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24/11/2010 - 13h15

Jornalista prova em livro como Hitler roubou a ideia de criar o Fusca

colaboração para a Livraria da Folha

Não. O Fusca não foi projetado por Ferdinand Porsche. O inventor do carrinho mais popular do mundo foi um judeu, Josef Ganz, de quem Adolf Hitler roubou a ideia. É o que mostra no livro "A Verdadeira História do Fusca", o jornalista e pesquisador holandês Paul Shilperood. A obra traz fotos, documentos e desenhos da época que comprovam ser o judeu Ganz o verdadeiro pai do Fusca. "Essa é a história de um crime que nem mesmo Hitchcock conseguiria imaginar", disse Josef Ganz no seu leito de morte.

O levantamento feito pelo autor sustenta que Ganz passou anos defendendo a ideia de que a indústria automobilística alemã precisava se modernizar, deixando de lado, os carros pesados, caros e inseguros e passando a produzir automóveis leves e aerodinâmicos, tecnicamente mais avançados. Acima de tudo, defendia a necessidade de se fabricar um veículo para as massas, um "carro do povo".

Divulgação
Fusca foi o carro preferido de muitas pessoas, inclusive de Hitler
Fusca foi o carro preferido de muitas pessoas, inclusive de Hitler

Os planos dele pareciam ir de vento em popa. Mas a ascensão do nazismo e a perseguição iniciada contra os judeus impediram a concretização de seus sonhos. Apaixonado por automóvel, Hitler via na ideia de criar um carro popular uma oportunidade de concretizar seu projeto político.

Leia trecho de "A Verdadeira História do Fusca"

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Pouco depois de Hitler terminar a conversa com Hans Ledwinka sobre o Tatra 77, em março de 1934, no Hotel Kaiserhof, Ferdnand Porsche foi convidado para falar ao chanceler alemão. No saguão, olhou em volta e logo encontrou seu velho amigo Jakob Werlin, que o esperava com certo nervosismo. Werlin tentava havia meses encontrar um engenheiro independente, mas estava sendo constantemente ignorado pela indústria automobilística. Ferdnand Porsche era sua última esperança. Porsche veio ao seu encontro cumprimentando-o com um aperto de mãos. Hitler chegará aqui a qualquer momento", disse ele, andando de um lado para outro pelo saguão, seguido por Porsche. "Ele mesmo dirá o que quer de você. De antemão, aviso que é sobre o Volkswagen, que Hitler pretende construir a qualquer custo". Os dois homens sentaram-se a um canto do saguão onde Hitler costumava tomar chá toda tarde a mesma hora. Era notável como o lugar estava cheio. As pessoas lançavam-lhes olhares curiosos. O chefe dos garçons do Hotel Kaiserhof, como se sabe mais tarde, "alugava" secretamente os melhores lugares perto da mesa de Hitler. Pouco depois de Porsche e Werlin terem se sentado, Hitler apareceu no salão e juntou-se a eles. O garçom aproximou-se, cumprimentou educadamente sua "mina de ouro" Herr Hitler e serviu-lhe o chá. Hitler foi direto ao ponto e inteirou Porsche sobre seus planos. O Volkswagen deveria ter quatro lugares para acomodar uma família e motor refrigerado a ar para que, mesmo ficando na rua no inverno, não corresse o risco de congelamento de radiador. também haveria a possibilidade de uma versão militar do Volkswagem. "participei de uma guerra", disse brevemente "e sei por experiência própria como é difícil lidar com o arrefecimento do motor nessas circunstâncias". Hitler mostrou alguns de seus esboços feitos nos últimos meses. Também trouxe consigo um novo bloco de desenhos e, em poucos minutos, enquanto conversavam, fez mais cinco esboços de como imaginava seu Volkswagen.

Os esboços de Hitler não resultavam de grande imaginação, pois se apreciam muito com o novo Mercedes-Benz 130H, que ele acabara de ver no Salão de Berlim. Desenhou primeiro as entradas de ar para o motor nas laterais dianteiras, e em seguida riscou-as e as colocou na traseira do carro. Finalmente, Hitler esboçou uma visão lateral de seu modelo, uma clara adaptação de Mercedes-Benz 130H com uma frente bem curta e uma traseira mais comprida. Sobre o carro, fez com seu lápis o contorno de uma forma semelhante a uma lágrima bifurcada no nível da roda e também a carroceria aerodinâmica vista do alto. Novamente, o que se via era um projeto coerente com as sugestões de Josef Ganz, publicadas na última edição da Motor-Kritik. "O tipo 130, no entanto, deve ganhar um motor traseiro. É o mais apropriado em termos aerodinâmicos e tenho esperança de que estas mudanças sejam feitas em um futuro próximo". Hitler olhou para o bloco de anotações e preferiu sua última condição: o Volkswagen não poderia custar mais que 1.000 marcos - o preço que Josef Ganz havia anos defendia na Motor-Kritik como o mais adequado. Hitler acrescentou que esse preço seria viável se se adotasse a produção em massa numa fábrica moderna, segundo o modelo criado havia anos por aquele que Hitler tomava pessoalmente como exemplo, o americano Henry Ford. Depois do último gole de seu chá, Hitler levantou-se para sair. Entregou seus esboços a Werlin, desejou a ambos um bom dia e foi para seu escritório. Porsche e Werlin pouco falaram durante a conversa, ou melhor, o "monólogo", que durou não maus que quinze minutos. Porsche permaneceu sentado, com ar desanimado. Balançou a cabeça e disse a Werlin: "Agora eu sei o que ele quer". E o que Hitler queria não era nada fácil. O chanceler estava verdadeiramente determinado a concretizar o projeto de Volkswagen de Josef Ganz - que durante anos debatia o tema dentro da - exatamente de acordo com as diretrizes definidas na Motor-Kritik. Depois do encontro, Porsche e Werlin se despediram. Werlin continuou sentado, refletindo sobre o projeto, e escreveu nos desenhos que Hitler havia deixado sobre a mesa: Esses esboços foram feitos por Hitler, durante reunião com Porsche e comigo no Hotel Kaiserhof (19340. Um trabalho de apenas alguns minutos". naqueles poucos minutos, Hitler lançou as bases do Valkswagen. Seus planos foram fortemente influenciados por Josef Ganz e sua revista, mas num Estado nacional-socialista um projeto daqueles jamis poderia ter ascendência judaica. Caberia a Werlin o fardo de eliminar completamente quaisquer vestígios deixados pelos "vermes judeus" no projeto do volkswagen nazista.

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"A Verdadeira História do Fusca"
Autor: Paul Schilperoord
Editora: Alaúde
Páginas: 344
Quanto: R$ 39,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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