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08/11/2010 - 17h05

Ricky Martin conta sobre paixão por radialista e dificuldades com sotaque nos EUA

da Livraria da Folha

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Divulgação
No livro, ex-Menudo fala sobre suas intimidades e conflitos
No livro, ex-Menudo fala sobre suas intimidades como gay e conflitos

Em sua autobiografia, Ricky Martin desabafa sobre as dificuldades de ser latino nos Estados Unidos. Em "Eu", o cantor diz que recebia conselhos para reduzir seu sotaque.

O ex-Menudo assumiu sua homossexualidade neste ano. No livro, ele revela detalhes de como se relacionava com homens. Um dos casos é sobre um radialista por que se apaixonou.

"Enquanto estava com ele parei de ter medo da minha sexualidade, e estava pronto para enfrentá-la e anunciá-la para qualquer um e para todo mundo que estivesse disposto a ouvir. Foi por causa desse relacionamento que me assumi para a minha mãe", conta Martin, na página 91.

Leia um trecho de "Eu"

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Já tinha dado a volta ao mundo três vezes quando cheguei a Los Angeles, e em todo lugar que eu ia as pessoas diziam que adoravam meu sotaque. No entanto, quando cheguei a L.A., comecei a achar que meu sotaque era horrível. As pessoas me diziam para ter aulas para diminuí-lo ou faziam comentários sobre como eu pronunciava essa ou aquela palavra de um jeito estranho. Tenho certeza de que tudo que me diziam não era com más intenções, mas mesmo assim me sentia ofendido. Excluído. Diferente. Talvez naquela época não fosse tão comum como hoje ver atores hispânicos na TV, e as pessoas não estivessem acostumadas a ver pessoas que não eram como elas. Não sei, mas era uma sensação muito desagradável para mim.

Além de estar incomodado com a situação no trabalho, havia todo tipo de coisas confundindo a minha cabeça. Foi nessa hora que o universo colocou outro grande amor no meu caminho - um amor daqueles em que você mergulha de corpo e alma, e dessa vez foi um homem, por quem quase desisti de tudo.

Nós nos conhecemos em uma emissora de rádio, e desde o primeiro momento foi como um encontro de almas - pelo menos foi como eu vi. Estava fora de Los Angeles então, e fui a uma emissora de rádio para dar uma entrevista. Logo que abri a porta do estúdio meus olhos deram de cara com uma das visões mais belas que eu já tivera. Ele era um homem muito bonito, é claro, mas eu já vira muitos homens bonitos na vida. Esse homem tinha uma coisa especial, muito especial; foi magnético. Foi como se nos conhecêssemos há muito tempo. Ele me entrevistou para o programa dele, e eu ficava me perguntando: "Estou sentindo uma vibração vindo dele, ou estou imaginando? Se o que estou sentindo é verdade, vou mergulhar seu medo". A certa altura, quando estava respondendo uma de suas perguntas (mais tarde, ele confessou que achava que as perguntas tinham sido realmente estúpidas, porque estava tão nervoso que não sabia mais o que me perguntar), olhei firmemente para ele, e, quando percebi que não desviou o olhar...Boom! Ele confirmou o que eu estava pensando. Trocamos telefone. Ele começou a ir me ver no hotel. Nós dois adorávamos música, assim como arte e literatura, e passávamos o tempo conversando sobre muitas coisas diferentes. Uma hora eu contava alguma coisa sobre música, enquanto ele dizi alguma coisa sobre literatura, e depois às vezes os papéis se invertiam. Tínhamos uma conexão física realmente intensa, e intelectualmente estávamos na mesma frequência. Quando ia vê-lo, éramos literalmente inseparáveis. À noite, ele ia trabalhar na emissora de rádio, e eu ficava na cama ouvindo a voz dele, enquanto ele me mandava mensagens sutis através das ondas de rádio.

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"Eu"
Autor: Ricky Martin
Editora: Planeta
Páginas: 304
Quanto: R$ 27,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: 0800-140090 ou na Livraria da Folha

 
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