Saltar para o conteúdo principal
 
24/06/2011 - 15h30

Biografia questiona possibilidade de Oprah Winfrey ser lésbica

da Livraria da Folha

Primeira mulher negra e acima do peso a comandar um programa na televisão norte-americana, Oprah Winfrey tornou-se uma lenda. Não foi apenas por ela ter tido uma infância humilde, em uma época em que a discriminação era constante, e ter chegado tão longe.

A história de sua vida é cheia de fatos polêmicos e contradições. A apresentadora sempre contou em seu programa os tristes tempos de sua infância, mas sua família diz que não foi um período tão ruim assim. Muitos detalhes são profundamente escondidos por ela, revelando-os apenas quando não é possível esconder ou quando poderá tirar algum proveito deles.

George Burns/AP
Oprah Winfrey enfrenta há anos boatos sobre seu relacinamento com a melhor amiga Gayle King; biografia resgata alguns deles
Oprah Winfrey enfrenta há anos boatos sobre seu relacinamento com a melhor amiga Gayle King; biografia resgata alguns deles

Para evitar que seus segredos venham à publico, Oprah controla com mão de ferro todos ao seu redor. Ninguém trabalha para ela sem um contrato de confidencialidade. Seus parentes parecem temer sua reação caso declarem algo. Com tanta restrição, foi difícil para Kitty Kelley escrever "Oprah - Uma Biografia".

Ela teve que se basear em entrevistas feitas ao longo de toda a carreira da biografada e em conversas com pessoas próximas que não temem falar sobre ela. Por conta disso, muitas questões polêmicas e até hoje mal explicadas permanecem na dúvida.

O questionamento sobre a sexualidade da apresentadora, por exemplo, é uma das mais bem guardadas histórias. Kelley não se compromete e deixa no ar algumas coisas que apurou. A biografia escrita por Vernon Winfrey, pai de Oprah, que nunca foi publicada por falta de aprovação da filha, estaria cheia de revelações.

Apesar de falar mais da vida de Vernon e do preconceito racial da época, ela se preocupava com o que ele teria dito sobre sua juventude.

"O que a preocupava, porém, era o que tinha escrito sobre seus 'segredos tenebrosos. Alguns deles só descobri quando ela já era adulta, tarde demais'. Ele também expressava arrependimento por ter sido tão rigoroso e duro com ela na adolescência e por não manifestar seu amor com a mesma eficiência com que manifestava a disciplina.

Mesmo assim, continuava a desaprovar os 'segredos tenebrosos' que ele descobriu sobre a menininha que criou. 'Ela pode ser admirada pelo mundo, mas eu sei a verdade. Deus também sabe, assim como Oprah. Dois de nós ficam envergonhados.'"

A relação de Oprah com sua melhor amiga Gayle e o seu envolvimento com um homem com o qual nunca casou e que trata como "companheiro" são as principais fontes de especulação. Leia a seguir trechos de "Oprah - Uma Biografia" :

*

Anos depois, Oprah admitiu par a atriz Charlize Theron ter crescido "idolatrando meninas bonitas". Ela disse: "Eu pensava: 'Como seria ser tão bonita assim?'" Pareceu inebriada ao conhecer a loura Diane Sawyer, a bela apresentadora do programa Good Morning America, que tinha vencido concursos de beleza no Sul e ganhado a coroa de Miss América Júnior em 1963.

Alguns funcionários da ABC repararam no relacionamento afetuoso entre as duas mulheres e piscavam, como se dissessem: "Adivinhe quem está apaixonada pela Diane?" Eles se lembram dos telefonemas tardios, cheios de risadinhas, dos planos animados para futuros programas, dos abraços, dos presentes extravagantes de Oprah - os gigantescos arranjos de orquídeas que chegavam depois de todas as grandes entrevistas exclusivas de Diane, a caríssima bolsa Kieselstein-Cord, o anel com um brilhante de um quilate para o dedo dos pés.

"Havia cochichos por toda parte", comentou Bonnie Goldstein, ex-produtora do ABC News.

(...)

Dois dias antes do tal episódio, em 30 de abril de 1997, Liz Smith soltou uma notinha insinuativa, em sua coluna de fofocas:

Dizem que uma das maiores estrelas da televisão, dona de uma longa carreira, está seriamente contemplando a hipótese de repetir a manobra que levou Elle DeGeneres à capa de todas as revistas e todos os jornais do país.

A orientação sexual da estrela em questão foi mascarada sob o fulgor da propaganda durante anos. Mas, quando, ou melhor, se esse anúncio acontecer, vai provocar abalos sísmicos que farão a declaração de Elle - "É, sou gay" - parecer café pequeno. Será o frisson que acabará com todos os frissons. (Essa celebridade é um ícone e um modelo para milhões de pessoas.) Lembrem-se de que foi aqui que vocês souberam disso primeiro, apesar de não querermos dizer o nome. As pessoas têm o direito de se assumir.

(...)

Os telespectadores reprovaram Oprah por ter feito uma participação especial no episódio em que a personagem assume sua homossexualidade e depois criticaram Ellen por ser lésbica e tornar isso público. Porém, naquela noite, quando o personagem "Ellen" saiu do armário, ela atraiu 36 milhões de espectadores nos Estados Unidos e o programa de Oprah, exibido mais cedo naquele mesmo dia, com Ellen e Anne Heche, sua namorada na época, também teve grande audiência. Mas a participação especial de Oprah e a notinha que omitia o nome da celebridade movimentaram a internet durante semanas com boatos sobre sua sexualidade. A teoria mais esquisita era a de que ela ia sair do armário na Newsweek da mesma forma que Ellen saiu na Time. Oprah finalmente divulgou uma declaração oficial negando que fosse lésbica, o que tornou sua orientação sexual uma discussão pública por muitos anos.

"Desde minha participação no seriado da Ellen, existem boatos de que sou gay", disse Oprah no comunicado à imprensa. "Tratei desse assunto em meu programa, mas a fábrica de boatos continua a funcionar. Algumas semanas atrás, a colunista Liz Smith escreveu que 'uma das maiores estrelas da televisão, dona de uma longa carreira, está contemplando a hipótese' de sair do armário. Aparentemente, acredita-se que seja eu. Não é verdade."

(...)

Anos depois, Rosie O'Donnel, que havia assumido ser lésbica, especulou sobre o relacionamento de Oprah com sua melhor amiga. "Não sei se ela e Gayle estão namorando, mas acho que são o equivalente emocional de um casal gay. Quando viajaram juntas ["A grande aventura de Oprah e Gayle", em cinco episódios apresentados no Oprah Winfrey Show em 2006], não poderiam ter se comportado de forma mais gay. Não quero insultar ninguém, Só estou dizendo que, se perguntarem minha opinião, aquele é um casal gay."

(...)

A ideia de que Oprah tivesse alimentado os boatos sobre sua sexualidade de propósito parecia plausível, à luz de alguns comentários que ela fez em entrevistas, em discursos e no próprio programa. Dois meses antes de participar do seriado Ellen, Oprah organizou um bloco chamado "Amigas", dentro do programa do Dia dos Namorados, no qual ela mencionou os apelidos carinhosos usados por ela e sua melhor amiga, Gayle King. Oprah era "Negra", Gayle era "Blackie". Oprah brincou dizendo diante das câmeras sobre os boatos de que Gayle era o motivo pelo qual Oprah não se casava com Stedman, e Gayle brincou, dizendo que Oprah foi o motivo do seu divórcio. As piadas provocaram matérias de capa sensacionalistas nos tabloides: "Oprah & Gayle vão morar juntas" (Globe); "A vida secreta de Oprah: a verdade sobre aqueles boatos gays" (Natinal Enquirer); "Oprah & Gayle são amantes" (Globe); "Quem é gay e quem não é em Hollywood" (National Examiner).

Não foram apenas as publicações de segunda categoria que fizeram especulações sobre a sexualidade de Oprah, mas também a imprensa respeitável. Ao escrever sobre seu poder como "principal apresentadora de TV" dos Estados Unidos, a National Review disse: "Ela pode ou não ser lésbica." Em um ensaio sobre "a estranha atitude de Oprah", a New Republic proferiu a análise: "Embora ela declare estar envolvida há anos com um homem chamado Stedman Graham, os dois nunca se casaram. Naturalmente, as fofocas correm dizendo que o relacionamento é uma fraude e que, na realidade, Oprah é gay. De forma provocante, Oprah pouco se refere a Graham no programa. Em vez disso, suas referências mais frequentes são a Gayle King. Então, em vez de refutar os boatos de que é homossexual, ela parece encorajá-los. Os detratores a chamam de hipócrita, mas não há nada de hipócrita em se ter uma vida privada. Se o romance de Oprah é falso, se ela é gay, isso não seria contradizer sua defesa pública da coragem, da bravura e do crescimento obtido pelo sofrimento.

Não havia fundamento para os boatos sobre o relacionamento lésbico, a não ser o fato de estarem sempre juntas e as bizarras provocações de Oprah sobre o assunto.

"Meu radar gay disparou pela primeira vez quando fiz a cobertura de um evento na Radio City Music Hall [14 de abril de 2000] e observei Oprah e Gayle caminhando pelo tapete vermelho com os dedos mindinhos entrelaçados e Stedman atrás das duas"; contou um famoso colunista de fofocas do Dayle News, de Nova York. "Então, algumas noites depois, veio o enorme lançamento da revista O, uma festa extravagante em que nada foi poupado, quando Oprah colocou Gayle no cargo de editora especial. Se você examinar o texto com as declarações de Oprah, vai perceber que ela parecia o marido que dá tudo para a esposa troféu. Era tudo piada, mas..."

*

Oprah: Uma Biografia
Autor: Kitty Kelley
Editora: Sextante
Páginas: 384
Quanto: R$ 32,90 (preço promocional, válido por tempo limitado)
Onde comprar: Pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Confira seleção de lançamentos para comprar sem pagar frete

 
Voltar ao topo da página