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19/11/2011 - 14h00

Geografia também serve à guerra, diz especialista

da Livraria da Folha

Na década de 1970, Yves Lacoste provocou um escândalo ao publicar "Geografia, a Isso Serve, em Primeiro Lugar, para Fazer a Guerra" ("La Géographie, ça Sert, d'Abord, à Faire la Guerre"), obra que convocava os geógrafos a lutar contra a instrumentalização da geografia pelos interesses estatais ou privados.

Divulgação
Livro defende a importância da geografia para o planejamento
Livro defende a importância da geografia para o planejamento

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No texto, o professor da Sorbone argumentava que a geografia --da maneira pela qual era ensinada nas escolas nesse período-- ignorava os conflitos que dividiam o mundo. Porém, normalmente, é das tensões territoriais que as guerras se iniciam. Além disso, as táticas de combate são elaboradas considerando características como clima, relevo, vegetação etc.

Agora, mais de 30 anos após a publicação do artigo, o francês Paul Claval, estudioso que recebeu o Vautrin Lud --prêmio equivalente ao Nobel para os geógrafos--, retoma o debate em "Terra dos Homens" (Contexto, 2010).

Dividido em quatro partes, o volume não examina apenas a importância em batalha, mas apresenta uma discussão fundamental para quem quer entender como se construiu o planeta e quais são as condições para preservá-lo.

O autor, que esteve recentemente no Brasil para o lançamento do livro, defende a importância estratégica da geografia no século 21. Leia, abaixo, um trecho.

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A geografia é um saber banal, ao alcance de todo mundo

"Os geógrafos são insuportáveis! Eles falam de sua disciplina como de uma ciência, quando ela é um saber banal, ao alcance de todo mundo!" Essa é a crítica mais frequentemente lançada contra a geografia: ela é de um acesso demasiadamente fácil e não ensina nada que não se possa descobrir por si mesmo com um pouco de bom senso! Ela se exprime na língua de todos os dias, se mostra em imagens diretamente compreensíveis. Não é um saber elaborado, baseado em abordagens sofisticadas. Se excluirmos a cartografia, e mais recentemente os sistemas georreferenciados, a geografia não desenvolveu técnicas próprias.

Ciências sociais e saberes vernaculares

A mesma observação poderia ser feita às outras ciências sociais: a história não tem o monopólio da evocação do passado; ela o faz com um rigor que a diferencia do universo do mito no qual estavam imersas as culturas tradicionais, mas a diferença é por vezes tênue. As histórias nacionais, tal como começaram a ser escritas no século XIX, ancoram os povos num passado de grandeza e de glória, mas ignoram a torpeza dos poderosos e a exploração frequentemente selvagem das classes populares. Apesar das pretensões científicas daqueles que contam sua gênese, a nação é uma construção mítica.

A etnografia durante muito tempo se voltou para grupos distantes no espaço e no tempo; eles nos eram desconhecidos. O que ela apresentava parecia exótico, mas se limitava a descrever o cotidiano das populações em questão: tal quadro podia passar por original para o público ocidental, mas era banal e sem mistério para os membros dos grupos estudados.

A economia investiga a riqueza e os meios de criá-la. Mas todo mundo não tenta fazer o mesmo por seu próprio governo?

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"Geografia, a Isso Serve, em Primeiro Lugar, para Fazer a Guerra"
Autor: Yves Lacoste
Editora: Papirus
Páginas: 264
Quanto: R$ 42,42 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

"Terra dos Homens"
Autor: Paul Claval
Editora: Contexto
Páginas: 144
Quanto: R$ 25,90 (preço promocional*)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

* Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

 
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