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13/03/2011 - 21h10

Exterminador de paixões proibidas conta suas memórias em romance

da Livraria da Folha

Divulgação
Crimes são movidos pela paixão impossível que atinge fragilizados
Crimes são movidos pela paixão impossível que atinge fragilizados

No anúncio nos jornais, ele promete exterminar paixões proibidas e assina sob o pseudônimo de Unhas. Assim, tem clientela e novas missões. Um bispo quer dar fim em uma freira, um homem manda matar a empregada para ficar com a filha dela, um irmão incestuoso quer fazer desaparecer a irmã drogada. Unhas seleciona os casos. Só os mais curiosos interessam. Afinal, ele não é um reles matador de aluguel, um criminoso comum, mas alguém que faz um favor à vítima, liberando-a da falsidade e do sofrimento dessa vida.

A história do exterminador de paixões proibidas tem o curto nome de "Unhas" (LeYa), no romance de Paulo Wainberg. No livro, Unhas encontra nos ouvidos de sua mais recente vítima alguém a quem confessar suas memórias, seus crimes perfeitos. "Jamais contei essas coisas. Você pode se considerar uma privilegiada, meu bem". Depois de ouvir tais horrores, a adolescente Elisa sabia que não escaparia dali com vida. Mas havia uma coisa que ela precisava descobrir: quem, afinal, teria encomendado sua morte? E por quê?

Unhas amava apenas pés bem cuidados, simétricos, tratados pelas mãos hábeis de uma pedicura. Por isso, pensa em seu trabalho como o de um profissional concentrado em extirpar cirurgicamente aquela unha encravada que destoa do resto. Quando não está em planejamento ou ação, ele assume a identidade oficial, um disfarce de metódico contabilista que vive na rotina dos números. "Você não pode ter ideia de como é chata a vida de um contador, por tanto, não me censure", diz ele, em monólogo, à Elisa.

Tudo em uma única dose embriagadora. A cada novo caso, Unhas vive a experiência do prazer supremo. A revelação desse novo destino veio-lhe assim, de repente, lendo romances policiais antigos, escritos por autores norte-americanos. "Qual um super-herói de quadrinhos, estabeleci uma segunda e secreta identidade". Com os romances policiais, aprendeu técnicas, padrões de atuação e truques eficientes. E até aquele momento, seu lema tinha dado certo: risco zero para ele, total satisfação para o cliente, sem dor para a vítima.

Para saber quem é seu algoz, Elisa obriga-se a escutar as memórias de Unhas até o ponto em que ele, finalmente, chega ao seu caso. Então, depois de tal revelação, a garota já não sente mesmo gosto de viver. O exterminador, por seu lado, desfruta: outro crime perfeito para encasquetar a polícia. Cobrava, claro, pelas mortes. Mas, só para dar um toque profissional. O que os clientes não sabem é que ele faria tudo de graça, com o mesmo empenho, apenas para sentir o prazer total. Como agora, nesse fim de caso de Elisa.

 
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