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04/11/2010 - 15h01

Best-seller sobre o nazismo "A Escolha de Sofia" ganha reedição no Brasil

da Livraria da Folha

Uma das mais celebradas ficções sobre o nazismo, "A Escolha de Sofia", do escritor americano vencedor do prêmio Pulitzer William Styron (1925-2006), volta às livrarias em versão da Geração Editorial.

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Meryl Streep, como Sofia, e Kevin Kline, como Nathan, na versão cinematográfica de "A Escolha de Sofia"
Meryl Streep, como Sofia, e Kevin Kline, como Nathan, na adaptação cinematográfica de "A Escolha de Sofia"

O livro conta a história de Sofia Zawistowka, uma mulher polonesa radicada nos Estados Unidos que passou pela tormenta dos campos de concentração e, para sobreviver, teve que optar entre duas soluções terríveis.

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Clássico dos anos 1970 sobre o nazismo ganha nova edição
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O fantasma de sua decisão a acompanhará pelo resto da vida e será revelado aos poucos a Stingo, aspirante a escritor que assume o papel de narrador da história. Ele surge como um terceiro elemento na relação da protagonista com Nathan Landau, um suposto bioquímico formado em Harvard.

Lançado nos EUA em 1979, o livro já vendeu mais de três milhões de exemplares pelo mundo e levou o National Book Award de 1980. O termo "escolha de Sofia" se tornou sinônimo de situações em que todas as opções a serem tomadas são catastróficas.

A adaptação do filme para a tela grande, com Meryl Streep no papel principal e direção de Alan J. Pakula (1928-1998), recebeu o Globo de Ouro, entre outras premiações.

Monte sua estante com livros de William Styron

Leia trecho de "A Escolha de Sofia".

*

Naqueles dias era quase impossível encontrar um apartamento barato em Manhattan, de maneira que tive que me mudar para o Brooklyn. Era 1947, e uma das coisas agradáveis daquele verão, de que tão vividamente me lembro, era o tempo, ensolarado e firme, cheirando a flores, como numa primavera perpétua. Eu me sentia grato pelo menos por isso, já que a minha juventude me parecia em maré baixa, sem perspectivas. Aos vinte e dois anos, lutando para ser escritor, descobri que o fogo criador, que aos dezoito quase me consumira com a sua bela chama, diminuíra até o nível de uma chamazinha-piloto, acendendo um débil clarão no meu peito, ou onde quer que minhas aspirações se tivessem albergado. Não que eu já não quisesse escrever. Continuava desejando apaixonadamente produzir o romance que, durante tanto tempo, permanecera enclausurado no meu cérebro. Apenas, depois de ter escrito os primeiros parágrafos, não conseguira ir além, ou - parafraseando o comentário de Gertrude Stein a respeito de um escritor menor da Geração Perdida - eu tinha a calda, mas não havia meio de ela sair. Para piorar as coisas, estava desempregado, tinha muito pouco dinheiro e exilara-me por vontade própria em Flatbush, como tantos outros meus conterrâneos, mais um sulista jovem, magro e solitário errando em meio ao Reino dos Judeus.

Podem me chamar de Stingo, apelido pelo qual eu era conhecido naqueles tempos, se é que era conhecido. Deriva do nome pelo qual eu era chamado no colégio que frequentei na Virgínia, meu estado natal. Esse colégio era uma agradável instituição, para a qual fui mandado por meu pai, que não sabia o que fazer comigo depois que minha mãe morreu.

Entre minhas outras qualidades estava, aparentemente, o descaso pela higiene pessoal, o que fez com que logo me chamassem de Stinky (Fedorento). Mas os anos passaram e a ação abrasiva do tempo, juntamente com uma mudança radical de hábitos (a vergonha fez com que eu me tornasse quase que obsessivamente limpo), foi limando a brusquidão silábica do nome, trans formando-o no apelido, mais atraente - ou menos atraente, mas mais esportivo - de Stingo. Quando eu tinha trinta e poucos anos, eu e o apelido misteriosamente nos separamos e Stingo se evaporou, como um fantasma, deixando-me completamente indiferente. Mas eu ainda era Stingo na ocasião sobre a qual escrevo. Se o nome está ausente da primeira parte da minha narrativa, é porque estou descrevendo um período mórbido e solitário da minha vida, quando - como acontece com o eremita louco, que habita a caverna da montanha - raramente me chamavam fosse por que nome fosse.

Estava satisfeito pelo fato de ter perdido o emprego - a primeira ocupação remunerada de minha vida, excetuando o tempo em que servira ao Exército - embora essa perda tivesse vindo agra var a minha já modesta existência. Por outro lado, acho agora que foi positivo ficar sabendo, desde cedo, que eu nunca me ajustaria a trabalhar numa firma, independentemente do lugar. Considerando como eu tinha cobiçado aquele emprego, fiquei surpreso com o alívio, mais do que isso, a satisfação com que aceitei ser despedido, apenas cinco meses mais tarde. Em 1947, os empregos escasseavam, principalmente no campo editorial, mas um rasgo de sorte conseguira-me uma colocação numa das maiores editoras, como "editor júnior" - eufemismo designativo de avaliador de originais. Que o patrão era quem ditava os termos, naqueles tempos em que o dólar valia muito mais do que agora, pode ser evidenciado por meu salário - quarenta dólares semanais. Deduzidos os impostos, o anêmico cheque azul, colocado todas as sextas-feiras sobre a minha mesa pela corcundinha encarregada dos pagamentos, representava pouco mais de noventa cents por hora. Mas eu não me sentira desanimado pelo fato de esse salário de cule me ser pago por uma das mais ricas e poderosas editoras de todo o mundo. Jovem e forte de ânimo, encarava o emprego - nos primeiros dias, pelo menos - com a sensação de estar fazendo algo importante. Além disso, o cargo acenava com almoços simpáticos no "21", jantares com John O'Hara, contatos com escritoras brilhantes, mas voltadas para o carnal, derretendo-se diante da minha perspicácia editorial e assim por diante.

*

"A Escolha de Sofia"
Autor: William Styron
Editora: Geração Editorial
Páginas: 632
Quanto: R$ 42,50 (preço especial, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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