ativista Fábio Paranhos, a obra traz 14 depoimentos de homens que assumiram a homossexualidade depois de ter formado uma família.

A educação rígida que muitos tiveram, o sufocamento dos próprios desejos e a busca por reproduzir um estilo de vida heterossexual são alguns dos elementos comuns às narrativas apresentadas.

Os depoimentos revelam o percurso que os homens percorreram e que fizeram encontrar nas mulheres com quem se casaram a possibilidade de constituir uma família.

Psicóloga e psicoterapeuta especializada em família, com ênfase em prevenção e tratamento psicológico, paternidade homoafetiva, gênero e sexualidade, Vera Moris é doutora em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em 2007, idealizou o Homopater - grupo de apoio para homens e pais que se mantêm em relacionamento homoafetivo -, sendo sua responsável técnica e moderadora.

Arquiteto de formação, Fabio Paranhos é especialista em recursos humanos, trabalha na área de treinamento e desenvolvimento de pessoal. Foi um dos fundadores do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH) e do Projeto Acolher, que dá apoio à adoção. Participante do Homopater desde sua fundação, é pai de Sofia, adotada em 1999 e hoje com 20 anos. Desde 2005 mantém o blog "Homem, Homossexual e Pai".

Leia abaixo um trecho de "Coragem de Ser".

*

Benjamin

E, já que eu tinha me tornado um "homem de verdade", veio logo o pacote completo: namoro-casamento-apartamento-filhos.

Nasci em 1966, em plena ditadura. Tive uma infância simples, quase sem luxos: escola pública, TV, cursinho de inglês, viagens só no Carnaval - e mesmo assim pra lugares próximos, de carro. Minha família era composta por pai, mãe, eu e um irmão. Cresci, formei-me em Engenharia e depois de alguns anos me casei e tive dois filhos maravilhosos.

A história poderia ter prosseguido assim, bem redondinha. No máximo com um novo casamento, talvez um filho da segunda união. Algo bem comum. Mas havia a sexualidade E esse fator, desde cedo, foi motivo de sofrimento.

Hoje consigo perceber quanto eu era atraído por outros homens e meninos. Mas me recusava, terminantemente, a aceitar essa ideia. Certa vez, durante uma sessão de terapia, o psicólogo me perguntou qual tinha sido minha primeira lembrança da condição de gay. Foi lá pelos meus 7 anos de idade, em um sábado como tantos outros, quando passeávamos meu irmão, minha mãe e eu. Passou por nós um rapaz do qual só lembro os trejeitos bem femininos e a roupa. Uma calça rosa grudada no corpo, uma blusa listrada meio brilhante bem justa e uma sandália de salto alto aberta. Aos poucos, os transeuntes entraram numa espécie de catarse coletiva. Todos xingavam o sujeito e gritavam para ele: veado, baitola, mocinha etc. A histeria foi tão grande que pessoas saíram das lojas do bairro e entraram na onda. Gritavam, quase urrando. E, quanto mais gritavam, mais o cara rebolava, sorria, numa atitude desafiadora.

Não lembro como tudo terminou. Provavelmente ele passou, o povo se acalmou e a vida seguiu sem grandes novidades. Mas o fato, para mim, despertou uma rejeição muito forte. Não queria nem poderia aceitar em hipótese nenhuma ser minimamente parecido com "aquilo". Isso não é desculpa pra nada. Nem para o fato de eu ter me escondido no armário, nem de ter me refugiado num casamento hétero e nem mesmo pela falta de coragem de assumir uma natureza que era minha. Mas é evidente que o susto e a vergonha alheia ajudaram a forjar uma personalidade a qual demorei a entender.

Fui crescendo e, como acontece com todo adolescente, a sexualidade começou a se manifestar. Mas a negação era tão forte que eu não conseguia entender como seria um cara gay. As lembranças que ficaram eram dos gays "mocinhas", afeminados. Admito, sem a menor vergonha, ter muito preconceito contra as tais "mocinhas". Chegava a ponto de sentir raiva daqueles caras, que mais pareciam mulheres. Ao mesmo tempo, quase não arrumava parceiras. Namoradas, então, nem pensar. No máximo, a cada seis meses, um ano, aparecia uma menina, numa festa qualquer, e me dava um beijo. Nada além disso.

Quanto à iniciação sexual, aos 18 anos um tio levou-nos, meu irmão, meu primo e eu, a uma casa de massagem, uma versão mais chique e moderna do bom e velho bordel. Até que o sexo foi bom. Mas dessa vez até meus 28 anos, NADA mais aconteceu. Certa vez, já com quase 27 anos, um cara gay (lindo, por sinal) me deu uma cantada. Mas minha rejeição era tão forte que não a entendi como tal. Achei estranho ele dizer que eu era bonito e que queria me encontrar.

Hoje consigo ver claramente o que ele queria comigo. Mas era tão travado que achei no máximo curioso. E o mais interessante: ele não me despertou raiva nem rejeição, afinal era lindo e tinha um jeito bem másculo (olha o preconceito contras as mocinhas se manifestando).

Então aconteceu uma das melhores coisas da minha vida. Aos 28 anos conheci minha futura mulher por intermédio de amigos em comum. Lembro-me de cada detalhe do primeiro encontro, do primeiro beijo, de tudo. Depois de um mês fizemos sexo. Foi libertador, maravilhoso! O tesão entre nós explodia que era uma delícia!

E, já que eu tinha me tornado um "homem de verdade", veio logo o pacote completo: namoro-casamento-apartamento-filhos - e tudo mais de bom e de ruim que poderia acontecer. Foram dez anos tranquilos, sem grandes questionamentos de minha parte. De vez em quando, a chata da homossexualidade se manifestava. Um colega que eu achava interessante, um cara na praia com um corpo gostoso e alguns homossexuais que começaram a fazer parte do meu círculo de amizades. Lembro-me de que jamais os tratei mal (até mesmo as mocinhas) e até gostava da companhia deles. Hoje, percebo que aos poucos minha homofobia dava uma trégua. E, no fundo, eu tinha verdadeira admiração (ou, quem sabe, inveja) por aqueles homens que tiveram muito mais coragem do que eu para assumir sua homossexualidade.

O esquema do comercial de margarina papai-mamãe-filhos-felizes começou a desmoronar por volta do oitavo ano de casamento. Na época, com cerca de 40 anos, eu havia começado a emagrecer, corria e frequentava a academia religiosamente. Estava bem, bonito. Numa manhã de sábado, um cara me abordou na praia, o papo foi extremamente sedutor. Confesso que, num misto de pavor e prazer, engatei na conversa e ficamos nos encontrando durante uns seis meses. Sempre na praia e sempre nos fins de semana. Até que depois desse tempo fomos a um motel.

Devido à minha total inexperiência com homens, misturada à culpa, o sexo foi péssimo! Mas, mesmo assim, permanecemos amigos e continuamos nos encontrando. Porteira aberta, o gado foge. Dali em diante, vários outros surgiram, sempre conhecidos pela internet. O sexo às vezes era bom, às vezes, ruim, mas eu achava que a situação estava sob controle. Fazer sexo com um cara eventualmente poderia aplacar aquela minha vontade "maldita".

Mais uma vez, a sexualidade cobrava seu espaço. Os eventuais encontros satisfaziam a libido, mas eu precisava de mais do que aquilo. A terapia foi a saída encontrada para tentar entender aquele desejo proibido. De forma bem inocente, eu achava que, uma vez compreendida minha sexualidade, poderia domá-la e controlá-la de forma mais eficiente. Seria risível se a situação não fosse desesperadora pra mim. Fui extremamente ingênuo. O pior do período da terapia foi me dar conta de que a natureza é algo incontrolável, indomável. Devido à minha formação cartesiana, de engenheiro, tinha plena certeza de que tudo na vida aconteceria num esquema de causa e efeito. Ou seja, se agirmos de determinada forma, o efeito será aquele planejado. Que tolice! Além de me fazer aceitar a homossexualidade e encará-la como uma característica como outra qualquer, a terapia me mostrou que a vida dá voltas e nem sempre (quase nunca, aliás) podemos planejar as coisas e esperar que os resultados sejam aqueles previstos. Descobri, tardiamente, que a vida não é um projeto de engenharia

Passada a fase inicial de fundo do poço para a qual a terapia me levou - difícil, mas fundamental para que eu conseguisse escrever esta história -, as coisas começaram a clarear. A homossexualidade já não era um monstro a ser combatido, mas uma nova faceta que aparecia no espelho e parecia cada vez mais amigável. Em consequência, aconteceu a segunda virada na minha vida: conheci, também pela internet, um cara bastante especial.

O sexo foi arrebatador, como havia anos não acontecia, e ao mesmo tempo percebi quanto o sexo com homens era natural pra mim. Fiquei totalmente apaixonado por ele e daquele momento em diante tudo que eu queria era ficar ao seu lado. Para resumir a história, separei-me da minha esposa e, em seguida, eu e ele ficamos juntos por apenas 15 dias. Não me arrependo da separação, nem o culpo por ter me deixado em tão pouco tempo. Colocando-me no lugar dele, percebo que não teria estrutura emocional pra segurar um relacionamento com um ex-casado, com mulher e dois filhos pequenos.

Mas as coisas não foram tão simples e fáceis. Tive momentos de grande sofrimento. Afinal, era o término de uma relação de 15 anos, estável, tranquila, porém insatisfatória - e também o término de um sonho de relacionamento gay totalmente satisfatório. Fato é que me vi de repente com uma nova sexualidade, isolado (dos amigos héteros, apenas dois me acompanharam nessa nova "encadernação") e sem poder me abrir com minha família (minha mãe não entendia o motivo da separação).

Aos poucos as coisas foram acontecendo. Novas amizades, novos parceiros, novas aventuras, mas eu continuava me sentindo um peixe fora d'água devido à minha condição de ex-casado hétero e pai de dois filhos. Causava estranheza entre as novas amizades gays. Até que um amigo me falou de um grupo de pais gays do qual fazia parte um ex-namorado dele. Pesquisei o tal grupo na internet e descobri que eu não era um ET - era assim que me considerava, um ser atípico, totalmente diferente dos outros gays. Havia inúmeros outros com histórias parecidas e em condições similares.

Naquela época, eu dividia a vida em duas. Uma, de ex-marido, com filhos pequenos, ela com 12 anos e ele com 6. Montei apartamento com quarto pra eles, que passavam fins de semana quinzenais comigo. E, desde a separação, não havia impedimentos para entrar na minha ex-casa. Eu aparecia para falar com as crianças, sem revival nem flashback. Como minha ex viajava muito por conta do trabalho, eu até dormia lá com eles. Era uma forma de me manter sempre em contato e continuar participando da rotina das crianças - pequenos prazeres/agruras que só aqueles que têm filhos sabem. Na minha outra vida, as coisas começaram a acontecer. Passeios, boates, namoricos, esses prazeres/perrengues que só quem é solteiro entende.

Mas eu continuava querendo mais... A ideia de ter uma vida dupla em nada me agradava, era viver pela metade. Esconder das pessoas de uma das vidas o que acontece na outra é duro. Mas a dificuldade de se expor e ter uma vida única é ter de se explicar, se abrir para outras pessoas e mostrar sua nova condição como gay.

Para iniciar meu processo de revelação, escolhi dois amigos, aqueles que já mencionei. Curioso é que são um ex-casal hétero e foram meus padrinhos de casamento. Com eles, a receptividade foi ótima e me senti acolhido. A terceira "vítima" - pois se revelar é jogar o problema no colo do ouvinte - foi ninguém menos que minha ex.

Nossa, como foi duro! Eu sabia, por intermédio de amigos, que ela estava mal e não conseguia aceitar nem entender nossa separação. Foi aí que pensei: "Devo essa explicação a ela. Foi uma pessoa maravilhosa comigo sempre e tivemos um ótimo relacionamento". Uns dois meses depois da separação, convidei-a para jantar e, com muita tensão e ansiedade, acabei lhe contando a história, retirando os detalhes de encontros com homens - achei que seria agressivo demais. Meu maior temor era de que ela me afastasse do convívio com as crianças, o que é muito comum nos inúmeros casos de alienação parental que sabemos existir. Para minha extrema surpresa, ela compreendeu a situação e me apoiou integralmente nas minhas decisões. Disse que jamais pensaria em me afastar dos filhos, sabendo quanto eles me amavam e eu a eles. Isso aconteceu há cinco anos e ainda me emociono.

Terminada essa etapa, faltava revelar a situação a três pessoas fundamentais na minha vida: minha mãe, o que foi fácil, e meus filhos. Mesmo com tanta autoconfiança e experiências positivas, confesso que desta vez falhei. Não tive coragem de contar-lhes as razões, os detalhes, enfim, toda a história. Foi quando resolvi mudar de estratégia. Em vez de simplesmente contar, optei por seguir um caminho mais difícil: simplesmente mostrar minha vida, meus novos amigos, até que as perguntas viessem. Então eu responderia a todas elas tranquilamente. Tentativa frustrada. O tempo passou e as perguntas não aconteceram. Mesmo assim, fui levando a vida, sem muita preocupação com o assunto.

Depois de uns oito meses separado, conheci meu atual companheiro numa boate. Acho que se tivesse de escolher um parceiro melhor seria complicado. Claro que ninguém é perfeito. Ele tem seus momentos difíceis, mas eu não fico atrás. Ele costuma dizer que, num primeiro momento, quase saiu correndo. Ainda na boate, mandei logo a conversa de ser descasado de mulher, com dois filhos etc. Um pacote perfeito para afugentar um gay. Afinal, uma das coisas de que os gays mais se vangloriam é de ter liberdade pra fazer várias coisas. E, para quem tem filhos, essas várias coisas são bem mais limitadas.

Mesmo com esse pacotão que eu apresentara, ele resolveu apostar em mim, e acho que não se arrependeu. A cada dia fico mais encantado com ele: ajuda com as crianças, dá uma de "gaydrasta" (no bom sentido, claro) e os meus filhos gostam dele. E, como se não bastasse, ele embarcou de verdade na aventura de ser pai, mesmo que por vias tortas. Desde que passamos a morar juntos, em meados de 2013, ele faz questão de ter as crianças em casa sempre que possível e vive insistindo que convidem seus amigos para conviver conosco.

Então chegamos a um ponto interessante: a revelação. Desde que me separei da ex, procuro não me esconder. Ao contrário, sempre fiz questão de mostrar claramente minha situação, meus novos amigos gays e, claro, o namorado, agora companheiro. A estratégia era mostrar minha vida ao lado dele com a maior naturalidade possível. Diante disso, eu esperava que as perguntas sobre aquele novo amigo constante aparecessem, mas não foi bem assim.

Ninguém - nem meus filhos, nem meus parentes - jamais perguntou nada. Ao contrário, quando meu companheiro estava ausente, sua presença era - e continua sendo - sempre cobrada. Com o tempo, e por iniciativa das crianças, o convívio dele com minha família aumentou. Na primeira vez que minha filha o convidou para uma festa de aniversário, resolvi falar primeiro com minha ex. Ela não se opôs; ao contrário, estava curiosa para conhecê-lo. De início, o clima ficou um pouco constrangedor, mas logo o desconforto se dissipou.

De lá pra cá, o relacionamento entre todos só melhorou. O auge ocorreu no aniversário de 15 anos da minha filha. Como de praxe, ele foi tão simpático que recebeu o convite para ir à comemoração da primeira comunhão do meu filho. Detalhe: quem fez o convite foi minha ex-sogra e a festinha foi na casa dela! Para que todos entendam o inusitado da situação, eu mesmo, depois de separado, só fui convidado para a casa da ex-sogra duas ou três vezes.

Para finalizar, o último grande momento: há dois anos mudei-me para a casa do namorado, agora marido. E então, seguindo a minha máxima de não esconder nada, fiz como todos os casais fazem: dormimos na mesma cama. Essa novidade não despertou nenhuma curiosidade e também nenhuma pergunta por parte das crianças. Continuaram agindo normalmente.

Passados uns seis meses da mudança, quando estava sozinho com meus filhos na praia, resolvi acabar logo com aquela agonia e perguntei diretamente, sem rodeios: "Vocês sabem que nós somos namorados?" A resposta dela: "É claro que eu sabia!" A resposta dele: "Eu sabia mais ou menos". Tudo isso dito sem rancor, mágoa ou questionamento. Perguntei por que nunca fizeram nenhum comentário e ambos responderam: "E precisava?" A simplicidade das crianças sempre nos surpreende.

Desde então a vida tem seguido, com seus altos e baixos, como acontece com todo mundo. E o fato de morarmos juntos e sermos um casal gay não levantou nenhuma indagação. Até os convites para festas, como casamentos, batizados e outros, vêm com o nome de nós dois. Nem no meu mais alucinado sonho dos tempos de casado eu ousaria imaginar uma situação tão bem resolvida. Imaginava que haveria conflito, confusões e outras baixarias do gênero. Claro que esse sucesso se deve à compreensão de todos os envolvidos - que perceberam, descontados os conflitos, os constrangimentos e as mágoas, que a solução harmônica é a melhor.

Talvez ainda surjam conflitos, mas imagino que eles virão de pessoas de fora do círculo familiar. Claro que não existe uma fórmula pronta nem uma solução mágica para esses problemas, mas creio que o fortalecimento dos relacionamentos familiares seja a melhor forma de enfrentar eventuais percalços.

Não tenho a pretensão de ser um modelo para gays maduros que um dia tiveram uma vida hétero. Mas tenho orgulho de ter conseguido me reinventar emocionalmente. Apesar de alguns traumas e sofrimentos, meu saldo é muito mais que positivo.

Benjamin, 49 anos, engenheiro, mora no Rio de Janeiro. Seus filhos tinham 16 e 11 anos à época do depoimento (maio de 2015).

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CORAGEM DE SER
AUTORES Vera Moris e Fábio Paranhos
EDITORA Edições GLS
QUANTO R$ 39,90 (preço promocional*)

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques.

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