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05/12/2010 - 17h02

Keith Richards conta como escreveu "Satisfaction" durante o sono; leia trecho

da Livraria da Folha

Divulgação
Keith Richards, mito do rock, revela segredos dos Rolling Stones
Keith Richards, mito do rock, revela segredos dos Rolling Stones

Os Rolling Stones estão há mais de 40 anos na ativa. Eles são uma das bandas mais famosas do mundo e atraem legiões de fãs. Nos anos 70, eram perseguidos nos Estados Unidos sob acusações de incitar a violência e comportamento impróprio em seus shows.

Eles são mundialmente conhecidos e algumas de suas canções foram regravadas por artistas de diferentes estilos. "Satisfaction", por exemplo já pode ser ouvida nas vozes de Aretha Franklin e Britney Spears.

A canção foi responsável por dar fama mundial à banda inglesa. Apesar serem relativamente conhecidos, foi "Satisfaction" quem colocou os olhos do mundo sobre eles. Não é a toa que é uma das músicas mais lembradas do grupo, bastando os primeiros acordes para ser reconhecida.

Keith Richards compôs a melodia, como fez na grande maioria das obras do Stones, e Mick Jagger colocou a letra. Keith conta em sua biografia, "Vida", que foi graças a um gravador ligado que a canção existe. Durante o sono, o guitarrista "roncou" o esqueleto da música.

Leia no trecho abaixo a história da criação de "Satisfaction":

*

Então veio "Satisfaction", a faixa que nos lançou à fama global. Eu estava em transição de namoradas na época, em meu apartamento em Carton Hill. St. John's Wood. Talvez por isso o tom da música. Escrevi "Satisfaction" durante o sono. Eu não tinha ideia de que a tinha escrito, agradeço a Deus pelo pequeno gravador Philips. O milagre foi que olhei o gravador naquela manhã e sabia que tinha colocado uma fita virgem na noite anterior, e vi que estava no final. Então, apertei o botão de retrocesso e lá estava "Satisfaction". Era apenas um esboço. Havia apenas o esqueleto da música, e não tinha aquele ruído, é claro, porque era acústico. Eram quarenta minutos de "mim" roncando. Mas o esqueleto é tudo o que se precisa. Eu fiquei com aquela fita por muito tempo e gostaria de tê-la guardado.

Mick escreveu a letra na piscina em Clearwater, Florida, quatro dias antes de entrarmos no estúdio e gravá-la - primeiro no Chess em Chicago, uma versão acústica, e mais tarde com o fuzz tone na RCA em Hollywood. Eu não estava exagerando quando escrevi para casa de Clearwater um postal que dizia: "Ei, mãe. Trabalhamos feito cão, o mesmo de sempre. Amor, Keith".

Era para usar a caixa de um pedal, a Gibson fuzz, uma pequena caixa que tinham lançado na época. Eu só tinha usado pedais duas vezes - a outra vez foi para Some girls no fim de 1970 quando usei uma caixa XR com um slap-echo montanhês agradável da Sun Records. Mas efeitos não são minha onda. Eu busco qualidade de som. Eu quero isso afiado, cortante, forte ou quero quente, uma coisa "Beast of burden" nascia? Basicamente a escolha é: Fender ou Gibson?

Em "Satisfaction" eu estava imaginando trompas, tentando imitar seus sons para colocar mais tarde na faixa quando gravássemos. Eu já tinha ouvido o riff na minha cabeça do jeito que Otis Redding fez depois, pensando: "Isso vai ser a linha da trompa". Mas não tínhamos nenhuma trompa, e eu ia apenas dublar. O tom fuzz veio a calhar para que eu pudesse dar uma forma ao que as trompas deveriam fazer. Mas o tom fuzz nunca tinha sido ouvido antes em lugar nenhum, e foi esse o som que atraiu a imaginação de todo mundo. Quando me dei conta, estávamos ouvindo a nós mesmos no rádio em Minnesota, "Sucesso da Semana", e nem sabíamos que Andrew tinha mostrado aquela droga! De início fiquei mortificado. No que me dizia respeito, aquilo era apenas a dublagem. Dez dias na estrada e era o número um nacionalmente! O disco do verão de 1965. Então não discuto. E aprendi essa lição - algumas vezes você pode exceder no trabalho. Nem tudo está designado para o seu gosto e apenas o seu.

*

Vida
Autor: Keith Richards
Editora: Globo
Páginas: 640
Quanto: R$ 49,90
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

 
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